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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sobre ser ousada feat corajosa e fazer jus ao meu nome

Parte de mim insiste para que eu comece dizendo que estou numa enrascada, embora muitas pessoas possam discordar de mim e me dizer que não, eu não estou em enrascada nenhuma e que esse é mais um daqueles episódios da vida sobre oportunidades que surgem. Se você é das pessoas que prefere ver as coisas através desse prisma, então vamos lá: a minha oportunidade surgiu.

Tudo começou quando, por um motivo aleatório, precisaram mudar as coisas de uma das jornalistas lá do trabalho para outra mesa. Estagiária que sou, me ofereci pra ajudar. Mas aí é que tá a graça da vida: era pra ajudar a carregar livros. Minha vontade era de dizer: sai, ninguém toca! Deixem que eu levo todos - mas eu me conformei a levar a minha humilde pilha de livros sem causa embaraços que comprometessem minha quase recente trajetória na profissão.

Foi aí, quando permiti que o autocontrole pairasse sobre mim, que algo inusitado aconteceu. Parei perto da nova mesa da jornalista e, de repente, não mais que de repente, qual o livro que estava logo de cara na pilha que já tinha sido levada pra mesa nova? Qual? Qual? 

O próprio. Um gato chamado Borges. Eu posso ouvir um miau?

Aí, você me pergunta:

- Andressa, mais suas pernas tremeram? 
- Sim, elas bambearam, não vou negar - eu te respondo. 

Daí você insiste:

- Ficou parecendo que o universo conspirou para esse momento, para que as coisas fossem mudadas de mesa JUSTAMENTE no seu horário?
- Aham!!!!, concordo eu enfaticamente.

Mas a vida, essa engraçadinha, não deixou as coincidências ficarem por aí, não. E é nessa parte que o título deste post vai começar a fazer sentido. Afinal, se você não sabe, Andressa quer dizer corajosa e eu não vou mentir que risos ocasionais me veem aos lábios enquanto eu relembro cenas em que eu grito de medo por causa de baratas que aparecem do nada. Porém, entretanto, ademais, quando eu vi o livro, eu abri mão da minha atitude de decoro que seria algo como: ENTRA EM CENA/- Aqui estão os livros/ SAI DE CENA. Nã nã não. Eu emendei um: Nossa!Nãoacreditoquevocêtemesselivro!Vocêjáleu?Oqueachou?ViresenhasSUPERBOAS!Queromuitoler! E assim, mais de repente do que o de repente anterior, eu estava com o livro nas mãos para ler e a responsabilidade de resenhá-lo para o jornal. 

Nessas horas , não cabem palavras. Deixemos emojis raiz falarem por mim:

\o/
 ¯\_(ツ)_/¯

Eu nem devia estar aqui esbanjando felicidade por algo que provavelmente não vai ser publicado. Mas só de ler o Gato, já estou feliz demais. Tô nas páginas finais e vou produzir a resenha - baita frio na barriga, apesar de eu já ter feito algumas bem bobinhas aqui no blog. 

E, não vou negar: minha impulsividade, apesar de ter me surpreendido, me deixou feliz de ter a oportunidade de honrar meu nome. Tô sentido que não é hora de decepcionar e trechos de Me adora ecoam na minha mente.


Agora é torcer pra que esse sonho tão sonhado se torne realidade perdoem o clichê. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Balanço das leituras de 2016

Todo começo de ano eu tenho vontade de ler mais. Na verdade, esse gás todo costuma chegar em novembro, quando a faculdade começa a dar aquela folga na rotina e eu tento superar o número de livros lidos no ano anterior. Eu fico com a esperança de ler horrores para compensar as procrastinações ao longo do ano. Nunca dá certo. Mas eu teimo em recomeçar o ano batendo o pé e fazendo tudo de novo. E por que esse ano seria diferente?

Escrevo esse post com a convicção de que esse ano eu vou arrebentar a boca do balão em termos de metas literárias (Deus, por favor, me ajuda nessa jornada). Mas sei que lá pra maio eu vou estar pedindo arrego - ou melhor, lutando para terminar um livro de menos de 200 páginas. A procrastinação é um vício, minha gente.

A vida é cruel e a danada tem seus ciclos. Daí a função desse post: dar aquela revigorada nas forças e aquele puxão de orelha. Quero ler esse post como se ele me dissesse: "Andressa, para de graça, termina o livro, caramba".

Agora, enquanto as expectativas estão altas, é hora de comemorar os feitos literários. E, esse ano, eu li bem mais que em todos os anos anteriores e pretendo seguir no ritmo até quando der. 

