poderia ser um post no LinkedIn, mas quero me poupar
eu sempre brinco que roubei as vagas do pessoal de RP e Marketing porque, quando paro pra pensar sobre a minha trajetória profissional, é basicamente isso (claro, se eu for mandar a real sem embelezar tudo o que fiz com palavras bonitas e termos interessantes pro pessoal de RH ver).
no fim das contas é isso: enveredei pra social media, marketing, endomarketing, assessoria e por aí vai.
agora, estou enveredando pra gestão de projetos de comunicação e me pergunto: caramba, onde está a minha escrita? daí me lembro que está lá nos briefings que eu escrevo, nas legendas de posts e artigos pro site da firma.
gente, cadê eu jornalista? kkkkkkk
às vezes me pergunto se sou só eu que me sinto assim ou se é desse jeito com todo mundo que fez jornalismo e não é "jornalista na prática".
acho que fiquei assim depois que me deparei com "empresária" escrito em um contrato, bem onde era pra estar a famigerada profissão. bagaça de MEI me dando crise existencial uma hora dessas.
Acabei de cogitar que talvez esse BEDA seja uma ótima oportunidade de colocar pra fora todas as coisas loucas que eu venho pensando ultimamente. Poderia fazer isso no anonimato de uma terapia? Poderia, mas eu não organizei os temas desse mês, então vou de exposição desnecessária na blogosfera.
Então bora lá desabafar sobre os rumos que a vida tem tomado porque, afinal de contas, desabafo é o meu forte.
Primeiramente, preciso ressaltar que eu não faço ideia do que tô fazendo da minha vida.
Tipo, eu tô fazendo uma pós e uma especialização. Ok, legal. Tô estudando italiano, o que sempre foi uma vontade minha. Daorinha. Também estou trabalhando em um emprego CLT estável - na medida do possível em tempos pandêmicos - e estou me organizando para tocar meus projetinhos.
Mas tem tanta coisa ainda que eu quero fazer, tipo:
- tocar o trabalho voluntário no Museu da Pessoa;
- participar ativamente do LabPoetisas;
- participar das reuniões do Coletivo Tecelãs;
- fazer aulas sobre análise dos contos de Clarice Lispector;
- ler mais de Clarice Lispector;
- estudar melhor Google Analytics e Google Ads no curso da Digital House;
- fazer o curso de engajamento que tá lá parado no bailão;
- me dedicar aos meus igs pessoais;
- me inscrever em concursos literários - e ganhar;
- fazer a leitura coletiva de Mulheres que correm com os lobos;
- participar do desafio literário da Rory Gilmore;
- ahhhh, alista é infinita, vou parar por aqui.
E, além disso, também quero guardar mais dinheiro e estudar sobre investimentos para começar a ganhar mais nessa bagaça. Alô, influencers financeiros, eu quero meu dinheiro trabalhando pra mim.
Enfim, quero muita coisa, eu sei. Já tentei organizar isso dentro da rotina, mas simplesmente não me sobra tempo pra cantar, ver BBB, tocar teclado ou jogar conversa fora comigo mesma.
Também não me sobra tempo pra criar coragem pra me exercitar, quem dirá me exercitar.
E o pior: se eu fizer essas coisas todas, quando que eu vou ter tempo de me sentir mal e me julgar pelas escolhas que fiz no passado???? Hein??
Que dilema, meu Deus.
Não é o propósito desse post, eu sei, mas gostaria de dizer que minha casa ficou infestada de pulga e tive que chamar a dedetização. É isso - o bom é que o sofá ainda não chegou.
***
Este foi o post de hoje do BEDA e tá tão bagunçado como a minha vida, as vozes da minha cabeça e o planejamento de conteúdo para este blog. Obrigada.
Abril começou e assim, no susto, eu lembrei do BEDA. Quer dizer, eu tinha lembrado antes, mas foi um lembrar bem daquele jeito quando a gente recorda do compromisso com muita antecedência e só finge que ele não existe, sabe?
