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quinta-feira, 1 de abril de 2021

As mágoas de março fecharam o verão: bem-vindo, abril!


Abril começou e assim, no susto, eu lembrei do BEDA. Quer dizer, eu tinha lembrado antes, mas foi um lembrar bem daquele jeito quando a gente recorda do compromisso com muita antecedência e só finge que ele não existe, sabe?

Pois bem, abril chegou e eu não planejei nadica de nada sobre o que escrever nesse mês, já que lá atrás eu resolvi deixar esse B.O. pra Andressa do futuro que, coitada, vai ter que lutar. 

E é por isso que a razão de ser desse post nada mais é do uma tentativa de não deixar a data passar batida por conta desse meu descuido. Então, resolvi fazer um post com aquilo que eu mais faço - Twitter que o diga - que é: desabafar e colocar pra fora as mágoas - que, adianto logo, foram muitas.


Desabafo sobre meus clientes - porém não só sobre eles, pois sou fã de indiretas

Te liguei, deve tá ocupadinho...
Tudo bem, tô com outro contratinho 

Esse mês eu cansei de ser a palhaça do freela, que fica se humilhando pra cliente. E o que eu fiz? Fui lá e arranjei mais três kkkkkkkkrying. Como dizia minha amiga - que ainda não sabe que é minha amiga, mas já considero pacas - Juliette Freire: "é paaaaaaaau!"

Claro que agora eu simplesmente não tenho vida, afinal tô conciliando - apesar desse meu equilíbrio dar aquela balançada marota às vezes. O importante é dinheiro na conta, né? Pois é, capricornianos entenderão.



Desabafo sobre pessoas que fizeram hora extra na minha vida

Eu não tô aqui pra sofrer
Vou sentir saudade PRA QUÊ?
QUERO SER FELIIIIIZ!!!
Bye bye, tristeza, NÃO PRECISA VOLTAR!!!

Sabe quando você tá nostálgica, lembrando das coisas que viveu no passado? Pois é, eu tava bem nessa vibe quando o WhatsApp resolveu me sacanear. Fui ouvir um áudio X e minha orelha grande resolveu que seria interessante fazer uma chamada de vídeo pra essa pessoa. Ora, ora, que legal. 

Mas poderia ser pior? Poderia sim. A pessoa em questão poderia RETORNAR A LIGAÇÃO EM VÍDEO ACHANDO QUE EU IRIA ATENDER!?!!?? Mas, assim, esse só um exemplinho bobo de como a situação poderia ser pior e não algo que realmente aconteceu. Não, imagina! Nunca que isso aconteceria comigo, a pessoa mais sortuda do mundo... Jamais. Enfim.


Desabafo sobre o jornalismo de merda e o coronavírus


No one can find the rewind button, girl
So cradle your head in your hands
And breathe, just breathe

Uma das coisas que mais me deixou mal foi uma junção de acontecimentos relacionados ao coronavírus. Nesse tempo, uma pessoa da família precisou ser internada e foi realmente um baque muito grande pra mim.

Minha ficha já tinha caído - afinal, só de acompanhar o noticiário e as redes sociais, é impossível não entender a gravidade da coisa. Mas essa foi a primeira vez que eu realmente senti pânico e impotência. 

Me senti tão inútil porque, no fim das contas, parece que a gente não é nada perto desse vírus. Parece que cada item desinfectado do mercado, cada dia de home office e cada dia sem sair de casa não significaram nada. E o pior: a situação foge do controle e tudo o que a gente desesperadamente quer é um botão de voltar.

No meio de tudo isso, uma jornalista foi em um grupo que participo pedir ajuda para encontrar personagens. Até aí ok, tenho minhas críticas a esse método, mas já senti na prática o quão útil ele é. Só que ela foi pedir algo absurdo: uma pessoa que tivesse morrido de causas naturais, mas que o atestado de óbito indicasse morte por coronavírus. E o pior: a fulana era chefe de reportagem de uma das maiores emissoras televisivas do país. 

Nessa hora dá uma tristeza, uma indignação enorme. Óbvio que o grupo tem várias pessoas sensatas que descascaram a fulana. Mas só de imaginar esse tipo de matéria sendo feito por aí em um dos piores momentos da pandemia é revoltante demais.

***

Enfim, esse é o primeiro dia do meu BEDA e eu realmente tinha desabafar. Ainda bem que só deixei esse post rolar porque, caramba, eu precisa muito disso.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Refém

Reprodução: Google Images

Quero silêncio,
quero sopro
e nostalgia.

Quero sossego,
quietude,
calmaria.

Mas vem a vida
e a rotina teima
em me pegar.

Serei barulho,
ventania,
folha no ar.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Fazer caber

Reprodução: Pexels

Tento me encaixar, demonstrar um pouco do que está dentro de mim. Mas há coisas que sussurram esconderijos e, por isso, as deixo aqui, dentro, escondidas, às vezes de mim mesma. Quando me lembro de procurá-las, o processo até achá-las é longo, demanda paciência.

Mas sigo tentando me fazer caber nos espaços pelos quais escolhi vagar. Não raramente me canso. É exaustivo se dobrar, entrar, sair, entrar de novo em outra posição com a única finalidade de se fazer caber ali. 

Tem vezes em que desisto, paro um pouco, sentada na borda de caixas pequenas demais. Mas qualquer brecha ou promessa nova de ampliar o espaço ao qual preciso me moldar me dá novo fôlego para tentar. Por isso insisto e finjo não reparar nos roxos que esse jogo de encaixar me deixa na pele.

Então finjo que basta, mas a perna formiga, o braço tem cãimbras. Não é meu lugar. Por isso me levanto, desistindo. E então não existe mais caixa. Estou aqui tentando apenas ficar confortável. Mas agora parece que sou exigente, que não aceito caixas... entenda, não é isso.

Eu apenas desisti. Não é que tenha chegado ao limite ou esgotado minhas forças. Apenas quis levantar. Dor e desconforto não faziam sentido, nunca fizeram.

