sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Quando o livro, e não você, dita o tempo

Sabe quando você quer muito ler um livro, mas algo dentro de você impede que a leitura aconteça? Não estou falando de descobrir que a leitura "flui mal" enquanto se lê, mas sim daqueles casos em que você ainda não leu nenhuma página e só tem apenas uma ideia superficial do tema e do que pode encontrar.

Nesses casos, o ato de de começar a leitura é procrastinado ad infinitum... até que, por motivos de forças maiores, você finalmente abre o livro na primeira página e começa aquilo que, bem mais que o ato de ler em si, é um ato de coragem e que só prova o quão destemida você é. Se reconheceu? Pois é, há livros que são verdadeiros desafios.

Esse acontecimento é comum na minha vida quando me deparo com alguns títulos que, por mais que eu queira, eu não consigo ler - embora eu tenha folheado todos à exaustão.

E quando eu consigo romper essa estagnação e começar a leitura, saborear a aventura de mergulhar na história e finalizar esse processo com êxito, a sensação posterior é a de nostalgia misturada com um "por que demorei tanto para ler esse livro???". No entanto, esse processo que vai desde começar a ler até o término da leitura nunca é rápido como costuma ser com outros livros.

capa do livro K., de Bernardo Kucinski
Um dos últimos livros que me fez vencer a estagnação foi K. - Relato de uma busca, do Bernardo Kucinski. Com menos de 200 páginas, esse era "o tipo de livro" que eu leria rapidamente - se apenas a quantidade de páginas fosse levada em consideração. Entretanto, K. não é apenas um livro onde você simplesmente vira a página e continua seguindo a vida. Também não é aquele tipo de livro que você "adianta a leitura" entre malabarismos no transporte público. K. está mais para aquele tipo de livro que fica mais fechado do que aberto na sua mão - reforço: na sua mão.


Com ele, você precisa fazer pausas e refletir - não a cada capítulo apenas, mas, geralmente, a cada parágrafo ou frase. K. é um soco no estômago e quando um livro te acerta assim, minha amiga, é ele quem dita o tempo.


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Minha última leitura foi resultado de um trabalho para a faculdade, feito a duras penas justamente porque se baseava em um livro que praticamente não podia ser apressado: Luta, substantivo feminino.

Esse livro é feito de capítulos que são histórias individuais, digamos. Assim como As boas mulheres da China, que reúne diferentes relatos para montar um panorama da época, Luta, substantivo feminino faz isso, mas sem aquele capítulo da conclusão. A conclusão é você quem faz, nas suas reflexões. Por isso, ir de uma história para a outra é mais que um ato de desafio a si mesma, é uma verdadeira rebeldia. Para mim, é difícil ser rebelde, embora seja preciso.

Como leitora, já passei do nível em que me cobrava para ler x livros por mês simplesmente porque precisava ler x páginas nesse intervalo de tempo.

Hoje percebo que fazer esse tipo de cobrança a si mesma é estabelecer uma relação unilateral com a leitura, como se tivéssemos total controle do desconhecido. 

Os livros estão aí para falar, através da palavra escrita, para transmitir uma história que, não raras vezes, exigem mais de quem as lê do que apenas o ato de leitura em si. Estranho? Pode parecer, mas não é.

Livros fazem mais do que guardar informações: eles carregam histórias, sejam elas reais ou ficcionais. E por mais que muita coisa nesse mundo pós-moderno seja quantificável, o que acontece quando entramos em contato com essas histórias definitivamente não é.

8 comentários:

  1. Oi Andressa.

    Estou com três livros que estão tornando-se verdadeiros desafios na minha meta de leitura. São A Guerra dos Tronos, Os Homens que Não Amavam as Mulheres e Outlander- A Viajante do Tempo. Eu realmente preciso fazer como você e romper essa estagnação e começar a leitura. Eu anotei a dica que você deixou sobre o livro que citou, pois não conhecia e parece ser interessante.

    Bjos
    Histórias Existem Para serem Contadas

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  2. Olá!

    Te entendo, já passei por isso. Mas a sensação, na maioria das vezes é muito boa, tipo, onde eu estava que não tinha lido antes? E aqueles que devoramos em tempo recorde justamente por serem bons demais, como faz?

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  3. Oiii!!

    Eu comecei um livro que não tava dando certo e daí pausei para começar um outro.
    Acho que isso é normal... E importante porque quando finalmente terminamos uma obra difícil aprendemos e refletimos mais ainda sobre ela.
    Gostei do texto!

    Beijinhos

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  4. Oi Andressa, sua linda, tudo bem?
    Eu sou daquelas que não admiti largar uma leitura antes de chegar ao fim. Mas já abandonei um livro de Stephen King, a narrativa era extremamente descritiva. Lê-lo foi um desafio, e eu falhei, risos... Nunca aconteceu comigo de pegar um livro e pensar porque não li antes. Pois eu gosto de muitos estilos diferentes e acredito que tudo depende do nosso humor no dia, tem vezes que quero desesperadamente ler romance, outras que estou louca por uma trama policial. Então, geralmente eu pego o que estou no clima naquele dia.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  5. Eu também, muitas vezes procrastino o início de um livro, ou então, começo a ler e decido que aquela não é a hora, melhor ler aquele livro depois... Mas geralmente não me arrependo disso. Prefiro ler um livro no momento certo, mesmo que isso demore a acontecer, do que ler ele só porque comecei e quando terminar achar que deveria ter lido em outro momento, sabe? Depende muito de cada pessoa e cada livro, mas comigo esse é o sistema que funciona melhor.

    livroslapiseafins.blogspot.com.br

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  6. Olá! Eu também faço muito isso: deixo o livro para uma próxima vez, vou deixando passar o tempo e sempre (como você disse, quase sempre) fico com a sensação de arrependimento por não ter lido antes. Eu amo histórias que mexem comigo a cada capítulo e fiquei imaginando aqui o que seria "um soco no estômago a cada página". Para fazer isso, o autor tem que ser realmente fantástico e original. Adorei as indicações dos dois livros e concordo com você: há um momento certo para a leitura desse tipo de escrita, já que, invariavelmente, elas vão abalar o leitor.
    Beijos!
    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  7. Oi, Andressa!
    Antes de mais nada, parabéns por esse post incrível! De forma sucinta e simples, você expôs bastante do que tenho vivido, no que diz respeito a certas leituras exigirem mais do leitor do que se pensa inicialmente. Um número de páginas que há algum tempo eu leria em dois dias, estou lendo até em quase duas semanas porque absorver algumas e entender certas histórias de verdade está mais vagaroso, ainda que não menos prazeroso, de qualquer forma. Admito que ainda me cobro um pouco sobre o 'total x' de livros a ler por mês, mas estou procurando melhorar isso, afinal, cada leitura tem seu ritmo e se cobrar demais acaba tirando o prazer da atividade.
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br/ ♥

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  8. Oi Andressa!
    Acho que o que você diz no post acaba acontecendo com a maioria de nós leitores, pelo menos os que se dignam a ler um livro mais afundo.Algumas histórias se dá pra ler rápido, não faz diferença, mas algumas temos que ler com calma pra poder refletir. Acho isso bem normal. As vezes ainda me pego ficando triste com a quantidade lida no mês mas tenho lido alguns livros bem interessantes que valem a pena demorar mais tempo e ler em menor quantidade.

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