Pois bem, abril chegou e eu não planejei nadica de nada sobre o que escrever nesse mês, já que lá atrás eu resolvi deixar esse B.O. pra Andressa do futuro que, coitada, vai ter que lutar.
E é por isso que a razão de ser desse post nada mais é do uma tentativa de não deixar a data passar batida por conta desse meu descuido. Então, resolvi fazer um post com aquilo que eu mais faço - Twitter que o diga - que é: desabafar e colocar pra fora as mágoas - que, adianto logo, foram muitas.
Desabafo sobre meus clientes - porém não só sobre eles, pois sou fã de indiretas
Te liguei, deve tá ocupadinho...
Tudo bem, tô com outro contratinho
Esse mês eu cansei de ser a palhaça do freela, que fica se humilhando pra cliente. E o que eu fiz? Fui lá e arranjei mais três kkkkkkkkrying. Como dizia minha amiga - que ainda não sabe que é minha amiga, mas já considero pacas - Juliette Freire: "é paaaaaaaau!"
Claro que agora eu simplesmente não tenho vida, afinal tô conciliando - apesar desse meu equilíbrio dar aquela balançada marota às vezes. O importante é dinheiro na conta, né? Pois é, capricornianos entenderão.
Desabafo sobre pessoas que fizeram hora extra na minha vida
Eu não tô aqui pra sofrer
Vou sentir saudade PRA QUÊ?
QUERO SER FELIIIIIZ!!!
Bye bye, tristeza, NÃO PRECISA VOLTAR!!!
Sabe quando você tá nostálgica, lembrando das coisas que viveu no passado? Pois é, eu tava bem nessa vibe quando o WhatsApp resolveu me sacanear. Fui ouvir um áudio X e minha orelha grande resolveu que seria interessante fazer uma chamada de vídeo pra essa pessoa. Ora, ora, que legal.
Mas poderia ser pior? Poderia sim. A pessoa em questão poderia RETORNAR A LIGAÇÃO EM VÍDEO ACHANDO QUE EU IRIA ATENDER!?!!?? Mas, assim, esse só um exemplinho bobo de como a situação poderia ser pior e não algo que realmente aconteceu. Não, imagina! Nunca que isso aconteceria comigo, a pessoa mais sortuda do mundo... Jamais. Enfim.
Desabafo sobre o jornalismo de merda e o coronavírus
No one can find the rewind button, girl
So cradle your head in your hands
And breathe, just breathe
Uma das coisas que mais me deixou mal foi uma junção de acontecimentos relacionados ao coronavírus. Nesse tempo, uma pessoa da família precisou ser internada e foi realmente um baque muito grande pra mim.
Minha ficha já tinha caído - afinal, só de acompanhar o noticiário e as redes sociais, é impossível não entender a gravidade da coisa. Mas essa foi a primeira vez que eu realmente senti pânico e impotência.
Me senti tão inútil porque, no fim das contas, parece que a gente não é nada perto desse vírus. Parece que cada item desinfectado do mercado, cada dia de home office e cada dia sem sair de casa não significaram nada. E o pior: a situação foge do controle e tudo o que a gente desesperadamente quer é um botão de voltar.
No meio de tudo isso, uma jornalista foi em um grupo que participo pedir ajuda para encontrar personagens. Até aí ok, tenho minhas críticas a esse método, mas já senti na prática o quão útil ele é. Só que ela foi pedir algo absurdo: uma pessoa que tivesse morrido de causas naturais, mas que o atestado de óbito indicasse morte por coronavírus. E o pior: a fulana era chefe de reportagem de uma das maiores emissoras televisivas do país.
Nessa hora dá uma tristeza, uma indignação enorme. Óbvio que o grupo tem várias pessoas sensatas que descascaram a fulana. Mas só de imaginar esse tipo de matéria sendo feito por aí em um dos piores momentos da pandemia é revoltante demais.
***
Enfim, esse é o primeiro dia do meu BEDA e eu realmente tinha desabafar. Ainda bem que só deixei esse post rolar porque, caramba, eu precisa muito disso.