Agora sigo em pé, a caixa aberta ao lado, vazia. Te olho. Quero saber se vai me ajudar a fechá-la e fazer dela um lugar de descanso onde podemos sentar juntos ou se vai permanecer encarando o vazio de uma caixa que já não serve para conter. 

Espero. Decisões levam tempo, então espero. 

Espero consciente do tempo que pode levar, mas também sabendo que, quando o pôr do sol se instaurar, vou me dirigir a um lugar onde possa sentar - seja ele uma caixa fechada ou outro canto qualquer.

sábado, 1 de junho de 2019

Sobre viagens e o tempo que insiste em passar

Acervo pessoal/Andressa Lima

Viajar me dá uma tristeza tão grande. Ver a paisagem passando esmaga meu coração.

Eu me lembro de tanta coisa, de deixar o Guarujá, do que vi, do que vivi e parece que estar em um trem ou ônibus em alta velocidade me faz perceber o quanto tudo passa tão rápido.

Viajar me faz perceber que somos bem pouco perto de tudo o que existe. Que não podemos com o tempo. Que só temos o agora. Que tudo vai passar.

Se tem uma coisa que acho difícil como capricorniana é deixar as coisas acontecerem e irem embora. Eu busco uma estabilidade que, se eu pensar bem, é quase como travar uma luta contra o tempo. Eu quero que as coisas continuem num mundo em que tudo está destinado a passar e a passar bem rápido.

Viajar é um balde de água fria em mim mesma. É um tapa na cara. É um lembrete constante de que o que eu quero é difícil, quase impossível. De que eu posso estar buscando algo que não vou encontrar porque simplesmente esse algo não existe.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

o que fazer com impressões? - parte 3

San Giorgio Maggiore at Dusk - Monet

enfim, estou anestesiada e não consigo esquecer aquela faísca que brilhou nos olhos dela enquanto dançava alegre sobre a linha que ela não podia cruzar.

o que isso diz sobre ela? e o que diz sobre mim e sobre o que eu sinto?

no momento em que eu soube que independentemente de tudo eu não estava disposta a abrir mão. entendi que esse é um assunto que preciso sepultar em mim.

sigo com uma certeza do que aconteceu. uma certeza que dispensa explicações, embora pareçam impressões de uma louca.

aprendi a me manter atenta para captar o que preciso quando minha intuição fala. só não aprendi ainda o que fazer com tudo isso que agora eu sei.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

o que fazer com impressões? - parte 2

Impressão, nascer do sol - Monet

por isso, antes de sair do apartamento, eu pensava em como seria nosso reencontro. e não foi tão regado à constrangimento como eu pensei que seria.

ela me abraçou e até se desculpou pelo que aconteceu no nosso adeus no aeroporto. eu nem lembrava mais.
a sensação que eu tive na hora foi de que ela achava que meu silêncio, de certa forma, foi uma resposta aquele episódio. só que não foi, de verdade não foi.

e então eu comecei a pensar no quanto eu relevo algumas coisas e voltei a lembrar daquele dia: será que é em um momento assim que a gente percebe as coisas como elas são de fato? mas, sei lá, inconscientemente eu prefiro não pensar muito nisso.

e também prefiro não pensar muito no que aconteceu e no que eu fingi não notar. mas é inevitável. os toques disfarçados, os olhares, a aproximação, a animação repentina...

no começo eu apenas neguei, mas estão me permiti a dúvida, me permiti observar com isenção. agi como eu quis agir e ocasionalmente captei o que rolava.

e então eu tentei ver as motivações. por que ela estava fazendo aquilo? e eu não tenho respostas. talvez o álcool, talvez uma espécie de troco ou a emoção de flertar com o proibido.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

o que fazer com impressões? - parte 1

The Sant Lazare Station - Monet

a gente não se falou por um tempo e eu realmente fiquei chateada quando ela ignorou quase por completo a mensagem de feliz aniversário que eu mandei.

quase por completo porque ao menos ela curtiu... mas, sei lá, ficou faltando algo... nem que fosse um comentário com coraçõezinhos vermelhos, qualquer coisa que demonstrasse que a nossa amizade intensa não foi unilateral ou coisa da minha cabeça.

eu realmente esperei mais que uma curtida, esperei uma reação mais humana que demonstrasse que aquelas palavras que eu escrevi do fundo do coração tinham alcançado o coração dela.

mas eu admito: eu errei também. errei quando deixei as coisas me consumirem. errei quando não correspondi à tentativa dela de dar continuidade aquilo que surgiu genuinamente entre nós.

e eu sou assim. eu faço coisas intensas e loucas, eu aproveito o momento, eu abraço, eu digo que amo, eu aperto, eu digo "a gente vai se falar, a gente vai se veeeeeer", eu faço essas coisas. mas depois eu vivo outros momentos intensos e eu realmente não sei lidar com a distância, é algo que eu aprendi sobre mim.

as pessoas vão e eu tento manter um pouco das coisas como já foram, mas elas passam e se moldam a outros tempos, outros espaços.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Serasse é hora de dar tchau?

Reprodução: Frame de "Thank U, Next" - Ariana Grande

É incrível como eu tenho 0 jeitos de colocar o famigerado ponto final nas coisas que precisam ser encerradas na minha vida. Eu até faço isso, mas por puro acaso que eu acho que é fruto do alinhamento planetário que colabora para que as coisas se concluam por si só. Porque quando sou euzinha quem precisa fazer o "thank u, next", é de praxe começar uma odisseia que sempre (seeeeempre) dá ruim.

E isso acontece (suponho eu) por conta da minha indecisão. Eu sempre fico num eterno "serasse" até que a vida me mostra que, mais uma vez, eu perdi o time.

Daí, agora que estou na vibe "o que eu preciso aprender com tudo isso que estou vivendo?", eu fico muito focada em achar padrões de comportamentos só para falar "a-haaaaaaaa, é isso". E o clichê é que tenho notado esses padrões na área mais badalada da vida de toda capricorniana: o trabalho.

