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terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

caos eterno de uma mente que tudo sente

 




o caos em mim

chega de mansinho

e cresce rapidinho

me deixando assim


apreensiva e nervosa

com estômago embrulhado

vendo tudo embaçado

louca pra trancar a porta


e então minha mente corre

mas ao mesmo tempo está parada

congelada e travada

na mesma ideia porre


assim eu perco horas

depois me sinto vazia,

um reino da melancolia

pra fofoca das senhoras


que toda vez se encontram

nas esquinas de mim mesma

dizendo que sou uma lesma

sem pena elas me afrontam


e eu termino destruída

precisando me recompor

diante do pavor

que é viver a própria vida


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

desespero

Reprodução/Google Images


eu deito
tento fechar os olhos
mas tudo em mim acorda
um grito agudo nasce em mim

me faço
ouvido às notas soltas
que ecoam na cabeça
a noite inteira - sem fim

levanto
e um dia novo raia
mas tudo em mim é velho
pesado, amargo, ruim

enxergo
o inverso do sonhado
do almejado, desejado
como seguir vivendo assim?

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Refém

Reprodução: Google Images

Quero silêncio,
quero sopro
e nostalgia.

Quero sossego,
quietude,
calmaria.

Mas vem a vida
e a rotina teima
em me pegar.

Serei barulho,
ventania,
folha no ar.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Vazio

Acervo pessoal/Andressa Lima

Versos esvaziados
Colocados sobre a mesa
Quanto nisso há de tristeza?
Quanto há de confirmado?

Eu vejo a vida em preto e branco
E toda ela é craquelada
Minha lente está quebrada?
Ou meu tripé é que está manco?

Nada quer fazer sentido
Viver é sempre dolorido?
É esse eterno sobressalto?

Nos livros que tenho lido
Alguém me tem mentido
Quem ousa alçar voos mais altos?

domingo, 26 de maio de 2019

Entrelinhas

Reprodução: Pexels

O que eu sinto e o que eu vejo
têm um quê de desfecho
feito às pressas,
na hora errada.

Não é fácil, enlouqueço.
Cresce imenso o desejo
das promessas
encerradas.

Sem hora ou data eu recordo,
porém luto e acordo.
Tudo bem,
não há mal.

Então nasce outro dia
sem sentir-me vazia,
logo volto
ao normal.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Justificando um mau poema


Abril começou
E do BEDA eu quis participar
Não demorou
E logo eu estava a me empolgar

Mas como já era esperado
Calculei mal meu tempo
E apesar do feriado
Eu fiz o post de hoje correndo

Agora estou esperançosa
De que o fuso horário esteja errado
Pra eu continuar dentro do prazo

Porém preciso ser honesta
Vacilei no compromisso
E é bem minha cara isso
.
Mundo, perdão pelo meu poema. Ele só existe porque estou tentando manter uma participação (que nada tem de decente) nesse BEDA. Por ora também não temos banner. Sorry.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Panelas batidas seletivamente


Uma sociedade de memória curta
Que esquece suas mazelas,
Sua injustiça, suas lutas
Noticiário só se depois vier novela

Uma sociedade com memória seletiva
Se o caldo entorna pro seu lado
Busca-se uma alternativa
Se não, pra que ficar transtornado?

É criança pendurada na janela
É fome, é opressão, é morte
É cassetete e corpo estirado no chão

Mas por quem batem nossas panelas?
Quem nelas bate tão forte?
Quem é que as têm nas mãos?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Poema matinal e fragmentado



Orientada por uma amiga, 
Luíza trocou cerveja por café
"É melhor pra você parar de pé"
e decidiu ir levando a vida

A primeira sensação foi amarga
Havia se esquecido de adoçar
"Já faz tempo, como ia lembrar?"
Virou o copo todo e deu descarga

Tentou outra vez na manhã seguinte, 
E não aguentou tomar nem com leite
"Mais que bebiba ruim do cacete"
Só foi terminar lá pelas 11:20

No terceiro dia foi menos pior
Tinha a reunião do testamento
"Vou acabar de vez com esse tormento"
E bebeu tudo num gole só

Mas à noite não se conteve
E pegou a cerveja na geladeira
"Essa vida só pode ser brincadeira"
Tirou a aliança e jogou no tapete

De madrugada, ela não aguentou
E teve que tomar remédio pra dormir
"Por que é tão breve o existir?"
Deitou, dormiu e também não acordou

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Intenção


Não posso comigo quando você está
E, ao mesmo tempo, eu quero e posso
E a menor possibilidade de algo nosso
É tão real que eu a quero prolongar

Mas a realidade é gerada pela imaginação
E somente uma das partes a concebe
E a nina, e a aconchega e a percebe
O suficiente para essa encenação

E no vacilo escasso de um momento
Eu ardo, eu queimo, eu tento
Na esperança fruto de uma ideia à toa

E essa sugestão que é ré e feto
Eu sufoco, eu afogo, eu veto
Mas a carrego comigo, da popa à proa

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dando uma de Adélia Prado, só que não


Não lembro da primeira vez em que li "Com licença poética", mas, desde então, me apaixonei perdidamente por paráfrases. Foi tanta paixão que resolvi fazer as minhas próprias.

Essa paráfrase do "Poema de sete faces" foi publicada em 27 de junho de 2012 . Fiz uma adaptação no fim.

Quando eu nasci, um anjo louco,
desses que voam à esmo,
disse: Vai, garota! ser contradição na vida...

O teto desmorona sobre as cabeças
que dirigem corpos vagos.
A tarde se torna certeza cinza
esmagando quaisquer desejos...