Reprodução: Frame de "Thank U, Next" - Ariana Grande
É incrível como eu tenho 0 jeitos de colocar o famigerado ponto final nas coisas que precisam ser encerradas na minha vida. Eu até faço isso, mas por puro acaso que eu acho que é fruto do alinhamento planetário que colabora para que as coisas se concluam por si só. Porque quando sou euzinha quem precisa fazer o "thank u, next", é de praxe começar uma odisseia que sempre (seeeeempre) dá ruim.
E isso acontece (suponho eu) por conta da minha indecisão. Eu sempre fico num eterno "serasse" até que a vida me mostra que, mais uma vez, eu perdi o time.
Daí, agora que estou na vibe "o que eu preciso aprender com tudo isso que estou vivendo?", eu fico muito focada em achar padrões de comportamentos só para falar "a-haaaaaaaa, é isso". E o clichê é que tenho notado esses padrões na área mais badalada da vida de toda capricorniana: o trabalho.
Novamente Andressa está com dois empregos e dispostíssima a viver sua melhor versão de Julius. Só que, analisando meu histórico proletário, as coisas sempre caminham para essa conjuntura onde eu tenho que decidir se me equilibro entre duas firmas ou se faço a fina no adeus para manter as portas abertas. O ponto é que nem sempre eu quero manter as portas abertas. Tem portas que eu gostaria de trancar e tacar a chave fora, simples assim. Mas eu fico sendo política, disponível e me desdobro pra parecer grata pela oportunidade.
A questão é que agora eu sinto que vai dar bom apesar de meu sensor de alerta gritar "eeeeeeeei, olha o padrão. Sai vazada". Eu sinto que finalmente vai rolar de forma tranquila, mas fico com medo porque tenho um TCC pra entregar nesse semestre, além de vários projetinhos pessoais que estou arredondando na minha cabeça.
Fico com esse questionamento: esse padrão quer me mostrar que eu preciso parar de fazer esses malabarismos com meu tempo ou aprender um jeito de vivenciar isso?
O fato é que dar goodbye quando a situação não é do tipo "okay, Andressa, realmente isso precisa ser encerrado já!!!" é um desafio pra mim.O jeito é ver como as coisas vão acontecer dessa vez e ficar alerta com meu bloquinho de notas para garantir que dessa vez eu vou aprender o que eu preciso
Lembro bem da primeira vez em que me dei conta de que os problemas mais banais da minha rotina podiam ser resolvidos com a ajuda de aplicativos e programas. Eu precisava converter um arquivo de pdf para doc e fiquei pasma - sim, essa é a palavra - quando uma colega disse da forma mais desencanada possível "ah, deve ter algum programa que faz isso". Eu, que já me imaginava digitando aquele texto todo no word, senti que meu mundo se expandia um pouco.
Essa sensação de compreensão súbita é coisa de louco, e foi exatamente o que senti. Anos depois, em uma das aulas da faculdade, eu lembro de sentir algo parecido quando uma professora disse que estava experimentando o Periscope e contando como o Snapchat estava ampliando as formas de comunicação possíveis. Eu fiquei meio "tá bom" já que eu me recusava a experimentar coisas novas e até me orgulhava desse traço da minha personalidade.
Não muito tempo depois eu me toquei do quão grande era o medo que eu sentia de mudar e consegui lidar com isso baixando o Snapchat e começando a usar o Twitter com mais frequência. Foi nessa época que eu decidi dar uma chance ao Evernote para ajudar a organizar minha vida.
Acredito que essas experiências de quase epifania com os aplicativos, programas e redes sociais me fizeram creditar a eles um certo poder que, na verdade, eles não têm. Eu achava que eles resolveriam meus problemas - e em certo ponto, isso é verdade. Mas a partir disso concluir que eu organizaria e controlaria minha vida, sendo mais produtiva, feliz, realizada etc etc, foi bastante precipitado da minha parte justamente porque eu desconsiderei um dos fatores mais importantes para isso tudo dar certo: eu mesma.
