quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Inconsolável...



Nada me consola dos textos que não escrevi. Nada! Tenha sido por faltar a ordem certa das palavras ou por não ter tido tempo (folhas à minha disposição não faltaram). O quê, então, me impediu de deixar registrados tantos e tantos pensamentos confusos que me ocorreram? Oh! cruel intervenção temporal! Oh! cruel falta de suporte tecnológico ao qual me vejo submissa. Por que não me livrei de tuas limitações e recorri às humildes e pacientes folhas? Por quê?

Vês como me deixas agora,(e isso te satisfaz!, não?) sem ordem a pôr ao assunto. Nada me acalentará dos tais textos que não escrevi, nada...nada...nada...nada...

É dessa maneira que me encontro, inconsolável, buscando me reconfortar através de outra ordem de palavras. Quem saberá se não há ordens e ordens de palavras para cada momento? Quem saberá se tais ordens só se fazem existir em momentos pré-determinados e que tudo conspira para que essas fugitivas se encontrem algemadas em hora e data marcada para serem, por uma ínfima parcela de existência, submissas a nós, seres mortais. Vejam! As imortais submissas a nós, que devaneio o meu...

Mas, e as ordens de palavras passadas? E aquelas que se deixaram afugentar, esperaram por mim além do que deveriam e agora se foram, não voltam mais? E elas? O resultado dessa desordem é a minha auto-flagelação, uma forma de me reparar ante às deusas que me dominam: duas possibilidades para título da minha dor. "Inconsolável" ou "Das Palavras"?
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Nada adiantará! Quero minha ordem perdida de palavras! Não as rejeitarei mais, mesmo cansada, a minutos de um novo dia, me ponho aqui, cativa a elas para pagar meu pecado de tê-las desprezado conscientemente.

2 comentários:

  1. Oi, tbm tenho a ordem perdida nas palavras, e precis reencontra-las, não?
    cuide-se, flor.

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  2. Sempre tão criativa!
    Sempre acontece de não escrevermos as palavras que nos veem a mente... e perdemos o momento, a inspiração, a própria palavra.
    O consolo vem da certeza de que outras palavras inspiradas virão!

    Beijos

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