Novamente Andressa está com dois empregos e dispostíssima a viver sua melhor versão de Julius. Só que, analisando meu histórico proletário, as coisas sempre caminham para essa conjuntura onde eu tenho que decidir se me equilibro entre duas firmas ou se faço a fina no adeus para manter as portas abertas. O ponto é que nem sempre eu quero manter as portas abertas. Tem portas que eu gostaria de trancar e tacar a chave fora, simples assim. Mas eu fico sendo política, disponível e me desdobro pra parecer grata pela oportunidade.

A questão é que agora eu sinto que vai dar bom apesar de meu sensor de alerta gritar "eeeeeeeei, olha o padrão. Sai vazada". Eu sinto que finalmente vai rolar de forma tranquila, mas fico com medo porque tenho um TCC pra entregar nesse semestre, além de vários projetinhos pessoais que estou arredondando na minha cabeça.

Fico com esse questionamento: esse padrão quer me mostrar que eu preciso parar de fazer esses malabarismos com meu tempo ou aprender um jeito de vivenciar isso? 

O fato é que dar goodbye quando a situação não é do tipo "okay, Andressa, realmente isso precisa ser encerrado já!!!" é um desafio pra mim.O jeito é ver como as coisas vão acontecer dessa vez e ficar alerta com meu bloquinho de notas para garantir que dessa vez eu vou aprender o que eu preciso

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Sobre não saber lidar e a sensação de eterna bagunça

Reprodução: Pexels

Lembro bem da primeira vez em que me dei conta de que os problemas mais banais da minha rotina podiam ser resolvidos com a ajuda de aplicativos e programas. Eu precisava converter um arquivo de pdf para doc e fiquei pasma - sim, essa é a palavra - quando uma colega disse da forma mais desencanada possível "ah, deve ter algum programa que faz isso". Eu, que já me imaginava digitando aquele texto todo no word, senti que meu mundo se expandia um pouco.

Essa sensação de compreensão súbita é coisa de louco, e foi exatamente o que senti. Anos depois, em uma das aulas da faculdade, eu lembro de sentir algo parecido quando uma professora disse que estava experimentando o Periscope e contando como o Snapchat estava ampliando as formas de comunicação possíveis. Eu fiquei meio "tá bom" já que eu me recusava a experimentar coisas novas e até me orgulhava desse traço da minha personalidade.

Não muito tempo depois eu me toquei do quão grande era o medo que eu sentia de mudar e consegui lidar com isso baixando o Snapchat e começando a usar o Twitter com mais frequência. Foi nessa época que eu decidi dar uma chance ao Evernote para ajudar a organizar minha vida.

Acredito que essas experiências de quase epifania com os aplicativos, programas e redes sociais me fizeram creditar a eles um certo poder que, na verdade, eles não têm. Eu achava que eles resolveriam meus problemas - e em certo ponto, isso é verdade. Mas a partir disso concluir que eu organizaria e controlaria minha vida, sendo mais produtiva, feliz, realizada etc etc, foi bastante precipitado da minha parte justamente porque eu desconsiderei um dos fatores mais importantes para isso tudo dar certo: eu mesma.

Eu preciso ser clara e sincera comigo mesma: por mais que eu tenha me tornado mais aberta ao novo, em termos tecnológicos, não significa que isso tenha me ajudado a lidar com a sensação de eterna bagunça que eu sinto. O problema está no fato dos aplicativos, programas e redes sociais terem contribuído para aumentar essa sensação. Afinal, eu uso tanta coisa ao mesmo tempo que parece que a minha vida está diluída nas redes e isso é horrível.

Antes de me encantar com as redes sociais e enxergar nelas um apoio, eu usava diários e agendas. Não posso negar como é bom e prazeroso fazer um momento remember de 2012, por exemplo, dando uma olhada na agenda e ver que as coisas importantes estão todas ali, juntas, de forma sequencial. Mas, por mais que eu tente fazer isso agora, não funciona mais. Eu me pego "me diluindo" por aí e não entendo mais o que tudo isso significa. Onde estão meus pensamentos? Onde deixei minhas impressões sobre meus dias, acontecimentos importantes? Antes eu teria certeza ao dizer "no blog estão os textos mais pessoais, na agenda os compromissos e a rotina". Mas não é mais assim.

E só me dei conta disso quando estava trocando de celular e pensando em dar o antigo para minha irmã. Na hora lembrei que não poderia dar o celular pra ela naquele dia porque minha vida estava toda no bloco de notas. Então comecei a querer juntar minhas coisas em um único lugar até que, de repente, me dei conta de que sempre faço isso. A diferença é que antes eu separava as folhas, os cartões, post its e reservava um tempo para transcrevê-los e deixá-los em um canto só. Mas agora tudo isso ganhou uma versão tecnológica e, a cada aplicativo que eu descubro, os espaços que eu preciso juntar se tornam mais numerosos.

As vezes sinto que tudo seria mais fácil se eu me decidisse logo por uma coisa só e fosse mais constante. Mas ainda me apego a ideia de que esse é um dos meus traços de personalidade com os quais não consigo lidar

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Algo está cambiando



Siempre hay algo más
Que a simple vista no se ve
VENEGAS, Julieta

Todos crescem, todos mudam. Essa bem que pode ser uma daquelas verdades universais. Porém, por mais universal que essa verdade pareça ser, a impressão é que o universo faz questão de que nós sejamos exceção. "A mudança está no outro, não em mim", é fácil se enganar com esse pensamento. 

Esquecemos, ou preferimos esquecer que a mudança é algo pessoal e constante. Não é só com o fulaninho que foi viajar, estudar fora etc. Quem fica consigo mesmo todos os dias, por mais que se observe bem, também está mudando. E o engraçado é que aquilo que antes fazia parte do que acreditávamos ser, e que agora nem lembramos mais, ainda permanece vivo na mente de outros alguéns.