Eu preciso ser clara e sincera comigo mesma: por mais que eu tenha me tornado mais aberta ao novo, em termos tecnológicos, não significa que isso tenha me ajudado a lidar com a sensação de eterna bagunça que eu sinto. O problema está no fato dos aplicativos, programas e redes sociais terem contribuído para aumentar essa sensação. Afinal, eu uso tanta coisa ao mesmo tempo que parece que a minha vida está diluída nas redes e isso é horrível.
Antes de me encantar com as redes sociais e enxergar nelas um apoio, eu usava diários e agendas. Não posso negar como é bom e prazeroso fazer um momento remember de 2012, por exemplo, dando uma olhada na agenda e ver que as coisas importantes estão todas ali, juntas, de forma sequencial. Mas, por mais que eu tente fazer isso agora, não funciona mais. Eu me pego "me diluindo" por aí e não entendo mais o que tudo isso significa. Onde estão meus pensamentos? Onde deixei minhas impressões sobre meus dias, acontecimentos importantes? Antes eu teria certeza ao dizer "no blog estão os textos mais pessoais, na agenda os compromissos e a rotina". Mas não é mais assim.
E só me dei conta disso quando estava trocando de celular e pensando em dar o antigo para minha irmã. Na hora lembrei que não poderia dar o celular pra ela naquele dia porque minha vida estava toda no bloco de notas. Então comecei a querer juntar minhas coisas em um único lugar até que, de repente, me dei conta de que sempre faço isso. A diferença é que antes eu separava as folhas, os cartões, post its e reservava um tempo para transcrevê-los e deixá-los em um canto só. Mas agora tudo isso ganhou uma versão tecnológica e, a cada aplicativo que eu descubro, os espaços que eu preciso juntar se tornam mais numerosos.
As vezes sinto que tudo seria mais fácil se eu me decidisse logo por uma coisa só e fosse mais constante. Mas ainda me apego a ideia de que esse é um dos meus traços de personalidade com os quais não consigo lidar
Ontem estava conversando com meus amigos sobre diários. Acabei contando, meio por cima, que "perdi" os que escrevi na adolescência na época em que fui morar na Baixada. Meus pais acabaram jogando fora e esse trauma me rendeu alguns poemas com palavras como "sem passado" incluídas entre os versos. Era assim que eu me sentia. E enquanto eu falava dessa minha relação com os diários físicos, acabei lembrando que esse blog funcionou, de certa forma, como uma espécie de diário para mim por todos esses anos. De certa forma, este blog e eu atravessamos fases juntos - sob diferentes nomes, é claro. Este blog foi o confidente dos meus textos mais mal escritos e poemas rimados sem nexo. Mas independentemente dessa cumplicidade que vivemos durante anos sem eu me dar conta, se eu pudesse reaver aquelas folhas que eu pacientemente redigi por anos com as histórias vividas por mim mesma, eu com certeza faria isso.
Estava tranquila imersa nesses pensamentos de saudades do meu passado, quando cheguei hoje na faculdade. Fui atualizar o Linkedin e acabei vendo uma lista de pessoas na sugestão pra adicionar. Aparentemente, todos os e-mails mais esquisitos que representavam pessoas participantes do meu passado estavam ali. E essa rede social - a mais imprópria para listá-los - estava me oferecendo conexões com "pessoas que talvez você conheça". Que ironia, é claro que eu as conheço. Saberia o Linkedin que eu as conheço muito melhor do que ele poderia imaginar, caso fosse um ser humano com capacidade imaginativa? Não, não saberia. Sobre algumas delas eu escrevi incessantemente nos meus falecidos diários.
Essa nostalgia provocada por essa possibilidade que jamais se concretizará me fez lembrar do famigerado Orkut. Comecei a divagar sobre como seria ter essa rede social de volta e o quanto eu a queria bem mais que qualquer outra, até que percebi que não é o Orkut que eu queria. O que eu queria era o passado de volta. E o passado, diz a lógica, não está no rol de possibilidades futurísticas. O Orkut acabou simbolizando algo, representando uma fase da minha vida. E, como cantava Belchior, "o passado é uma roupa que não nos serve mais". Eu que discordei desse trecho - e dessa música - durante anos, hoje me rendo a essa fatalidade: o passado é algo que fica lá atrás e que nunca mais estará ao nosso alcance.