Pra variar, vi a retrospectiva de leitura que a Jéssica Carvalho do Extra Literário fez e divulgou lá no grupo do 30:MIN (em Prezi, meu Deus!) e é óbvio que eu quis fazer uma também. Só que uma combinação de inabilidade com Prezi e preguiça me fizeram correr pro Canva e fazer um bannerzinho mesmo. É o que temos para 2016, um ano que muita gente quer apagar da história. Então, esqueça isso de Prezi. Aqui a gente tem intenção, mas não é sempre que dá. Apreciemos:


Ao todo, li 24 livros; mas, depois de analisar melhor a lista de lidos de 2016, tirei informações bem úteis que valem a pena eu ressaltar aqui:


  • Percebi que, embora eu leia bastante livros nacionais - 10 de 24 -, eu ainda estou focando muito nos autores de língua inglesa (foram 6 livros de autores estadunidenses e 3 de ingleses). Fora desse eixo centralizador que perpassou minhas leituras em 2016, estão 1 livro de autor japonês, 1 de autor francês e 3 de autores colombianos. 
  • Em relação ao gênero, li apenas 7 livros escritos por mulheres (mais 2 escritos tanto por homem quanto por mulher); a maioria absoluta foi de autores masculinos. Por conta disso, pretendo aderir ao Leia Mulheres e aumentar meu número de autoras lidas neste ano - quem sabe não rola de eu ir em um dos encontros de São Paulo? São possibilidades).
  • Meu apego ao livro físico não é fase, é coisa minha mesmo. Esse ano, a goleada foi de 22x2.
  • Em termos de páginas lidas, esse ano fiquei por volta das 5 mil.

Eis a lista de lidos (qualquer dúvida, entrar no meu perfil no Skoob - separei bonitinho por ano lá):


Não sou adepta do Good Reads, mas a vida é cheia de surpresas, não é mesmo? Gosto bastante do Skoob, mas quero testar a concorrência. Quem sabe eu faço um test drive esse ano... E quem sabe eu não leio mais esse ano? Afinal, ler tem sido um hábito que me possibilitou inúmeras descobertas e ampliou meus horizontes. Nada mais justo que ampliar a cada ano o espaço para os livros na minha vida . Afinal, os obstáculos estão aí e quem não é viciado em procrastinar os enfrenta muito bem, obrigada.

Fica aí minha conclusão clichê do meu "2016 literário".

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O tempo certo de cada livro...



"Abramos o livro!", gritaram juntas em coro Ansiedade e Curiosidade quando, através dos olhos de X, viram-no. Inventaram mil aspirações, aspirações essas que não tardaram em passar à menina enquanto ela mirava com intensidade capa e contra-capa daquele tesouro que tinha em mãos; fizeram-na devorar, letra por letra, o título instigante. Venceram! X levou o livro.

Ansiedade e Curiosidade, imediatamente, levaram-na a lê-lo avidamente. E fez-se o desapontamento da pobre X... Não! Definitivamente não gostara do que lia, 'Deixemos de lado essas tais folhas banais...', disse, impetuosamente, Ansiedade. 'Mas, o que há em outras páginas não se compara ao que se encontra em suas cinco, seis páginas iniciais. Um simples rabisco põe o pé a porta com medo e insegurança, mas logo esse rabisco se desfará de toda timidez e surpreenderá a todos com o que nos dirá. Continue a ler, X!'

X, convencida, não pela argumentação de Curiosidade, mas por suas belas palavras empregadas tão habilmente, pôs-se a ler aquele livro contra sua própria vontade ou interesse. 'Em dois dias, no máximo, X terminará esse livro e estará livre para outro que lhe acrescente algo.' Ansiedade impôs a X um prazo que a menina não queria, mas prometera seguir.

Os dois dias se passaram, mas X não terminara o livro.

"Como não?", gritaram, perplexas, Curiosidade e Ansiedade, fazendo, assim, com que X, finalmente, ganhasse voz:

— Cada livro retira de nós algo antes de nos acrescentar conhecimento de mundo, coragem, perspectivas... E isso demanda tempo de nossas vidas. Pena não podê-las fazer entender o tempo certo de cada livro.
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Uma frase surgiu pra mim hoje e eu, tentei o melhor que pude, não deixá-la isolada. Organizei todas as outras apenas para servirem de suporte para que, no fim de tudo nos ajudassem a entender que é preciso que aproveitarmos ao máximo o tempo certo de cada livro.