Porém, por mais óbvia que essa nossa mudança seja para quem nos observa de tempos em tempos, ela é verdadeiramente chocante para nós. "Não, eu não mudei. Foi você quem mudou!". Afinal, essa vida diária com a gente mesmo tem lá suas consequências para a percepção, e assim nossa mudança nunca é aquela coisa abrupta que quem está fora observa com facilidade,

Na realidade, o nosso eu do ontem literal é, para nós, um gêmeo univitelino do nosso eu de hoje. Daí, quando nós damos conta das nossas mudanças, a base de comparação nunca é o ontem literal, mas o ontem figurado. É o passado, no sentido mais comum. E a constatação pura do rio de Heráclito.

E por mais linda que seja a singularidade do momento, a certeza de que ele é único - afinal, já cantava Lulu Santos que "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia"-, o momento em que nos damos conta de que a não repetição da vida implica uma não repetição de nós mesmos, esse momento, meu amigo, é belo na teoria e inquietante na prática.

E agora, poderemos confiar em nós mesmos? Em nossos planos, decisões, desejos, motivações? E se o meu eu de amanhã for algo que eu não consiga aceitar? São as inquietações de se aceitar como ser mutante.

Mas nós aceitamos, embora seja uma aceitação velada e diária. Concordamos, cedemos e, de repente, ouvimos frases do tipo "você tá mudada" e a resposta automática que vem à mente é "não, não tô". Mas, enfim, se todo mundo muda, então acho que eu posso me permitir me perceber mudada.

Nos permitimos uma mudança a partir do olhar do outro e queremos, mas queremos renegar as transformações do eu a um estágio apenas físico. "Foi só o cabelo que eu cortei, nada demais", dizemos para poder pontuar as mudanças, contabilizá-las certinho para que não dê nada errado no nosso balancete depois.

Mas, mesmo com essas negativas, se deparar com seu eu interior antigo - seja nas páginas de um diário ou nos primeiros posts de um blog que te acompanha há longa data - é um verdadeiro soco no estômago. E não gostamos de socos, eles doem.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Desabafo

Na boa, gata. Melhor ficar na sua.
Ela é horrível. E tem dias que nasce em mim um grito que vem tão de dentro, que tudo o que eu penso é em como eu vou parecer louca quando eu explodir gritando: AHHHHHH, VOCÊ É HORRÍVEL!!!!

De verdade, ela é horrível. Ela me irrita. Contando todos os problemas e as dores, confiando fácil demais, aceitando conselhos fácil demais, rindo fácil demais. Essa ingenuidade humana nela me irrita, sério.

Ela vem com aquele jeito todo amigável, mas fecha a cara totalmente quando fica brava. E o pior é que ela não fala o que é, o que só aumenta a minha vontade de gritar, de espernear, de xingar e de bater as coisas. Mas eu me controlo.

Ela oferece tudo, tudo ela quer dividir: as comidas, os problemas, as dicas de como prender os cachos. Sério, vou perder a linha com essa garota.

E quando ela se irrita, então? Ela bate as coisas, xinga alto, bate telefone, bate porta, bate pé, taca caneta na mesa. Sério, é o caos. Mas o pior é quando ela digita calmamente depois de ter levado o maior esporro, como se nada tivesse acontecido a ponto de tirar seu eixo da órbita. Nossa, isso me tira toda a paciência! E essa calma externa que você pensa que é dela, não é dela coisa nenhuma. A espertinha reserva esse estereótipo de inabalável pra plateia, pra quando ela tá em público, porque quando ela tá sozinha, ela é outra. Eu juro, nunca vi tanta dissimulação em um só ser humano na minha vida. NUNCA!

Eu já disse que ela é horrível? Fala uma coisa em um minuto, no outro já fala e faz o contrário. Diz que não vai confiar mais, já tá confiando. Diz que tá cansada, que já deu, mas no fim das contas, não tá cansada merda nenhuma. Só tá sendo chata pra caramba.

E o pior é que ela não desgruda de mim. De repente, deu pra querer até me entender, é mole? Tô dizendo, ela é horrível! Não aguento, sério.

Juro que qualquer dia desses vou dizer umas poucas e boas pra ela. Na cara dela. Eu vou. Não acredita? Tô falando que eu vou dizer. Eu vou chegar na frente da merda do espelho e dizer: garota, você é chata pra porra!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Me desculpem, eu estou julgando

Foto para provar que: 1. Não faço a unha e 2. Encasqueto com foto alheia quando as minha próprias têm problemas
Eu prometi para mim mesma - e essas são as primeiras promessas que eu costumo quebrar. Será que alguém de psico me explica? - que manteria uma rotina "de blogueira": postaria com frequência e responderia aos comentários. Mas eu fiz isso? Não, eu não fiz.

Como lidar? São quantos comentários? Uns 5, no máximo e chutando alto. Mas parece que eu tenho um problema sério com o tempo. Ele passa e eu penso: sério que postei isso há mais de x dias??? Não creio. Enfim, tenho respondido aos comentários mentalmente porque é assim que eu sou. Eu respondo pra mim mesma e esqueço que alguém espera resposta. Nessas horas vocês devem se perguntar: por que Jornalismo, criatura??? (Não vou responder isso hoje porque esse post só vai existir se for estilo fluxo do pensamento, já saquei isso).

Eu vim postar esse texto estranho porque quero espantar as moscas, então quando comecei a escrever o post me dei conta de que estou julgando e-x-t-r-e-m-a-m-e-n-t-e as fotos alheias que encontro pelas redes sociais. Depois das aulas de fotografia que tive, me pego pensando: nossa, como essa foto tá borrada, mal enquadrada, escura etc. Parece uma neura, parece que desenvolvi uma espécie de TOC. E olha quem julga: a garota que não sabe focar. pausa para rir alto.

Gente, sou a pior pessoa pra julgar qualidade de foto alheia. Meu foco é estrábico, eu sou muito míope, sério. E por que isso? Pra que isso?

