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terça-feira, 3 de novembro de 2020

(Des)embarcar

Reprodução: Filme "O poço" (2019)


Eu teria que mudar tanta coisa em mim para que fosse bom para você, que, no fim das contas, seu não foi um alívio...

sábado, 1 de junho de 2019

Sobre viagens e o tempo que insiste em passar

Acervo pessoal/Andressa Lima

Viajar me dá uma tristeza tão grande. Ver a paisagem passando esmaga meu coração.

Eu me lembro de tanta coisa, de deixar o Guarujá, do que vi, do que vivi e parece que estar em um trem ou ônibus em alta velocidade me faz perceber o quanto tudo passa tão rápido.

Viajar me faz perceber que somos bem pouco perto de tudo o que existe. Que não podemos com o tempo. Que só temos o agora. Que tudo vai passar.

Se tem uma coisa que acho difícil como capricorniana é deixar as coisas acontecerem e irem embora. Eu busco uma estabilidade que, se eu pensar bem, é quase como travar uma luta contra o tempo. Eu quero que as coisas continuem num mundo em que tudo está destinado a passar e a passar bem rápido.

Viajar é um balde de água fria em mim mesma. É um tapa na cara. É um lembrete constante de que o que eu quero é difícil, quase impossível. De que eu posso estar buscando algo que não vou encontrar porque simplesmente esse algo não existe.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Então, tem esse cara...

Reprodução: Google Images

Ninguém prometeu nada, mas a boca dele é tão boa de beijar
E o jeito que ele sorri é tão iluminado
(não existe outra palavra possível para descrever aquele sorriso)
que parece que os olhos dele sorriem junto

Tem esse cara que me manda os melhores memes da internet
(como alguém pode fazer uma seleção tão apurada de memes?)
E que embarca de um jeito louco nas perguntas loucas que eu faço
- que às vezes eu elaboro perguntas bizarras já pensando nas respostas dele

Eu só sei mandar "hahahahahahaahahh" e "rsrsrsrsrsrsrsrsr" e "kkkkkkkkkkkkk"
Pessoalmente, eu até tento explicar que eu rio de verdade nas conversas
Mas ele é tão"ok risos" que eu fico sem graça de confessar que, na verdade, eu gargalho
Ele manda qualquer coisa engraçada e eu gargalho. EU. GARGALHO. ALTO.

Enfim, tem esse cara que surgiu na minha vida por caminhos pós-modernos
E que fala todo dia comigo há alguns meses sobre qualquer coisa mesmo
De fato, ele existe, porque a gente já se encontrou algumas vezes
(mas confesso que cheguei a cogitar que a existência dele se resumia a mistérios da programação)

Então, tem esse cara fora da caixinha - ou dentro da caixinha, mas que faz a caixinha ser legal pacas
Esse cara cuja lembrança é quase um calmante em meio a rotina agitada que eu tenho no trabalho
E que não precisa fazer nada demais, nada mesmo
Pra me inspirar a escrever sobre como ele é um carinha bem legal

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Das dificuldades que tenho em entender sensações


Um defeito na personalidade: sou demasiadamente realista. Mas - porque aqui me cabe uma explicação que me salve - não fui sempre assim.

Me deixem! Só quero escrever sobre nada. Apenas senti as coisas de um jeito que sempre permeia minhas escritas aqui: um jeito analítico que me arrepia o corpo como numa espécie de deslumbramento. O óbvio passou diante dos meus olhos e eu o percebi. Os sentidos ficaram tão aguçados e eu simplesmente perdi a prática de esvaziar sensações em um post.

O óbvio passou por mim e me deslumbrou. Apesar de realista, cultivo o hábito de andar pelas ruas com devaneios na cabeça e chão sob os pés. 

O que há de errado? Novidade alguma há em constatar que as versões de mim mesma não se complementam, que são folhas avulsas voando de acordo com a direção do vento.

O horóscopo chinês diz que a água permeia minha personalidade e eu acreditei - não antes, claro, de juntar n fatores que o comprovassem. 

Em qual esquina eu me perdi de mim? Procurei andar as linhas retas das avenidas e ruas que se ligam perpendicular e paralelamente, mas a arquitetura da minha vida tomou outras direções que não mais consigo racionalizar.

Mas há a água, não posso esquecer. 

Heráclito! Nos meus estudos, sempre preferi Parmênides, mas a vida, essa debochada, me provou a verdade do rio. 

Dialeticamente, gostaria de ver a antítese do que eu fui antes e confiar numa síntese que, de certa forma, reunisse resquícios de quem sou e de quem fui. Pena minha vida ser lógica apenas naquilo que consigo controlar enquanto não me perco imaginando ruas pelas quais gostaria de ter vagado.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Deixar voar...


Das capacidades humanas, uma que considero memorável é a de guardar acontecimentos, detalhes, maneiras e outras coisas para se lembrar em uma parte da mente. Acho essa capacidade memorável porque, imperceptivelmente, ela tem fios e cabos que percorrem o corpo até encontrar o coração, sendo assim capaz de, ao trazer à tona os pertences que guarda, desencadear uma série de emoções em nós.

Saber encarar o que surge após acionarmos essa capacidade é o grande desafio.

Afinal, o que não é passível de se tornar lembrança? As pessoas são como borboletas: ficam guardadas no casulo do nosso coração e são acalentadas até terem asas. Asas são a personificação da liberdade, o bem humano intangível e indescritível. E essa liberdade é refletida na escolha que se faz em voar pra longe ou ficar por perto. É preciso deixá-las voar.

Se uma coisa é verdadeira nesse mundo é que tudo passa, nada fica imóvel. E dessa vida, disso tudo que insiste em fugir ao nosso controle e às nossas mãos, outra certeza é que só teremos, de fato, aquilo que formos capazes de lembrar.

As lembranças em si são boas. Cabe a nós, com o tempo - e isso só o tempo ensina - saber ajustar as válvulas imperceptíveis que levam os cabos das lembranças ao coração e saber sentir sem que o sentimento seja demasiado ou paralisante.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Peligroso...



Conhecer é entrar por uma porta estreita e seguir por um corredor igualmente estreito onde só se pode continuar/completar a passagem se deixar pelo caminho réstias de felicidade que não poderá mais retomar para si.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Wonderful life...



Constatação: há músicas com as quais você não pode treinar tradução porque se perde analisando o eu lírico...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Metalinguagem...


Escrever sobre escrever e sobre como escrever, sobre o quê escrever... Simplesmente escrever sobre isso que tanto me custa, que tanto toma de mim...