Por causa dessa certeza da inevitabilidade do tempo em passar, comecei a sentir saudades das coisas que ainda tenho comigo, como os amigos da faculdade com quem estava conversando ontem. E por mais que ainda tenhamos dois longos anos pela frente, fico pensando que eles vão passar na minha vida assim como muitas outras amizades queridas passaram. Eu as queria a todas, mas a vida me mostrou que não se pode vencer o tempo. Isso me deixou tão triste que eu comecei a pensar mais e mais nos meus diários perdidos e em como aqui, nesse espaçozinho virtual, eu consegui criar uma espécie de fenda no tempo.
Não sei quando eu vou me desfazer disso aqui, se é que um dia irei. Sim, há vezes em que eu simplesmente não quero dar as caras aqui. Mas há outras vezes em que eu simplesmente agradeço a seja lá quem for o ser humano desse universo que teve essa ideia de criar essa rede social. Ela preserva minha sanidade e me faz um bem que não sei nem descrever.
Ela é horrível. E tem dias que nasce em mim um grito que vem tão de dentro, que tudo o que eu penso é em como eu vou parecer louca quando eu explodir gritando: AHHHHHH, VOCÊ É HORRÍVEL!!!!
De verdade, ela é horrível. Ela me irrita. Contando todos os problemas e as dores, confiando fácil demais, aceitando conselhos fácil demais, rindo fácil demais. Essa ingenuidade humana nela me irrita, sério.
Ela vem com aquele jeito todo amigável, mas fecha a cara totalmente quando fica brava. E o pior é que ela não fala o que é, o que só aumenta a minha vontade de gritar, de espernear, de xingar e de bater as coisas. Mas eu me controlo.
Ela oferece tudo, tudo ela quer dividir: as comidas, os problemas, as dicas de como prender os cachos. Sério, vou perder a linha com essa garota.
E quando ela se irrita, então? Ela bate as coisas, xinga alto, bate telefone, bate porta, bate pé, taca caneta na mesa. Sério, é o caos. Mas o pior é quando ela digita calmamente depois de ter levado o maior esporro, como se nada tivesse acontecido a ponto de tirar seu eixo da órbita. Nossa, isso me tira toda a paciência! E essa calma externa que você pensa que é dela, não é dela coisa nenhuma. A espertinha reserva esse estereótipo de inabalável pra plateia, pra quando ela tá em público, porque quando ela tá sozinha, ela é outra. Eu juro, nunca vi tanta dissimulação em um só ser humano na minha vida. NUNCA!
Eu já disse que ela é horrível? Fala uma coisa em um minuto, no outro já fala e faz o contrário. Diz que não vai confiar mais, já tá confiando. Diz que tá cansada, que já deu, mas no fim das contas, não tá cansada merda nenhuma. Só tá sendo chata pra caramba.
E o pior é que ela não desgruda de mim. De repente, deu pra querer até me entender, é mole? Tô dizendo, ela é horrível! Não aguento, sério.
Juro que qualquer dia desses vou dizer umas poucas e boas pra ela. Na cara dela. Eu vou. Não acredita? Tô falando que eu vou dizer. Eu vou chegar na frente da merda do espelho e dizer: garota, você é chata pra porra!
E eu lavei a louça bem rápido, pra não ter tempo de pensar no porquê de ser eu a estar ali, enquanto outra pessoa sentava na frente do computador e cantava em francês... .
Não, não sou melhor que ela e também não sou melhor que muita gente que eu adoro criticar. Mesmo assim, critico. Pode-se até dizer que sou pior que ela e toda essa gente. Sou.
E venho aqui esclarecer isso antes que me ponham alva metida em vestes de santa. As palavras não são boas, nem adequadas, mas são essas.