Não sei. Eu não me entendo, confesso. Eu olho fotos borradas e começo a divagar: nossa, será que ele não quis congelar o movimento?, será que tava escuro?, ou foi do celular e borrou? Aff, tô neurótica.

Alguém por favor, me lembre que existe coisa mais relevante que julgar foto alheia. Por que eu não olho as fotos e penso: "Nossa, essa pessoa curtiu o momento e nem se preocupou com pose. Isso é viver"??

Mas quando eu enveredo por esse caminho, parece que eu puxo a cordinha dos pensamentos todos. Será que eu vou terminar o livro do clube até domingo? É melhor eu chegar atrasada no encontro e ir lá na tal feira antes? O que eu levo de lanche, Meu Deus? Por que pensou tantas perguntas e não deixo espaço pra algumas respostas? Por que penso tantos "por quês"???

Talvez essas sejam as dúvidas existenciais que couberam a mim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Das dificuldades que tenho em entender sensações


Um defeito na personalidade: sou demasiadamente realista. Mas - porque aqui me cabe uma explicação que me salve - não fui sempre assim.

Me deixem! Só quero escrever sobre nada. Apenas senti as coisas de um jeito que sempre permeia minhas escritas aqui: um jeito analítico que me arrepia o corpo como numa espécie de deslumbramento. O óbvio passou diante dos meus olhos e eu o percebi. Os sentidos ficaram tão aguçados e eu simplesmente perdi a prática de esvaziar sensações em um post.

O óbvio passou por mim e me deslumbrou. Apesar de realista, cultivo o hábito de andar pelas ruas com devaneios na cabeça e chão sob os pés. 

O que há de errado? Novidade alguma há em constatar que as versões de mim mesma não se complementam, que são folhas avulsas voando de acordo com a direção do vento.

O horóscopo chinês diz que a água permeia minha personalidade e eu acreditei - não antes, claro, de juntar n fatores que o comprovassem. 

Em qual esquina eu me perdi de mim? Procurei andar as linhas retas das avenidas e ruas que se ligam perpendicular e paralelamente, mas a arquitetura da minha vida tomou outras direções que não mais consigo racionalizar.

Mas há a água, não posso esquecer. 

Heráclito! Nos meus estudos, sempre preferi Parmênides, mas a vida, essa debochada, me provou a verdade do rio. 

Dialeticamente, gostaria de ver a antítese do que eu fui antes e confiar numa síntese que, de certa forma, reunisse resquícios de quem sou e de quem fui. Pena minha vida ser lógica apenas naquilo que consigo controlar enquanto não me perco imaginando ruas pelas quais gostaria de ter vagado.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Drummondiando a flor


Sou daquelas pessoas desligadas. Para quem me conhece, essa minha declaração logo resulta na seguinte pergunta: por que, então, jornalismo? Mas não vamos enveredar por esse caminho neste post; atenha-se ao fato de eu ser deligada, ok?

Coisas passam totalmente despercebidas para mim e, em consequência disso, eu levanto questionamentos desnecessários muitas vezes. Como, por exemplo, a vez em que eu andei mais de 1000 números numa avenida para chegar na faculdade e, só então, um ser iluminado me esclarecer que havia acabado a luz. O diálogo foi mais ou menos assim: 

—  Acabou a luz na região, você percebeu? —  não havia ironia na pergunta, garanto.
—  Sério? — minha resposta/pergunta usual para demonstrar espanto
—  Cê não viu os semáforos sem funcionar? 
—  Aaaahh! Por isso estava aquela bagunça toda no trânsito. —  respondo com entonação de quem constatou algo.

Esse é só um exemplinho bobo, mas, confesso, revela muito sobre minha personalidade. A questão é que eu caminho olhando tão para dentro de mim, dos meus pensamentos, que me desligo do mundo. E, sim, isso já me rendeu assaltos (do verbo roubar, no sentido de eu ser a pessoa roubada na história).

Logo, devido a minha leseira, vocês devem concluir o tempo que levou para eu me dar conta de que uma flor crescia no meu quintal asfaltado/cimentado. E, lógico, o quanto eu fiquei intrigada por constatar esse cenário drummondiano praticamente debaixo do meu varal.

O mais bizarro é que toda essa conotação de esperança que envolve a flor faz total sentido no estágio atual da minha. Por que, então, não dar à flor a importância que ela merece? Gente, uma flor nasceu no meu quintal! E não foi em um lugar reservado para flores crescerem, não. Foi tipo uma intrusão que palavra horrível mesmo. 

Não sei se uma flor nasceu no seu também e você, simplesmente, deu de ombros. Acontece que não sei priorizar e isso é notícia no meu mundo. Acontece também que acho minha flor lindíssima. Meio desengonçada, mas linda. 

Não sei quanto tempo ela vai durar ali, mas gostaria que fosse eterna, pequena e destemida. Gostaria que fosse eternamente essa flor, sem jamais mudar. E meu dei conta das pretensões que tenho para essa flor enquanto a observava esta semana. Drummond dedicou um poema a sua flor. Eu dedico esse post a minha.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Transitando direta e indiretamente

Viver é coisa estranha, mas de uma estranheza boa. Cada ser humano deve ter, penso eu, sua maneira de se entender 'vivendo'. Na maioria das vezes, quando não consigo listar minhas obrigações, literalmente, é como se eu não funcionasse. E, pela mania de utilidade que me foi tatuada na alma pela sociedade da praticidade, não funcionar, no sentido de não ter função prática, é não viver.

Minha máxima descartiana seria 'Listo, logo vivo' e, seguindo a lógica inversa, não listar, para mim, é não viver.

Ora, quando isso está no inconsciente, maquiado pelos pensamentos mais estranhos, não é de praxe eu me incomodar. Mas, eis que a lógica da minha definição de vida resolveu transitar para o lado consciente do cérebro. E essa transição se fez sentir — não pelos passos no assoalho, mas pelos pensamentos  desencadeados. Parece que a minha definição de vida trouxe consigo pensamentos-chave que me ajudam a decifrá-la melhor. Disso concluo que, assim como eu, minha definição tem mania de esquecer de trancar portas.

As perguntas desencadeadas são: eu estou vivendo? eu vivo certo? há jeito certo de viver?

Não sei. Mas será que meu jeito de viver é puramente uma lista? Investigando, meio que lembrei do meu lado matemático. Acho que eu vivo, na verdade, fazendo balanços da minha própria vida. Não seria melhor deixar os balanços para quando realmente forem necessários? Para quando, por exemplo, o filminho de uma vida inteira resolver passar diante dos meus olhos? 

Enquanto isso, vou existindo e vivendo do jeito matemático que sei. E, para isso, me ajudam as listas:

- atualizar meu cantinho
- visitar blogroll
- definir poses para ensaio fotográfico hobby
- ver pautas da aula de Núcleo
- leitura - livro prova
- leitura - livro clube

E esse post só existe porque eu queria fazer uma mesclagem de observações sobre os filmes "Medianeiras" e "Her". Definitivamente, isso vai ter que esperar um outro post.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Explicando 'Sinestesia'


Tem coisas na vida que a gente precisa saber. Na minha, por exemplo, tem duas coisas que me encasquetaram durante muito tempo. A primeira era achar esse desenho - procurei por anos, mas isso é assunto para outro post. Vamos tratar da segunda coisa.

Quando eu decidi colocar o banner da sinestesia, minha motivação foi puramente estética. Deixa eu explicar melhor: eu queria fazer um gif ~porque adoro coisas que mudam~, daí pensei "mas gif do quê, Andressa?' e o resultado foi a união do útil ao agradável. Assim, surgiu o Banner da Sinestesia.

Sinestesia, para quem não sabe como eu até os 17 é algo que eu vou tentar definir agora com as minhas palavras de estudante de jornalismo que tenta explicar funções cerebrais e cognitivas (oi?) sem entender sacoisalinda direito. Bora lá.

Construindo o conceito ao longo da escrita, tipo fluxo do pensamento


Então, começando decentemente, sinestesia é a capacidade que nosso cérebro tem de interligar sentidos. Basicamente, (que de básico, na minha opinião, não tem nada, porque #AchoChique #AchoEngenhoso #QueriaTer) o cérebro faz 'pontezinhas' (acho que são os neurônios) entre, por exemplo, audição e paladar. Logo, a pessoa tem a capacidade de sentir sabor dos sons, digamos.

Mas a sinestesia não se limita apenas a sentir sabor de sons. Você pode também ver palavras quando elas são vocalizadas. Exemplo: alguém diz terça-feira. Uma pessoa com esse tipo de sinestesia consegue ver cores ou ver a palavra se formando à sua frente. Já li bastante sobre pessoas que dizem 'ah, sábado é amarelo' ou 'fevereiro é vermelho'. 

Já li também sobre ouvido absoluto, mas não sei se é sinestesia. Acho que é. Segundo minha definição, é sim. Mas só acho.

Pelo que li também, a sinestesia é uma capacidade que todos os seres humanos têm quando nascem, mas que grande parte perde conforme o cérebro se desenvolve ou algo assim.

Enquanto isso, um grupo seleto de pessoas - não sei o quão seleto, mas acho que é bastante porque até hoje não conheci NINGUÉM - não perde essa capacidade e a leva ao longo da vida. Mas, não. Não é mito.

Tô lendo aqui e acho que não deu pra 'pegar' a ideia. Vamos pesquisar, Andressa. Vamos pesquisar para continuar esse post.

Construindo o conceito a partir de pesquisas e referências


Vale lembrar que você já deve ter ouvido falar de sinestesia ao estudar literatura. Mas essa sinestesia da qual se trata o post não é a mesma da literatura - que se refere a uma figura de linguagem. Também não se refere a como você aprende (se você é mais visual, auditivo ou sinesteta), não é isso também.

É como se a pessoa sinestésica tivesse um outro sentido, uma forma diferente de sentir que vai além da visão, audição, tato, olfato e paladar. É como se esses sentidos fizessem conexões entre si  e essas conexões ajudassem a gerar uma nova forma de experimentar o mundo.

Há sinestesias mais raras que outras, como é o caso de saborear notas musicais e sons. Pode parecer confuso (como o título desse post), mas acredite: você pega o jeito depois que se acostumar com as variações

[Recomendo a leitura desse post se houver interesse em sinestesia e ouvido absoluto.]

A motivação desse interesse e Experiências


Minha relação com sinestésicos é como aquela que nutro pelos mutantes do X-Men: queria ser um.

É uma forma peculiar de enxergar e sentir o mundo. A experiência com o que está à sua volta parece que é personalizada, entende?

Pode parecer loucura, mas consigo lembrar de algumas experiências que tive com a sinestesia.

Quando eu sinto cheiro de água fervendo (com sal e óleo para fazer macarrão) lembro de estar sentada na cozinha, vendo minha mãe ali. É automático. E, pelas perguntas que já fiz, a 'cozinha que eu lembro' era da época que eu tinha 3-4 anos.

Uma vez fiquei doente e estava meio febril. Eu estava no quarto da casa da minha madrinha e, próximo à parede, tinha uma madeirite (dessa rosinha) que ia do chão ao teto. Lembro que tinha uma cortina na frente da madeirite. Toda vez que eu olhava,sentia a madeira raspar na minha garganta. Era uma sensação que me deixava agoniada e que eu não sabia como, mas estava associada à madeira. Eu tinha uns 5-6 anos na época.