E antes que algum de vocês intervenha nessa minha confissão com um "Não é isso que viemos aqui ler, querida!", usando de um tom aparentemente calmo que me deixe beirando a insanidade, eu declaro que é exatamente sobre isso que eu venho escrever.
Ah, e antes que você ouse pensar que minha declaração inicial vale somente para essa pessoa farsante que vos escreve, eu te descerei de seu pedestal, leitor. E se você ousar perguntar "Ah, mas por que escreves assim, dessa maneira tão grotesca?", eu faço o favor de te responder. Porque eu não quero que você se perca em lapsos e esqueça de tentar encontrar algo que te assemelhe a mim...
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Ainda mais quando esse algo que nos une é tão malvisto, não?
Nada me consola dos textos que não escrevi. Nada! Tenha sido por faltar a ordem certa das palavras ou por não ter tido tempo (folhas à minha disposição não faltaram). O quê, então, me impediu de deixar registrados tantos e tantos pensamentos confusos que me ocorreram? Oh! cruel intervenção temporal! Oh! cruel falta de suporte tecnológico ao qual me vejo submissa. Por que não me livrei de tuas limitações e recorri às humildes e pacientes folhas? Por quê?
Vês como me deixas agora,(e isso te satisfaz!, não?) sem ordem a pôr ao assunto. Nada me acalentará dos tais textos que não escrevi, nada...nada...nada...nada...
É dessa maneira que me encontro, inconsolável, buscando me reconfortar através de outra ordem de palavras. Quem saberá se não há ordens e ordens de palavras para cada momento? Quem saberá se tais ordens só se fazem existir em momentos pré-determinados e que tudo conspira para que essas fugitivas se encontrem algemadas em hora e data marcada para serem, por uma ínfima parcela de existência, submissas a nós, seres mortais. Vejam! As imortais submissas a nós, que devaneio o meu...
Mas, e as ordens de palavras passadas? E aquelas que se deixaram afugentar, esperaram por mim além do que deveriam e agora se foram, não voltam mais? E elas? O resultado dessa desordem é a minha auto-flagelação, uma forma de me reparar ante às deusas que me dominam: duas possibilidades para título da minha dor. "Inconsolável" ou "Das Palavras"?
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Nada adiantará! Quero minha ordem perdida de palavras! Não as rejeitarei mais, mesmo cansada, a minutos de um novo dia, me ponho aqui, cativa a elas para pagar meu pecado de tê-las desprezado conscientemente.
"A minha vida está de pernas pro ar. Tudo está fugindo do meu controle. Ah, doce ilusão minha! Nunca tive controle algum, sempre fui do tipo que faz de tudo para agradar. Na escola, a primeira da classe, em casa, uma filha perfeita... Enfim, esse era meu mudo. Mas insistem em refazer os planos que eu, pacientemente durante anos, arquitetei pra minha vida. Bossais! Como ousam alcançar tão elevado grau de prepotência julgando minhas escolhas como coisas fúteis? Como ousam? Estou cansada de tudo isso! Estou mesmo cansada, no sentido mais literal possível. Agora, tudo o que eu queria era me trancar sozinha e, ao menos uma vez na vida, ter minha privacidade respeitada.
Por que será que é tão complicado assim entender que o outro também tem sentimentos, sonhos, desejos a realizar? Por quê? Será que o que separa um ser humano do outro é um abismo tão profundo assim? É tão difícil perceber que o outro está esgotado, sem forças?
Estou cansada de todos os dias tentar, em vão, impor minha opinião. Impor? Impor, não, o que faço é suplicar para que me ouçam. E por que não me ouvem se estou rouca de tanto gritar? Minhas ações gritam, minhas expressões gritam. Eu não quero fugir do que sou e não quero que me obriguem a fazer isso. Mas tenho plena consciência de que essa minhas táticas para que isso não aconteça têm, frequentemente, falhado. E eu não quero perder a guerra, não agora. Apostei todas as minhas fichas em mim, não posso perder!"