Esses dias, no trabalho, estava digitando em uma planilha excel quando, de repente, cada toque do dedo no teclado me dava uma sensação estranhíssima. A sensação era de um novo sentido, totalmente inexplorado. Eu parei de digitar, passei o polegar pelos outros dedos (tipo assim: eu pego o polegar e encosto no mindinho e arrasto pro anelar, dedo médio e depois indicador - e repito algumas vezes) para 'sentir' e nada. A coisa era com o teclado. Mas aí, meu chefe chegou e pediu pra eu inserir um dado na planilha e lá fomos nós. Quando voltei a digitar, a mesma sensação. Eu digitava e fechava os olhos para me concentrar na sensação que me dava agonia. Lembrei da parede e, de repente, a sensação foi passando. 
***

Não sei se você já teve alguma sensação similar à sinestesia ou se conhece alguém que tenha a própria. Por isso, peço de coração: se conhecer, por favor, eu imploro, me avisa, ok? Então tá combinado.

domingo, 26 de julho de 2015

Antigamente ou 10 anos atrás

"Oh! que saudades que tenho
Das redes sociais da minha vida,
Da minha adolescência querida
Que os anos não trazem mais!
Que orkut, que msn, que chats,
Criando depoimentos
Vendo quem entrou no meu perfil a cada momento,
Teclando até minha mãe não deixar mais!"

Parafraseando 'Meus oito anos', de Casimiro de Abreu

Ah, o orkut! Como era bom saber quem espiava seu perfil. Ainda lembro da sensação de retribuir visitas dazinimiga: tão boa. Fazia um bem comentar naquela comunidade preferida e depois encontrar os cometários posteriores feitos no mesmo tópico. Tudo tão organizado, tão lógico.

E o MSN, então? Criar grupos, conversar em chat, velhos tempos. Deixar aquele status, ir marcando as músicas que se ouvia. Chamar a atenção do seu amigo quando ele enrolava para responder.  Tudo tão perto do real.

Mas é 2015. Falar de orkut e MSN não é cool. Agora imperam Facebook, Twitter, WhatsApp. Cool é ser ativista de internet, antenado com os problemas políticos do país e ter uma resposta afiada para 'polemizar', ativando assim uma enxurrada de comentários dozamigo para te apoiarem quando alguém que pensa diferente vier opinar.

Cool também é bombar hashtags, saber se leram ou não a mensagem que você deixou, ostentar felicidade daquelas que nunca acabam. Cool é mostrar que sua vida é interessante 24 horas por dia, 7 dias por semana e ter muitos, muitos amigos - de preferência mais de 5 mil.

O mundo tá doido, minha conclusão. Será que alguém já fez um estudo de como essas 'aparências sociais' afetaram o ser humano no sentido psicossocial? Porque, olha, estamos precisando, viu. Então fica aí a minha sugestão.

COM SENTIDO

Agora, me acompanhe e veja como as lógicas do Orkut e MSN fazem sentido.

- alguém te liga, o número ficar registrado e você liga de volta, certo? Afinal, o que a pessoa desse número quer comigo, né?

- cê fala com a pessoa que é amiga sua QUE INICIOU UMA CONVERSA COM VOCÊ e ela não presta atenção. A reação mais lógica, praqueles que já têm certa intimidade, é meio que 'presta atenção, meu'. Se a intimidade for mais aprofundada, digamos, rola até contato físico questionador. Não sei se fui clara. 

Enfim, tudo muito lógico, pelo menos pra mim.

SEM SENTIDO

Agora, vamos à falta de lógica das redes sociais da vez:

- cê sai gritando/declarando na rua o quanto sua vida é interessante? Não me refiro aos seus amigos, porque, como eu escrevi, cada um com as suas intimidades, mas sai declarando pra geral?

- sabe aquela pessoa que, por algum motivo, frequentou o mesmo lugar que você, no mesmo horário por um certo tempo? Então, quando você encontra ela de novo, você abraça, conta detalhes da sua vida e opiniões? E praquele desconhecido que também curte sua banda de rock preferida?

- as pessoas que pensam igual sobre determinado tema tem que se identificar sempre, de modo que isso gere uma corrente entre elas?

- cê faz questão de toda vez saber se a pessoa ouviu o que você falou só para nutrir aquela sensação de 'eu sei que você sabe, você sabe que eu sei e mesmo assim fica com essa papagaiada', faz?

***

Ah, e se seu pensamento, em algum momento, foi 'Nossa! Orkut? Que coisa mais antiga/velha/arcaica!', então saiba que não conceituamos as palavras 'antiga/velha/arcaica' da mesma forma. Mas não se preocupe, isso é normal e mais comum do que você imagina. Acreditaria se eu dissesse que tem gente que discorda sobre a definição de 'amigos'? Pois é.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Férias being férias

As férias chegaram - há quase duas semanas - e eu podia jurar que teria mais tempo. Mas a verdade é que você cresce, assume responsabilidades e, a não ser que concilie férias da faculdade com as do trabalho, boa parte do seu 'tempo extra', esse milagrezinho da multiplicação que acontece entre junho e julho, será consumido no trânsito.

Eu dei sorte de trabalhar a menos de quinze minutos de distância da faculdade - fazendo o trajeto a pé. Isso me dá certas mordomias porque consigo fazer várias coisas decentemente, como ler, ir para a biblioteca estudar, comer, relaxar e até mesmo andar calmamente. No entanto, o que eu encarei como sorte durante o primeiro semestre do ano se revelou um verdadeiro sarcasmo. A vida resolveu tirar um sarro básico da minha cara.

Isso porque eu nunca tinha parado para pensar que essa rotina semanal - a qual eu julgava desgastante - me poupava do trânsito infernal do horário de pico. E, embora eu tenha um amigo que diga que não tem mais essa de horário de pico, que horário de pico é toda hora - e eu até concorde com ele às vezes - eu vejo que o mundo, pelo menos no trajeto que vai do trabalho até minha casa, é travado. E é travado sempre nesse mesmo horário.

Essa constatação da realidade acaba por me fazer desejar voltar à rotina corrida das aulas - tudo isso enquanto estou dentro do ônibus, parada e olhando pra aquele cantinho que a gente costuma olhar quando está pensando-quase-refletindo. Mas, para me acalmar, eu tento pensar que tudo vai melhorar quando eu chegar em casa, quase duas horas depois de ter saído do trabalho. Mas aí a noção do tempo perdido faz minha mente se perder em cálculos, embora eu seja de humanas. E esses cálculos dividem meu tempo gasto no trânsito em frações de tempo de 15 minutos onde eu tento chegar a um número exato de minutos que eu jamais vou recuperar, minutos que eu poderia ter aproveitado indo para a biblioteca estudar, comendo, relaxando e até mesmo andando calmamente.

Mas aí, como um lampejo de luz eu lembro que posso ler. Saco meu livro da bolsa e, depois de perder minutos fazendo malabarismo no ônibus lotado, lembro da pior maneira que horário de pico é igual a muita gente querendo chegar em casa, sendo que grande parte delas quer chegar em casa de ônibus. E então, quando eu constato que não me resta espaço suficiente para virar uma página do livro com decência, eu me rendo e torço para que as férias acabem logo. Infelizmente esse minuto de desesperança não coincide com a chegada no ponto em que eu desço. Fazer o quê, né?

terça-feira, 8 de julho de 2014

É chegado o tempo...


O jeito é seguir, mesmo sem vontade de andar. É dormir, mesmo sem sono. É acordar, mesmo sem coragem pra enfrentar o mundo todo dia. É repensar o futuro e criar novos planos. É se entregar a projetos que consumam horas para que não se tenha que sentir o pesar que é o passar de cada minuto.

O jeito é aceitar, mesmo com vontade de gritar, discordando de tudo. É ir vivendo porque, afinal, se aqui estamos é por algum propósito. É encontrar um confidente, mesmo que não seja humano, pra te ajudar a levar a carga pesada que foi arremessada nos seus ombros.

Há tantos jeitos, mas eles se contrapõem àquilo que tanto queremos. Queremos o inverso do que há na pauta do dia, mas é isso que temos para agora: dar nossos jeitos, encontrar nossas próprias formas de lidar.

É também hora de ser sábio e tirar do que foi vivido as lições pro amanhã. É hora de ser adulto e saber reconhecer que o que se passou teve sim seus pontos bons, seus pontos ótimos e saber valorizar quem escolhe voar pra longe. É hora de ser criança e perdoar mesmo que não nos peçam perdão, mesmo que nunca reconheçam a falha, porque a criança tem a capacidade de olhar mais fundo que a superfície fria que é apresentada. Elas olham o coração e a alma. É hora de, assim como elas, saber direcionar o olhar. 

E ser feliz. Viver feliz. Não digo viver sorrindo, muito menos não chorar. Chorar é ótimo, alivia o peito de uma maneira quase mágica. Mas feliz no sentido de se resolver consigo mesmo antes de tudo. Feliz no sentido de aceitar a humanidade dos outros e a sua própria e, com essa aceitação, abrir mão das exigências que criam expectativas absurdas e inalcançáveis.

Viver não é uma palavra fácil de se definir, mas, como um bom verbo, pressupõe uma ação e essa ação  pressuposta em si mesma já ultrapassa qualquer definição.

domingo, 13 de maio de 2012

Das coisas que não podem esperar...


Depois que eu comecei com isso eu não posso mais parar, simplesmente não consigo. Uma vez alguém me disse que seu desejo era passear e saber ou imaginar - não lembro bem a palavra, mas lembro a essência  e é essa que invoco agora - as histórias escondidas naquelas casinhas que ficam na beira da estrada, como vivem essas pessoas, o que sentem. Eu agora sinto essa ânsia de saber e conhecer mais das pessoas mas, antes de chegar nas casinhas na beira da estrada, encontro histórias urgentes pelo caminho. E com essas histórias eu firmei um compromisso que não quebrarei, pois antes de firmar com elas o fiz comigo mesma. Não é mais uma exigência, capricho ou tarefa, nem apenas questão de vida ou morte; é bem mais que isso. Preciso honrar esse compromisso pra organizar os pensamentos e as sensações, preciso fazê-lo para manter a sanidade.

As pessoas e os seus mundos próprios. Por Deus, não quero dar uma de Clarice escrevendo sobre Macabéa  e enrolar, fugir do foco. Mas tudo isso é necessário, não é exagero; é essencial para fazer sentido e não ficar vago. E isso é, ao mesmo tempo, também a própria história, embora eu desconheça como ela se revela nas entrelinhas. Ela apela para outras histórias presas na minha memória, histórias que eu amarrei aqui na mente e que não deixarei irem pra longe.

Ao lembá-la parece até que recordo daquela música preferida, sabe? Vem toda aquela sensação de alegria por ouvi-la tocando, vêm também sentimentos mistos que a letra invoca junto com a nostalgia da melodia. Somente agora pude perceber: o que eu não quero esquecer é melodia de uma nota só; nota tocada baixa, esquecida, que não entrou pra escala.

Sinceramente, leitor, eu penso que até agora você deve estar esperando lógica e sentido, mas hoje a coerência não foi convidada. O que eu tenho que escrever, de alguma maneira, já está aqui e embora você possa desconhecer eu não me importo. Minha prioridade hoje é outra. E essas palavras já me lembram do que eu quero recordar. E sei que quando precisar voltar aqui, por escolha ou necessidade, essas palavras serão suficientes. Elas me lembrarão de alguém  que só cheguei a conhecer  a melodia da voz, mas que me fez rever e mudar meus conceitos. Realmente, não há padrões que suportem as particularidades... as generalizações erram por isso.

O sistema não prevê variabilidade, muito menos que cada caso é específico e único no seu contexto e significação. Enquanto tentam me fazer jogar com números, tenho plena consciência das minhas ações e que posso interferir, intencionalmente ou não, na vida de muitas pessoas. Interdependência. Não, eu já fiz a minha escolha e um homem que trazia paixão, em vão ou por ironia, em seu nome me ajudou. E embora ele nunca chegue a saber que se dependesse exclusivamente de mim não teria sido daquele jeito, eu sei disso. E sinto muito, muito mesmo por isso não bastar.

Mesmo errante, até aqui sei que estive no lugar certo quando precisei estar. E isso basta ao meu coração e à minha mente.