O ônibus passa cheio de corpos.
Corpos cansados, sadios ou velhos.
'Pra quê tanto corpo, meu Deus?' pergunta a consciência,
mas meu coração,
este teima e não sente mais o discurso...

A mulher atrás da maquiagem
é triste, introspectiva e fraca,
mas conversa alegre.
Diz ter muitos, muitos amigos.
A mulher atrás da maquiagem e em cima do salto.

Meus Deus, por que não me abandona
se sabe que não sou forte,
se sabe que sou falsa...

Rima rima eterna rima
se eu me chamasse Valentina
seria só poesia e não conclusão.
Rima rima eterna rima
mais eterna é minha canção...

Eu não devia escrever isso,
mas encostar a cabeça no ônibus
e ouvir 'Return to innocence'
me deixa como Vicky no auge de sua emoção...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Poeminha do meu desespero


Cada um tem seu dia de falar, de "apresentar" o texto. Na verdade, tudo não passa de um grande debate, onde alguns alunos colaboram com suas opiniões e outros com suas dúvidas ou achismos. Nada demais. Ou melhor, nada demais para alguém que seja minimamente normalizinhx, logo não serve pra mim. Tudo demais. Tudo muito demais.

Por que, Senhor????? Por que na divisão das tarefas da vida a função de ser dramática coube a miiiiim????

Acontece que meu dia chegou e não é que eu não tenha o que falar, não é isso. Também não é que eu não saiba debater. A questão é a palavra. Você já reparou que quando se está em um debate tipo "roda aberta" as pessoas brigam pela palavra? Pois se não reparou, eu já. A questão é que eu não sei disputar a palavra. Ou tenho preguiça, não sei. Enfim, prefiro fazer minhas pontuações mentalmente e só observar.

Mas a sociedade estabeleceu — sem me consultar — que você não pode se graduar sem expor sua opinião para conhecimento geral. Indícios dessa sociedade que fomos criando já se proliferam desde a época do defunto Orkut — que Deus o tenha. Por que não fizemos nada??? Por que não detemos isso?? Não, não vamos deter isso. Conforme-se, Andressa. 

Eu estava nervosa, ansiosa, queria morrer, queria fugir etc. Mas era meu dia de conduzir o texto. Listei mentalmente minhas opções e a melhor delas foi originada por um pensamento do tipo "tire algo de bom desse momento". Daí, fiz um poema. Não que eu quisesse eternizar meu drama. Mas acho que é bom para ver como as coisas parecem ser na hora do desespero e como elas realmente são no pós-drama.

Venha ler minha composição poética que batizei de "Poeminha para o bloco de notas":

Santa Nota, tenha dó
Meu coração dispara
Ansiedade me ampara
E minha boca é um nó

Santa Nota, tenha pena
Borboletas voam dentro de mim
Quero que o dia chegue logo ao fim
Trago as mãos trêmulas

Santa Nota, faz favor
Com seu poder tecnológico
Trate de por fim a esse troço
E me livre desse horror

Santa nota, eu te peço
Me ajude a sobreviver
Prometo que depois explico pra você
Tudo rimadinho em versos

No fim de tudo, abri o debate com uma obervação meio argh sobre a teoria de Weber e o nome do livro (observação essa que foi suficiente para garantir minha participação no debate, mas que falhou em empolgar os gatos pingados que resolveram ficar para a segunda parte da aula).

Então, fica a minha dica. Algo tá tirando você do sério, te atormentando a vida? Respire fundo — se precisar, conte até 10 —, crie um poeminha e se concentre apenas em rimar. Faço disso minha colaboração para o universo das pessoas ansiosas como yo ou, simplesmente, um poeminha para rir, sem maiores pretensões. Vamos consolidar o poeminha como uma obra aberta, onde você é quem escolhe a utilidade. Acho até melhor, hehe.

sábado, 15 de agosto de 2015

Para as próximas gerações


Depois de uma semana puxada. Depois de pensar em mil ideias para postar. Depois de descartar outras mil. Depois de pensar se eu daria conta disso. Depois de mil indecisões, assim, de repente, abro o bloco de notas e idealizo um futuro melhor.

Um futuro que eu gostaria que fosse tangível para todos, incluindo aí minha geração. Mas, caso não seja pro meu bico, deixo registrado aqui meu desejo rimado de que seja possível para as gerações que vierem.

Para as próximas gerações

Menos cobrança aos 20
Mais consciência coletiva
Menos responsabilidade 

Mais MPB
Mais Elis, mais Chico, mais Caetano, mais Gadú
Mais Cecília, mais Clarice, Vinícius, mais Machado

Mais livros na mala
Mais viagens na vida 
Mais intensidade nas sensações
Menos preocupações

Mais idas ao parque
Mais vida observada
Mais livros no coração
Menos chateação

Mais músicas na alma
Mais serenidade
Mais luas vistas
Menos pessoas idas

Mais reticências
Mais vírgulas
Mais exclamação
Bem mais pontuação

Mais pessoas na vida
Mais acasos contemplados
Mais expressão
Menos solidão

Mais rimas
Mais poesia
Mais abstração
E mais, muito mais indecisão.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dos favores que não fiz

Há algo atravessado que eu preciso dizer, porém não digo.
Eu penso, repenso, invento e aumento, mas nada sai.
Não sai e é como se nada houvesse.

Com a minha (pouca) experiência de vida, transpus duas décadas até aqui e sei, por experiência (pouca que se faz válida), que quando o clima é esse, a luz é essa, a intensidade é essa, sei que há algo a se dizer.

Como emissora de opinião sou melhor ouvindo. As chaves da mesa me fazem errar as letras e o que eu digito parece não fazer sentido. As chaves trancam o sentido.

Queria chegar no futuro trinta minutos mais cedo e poder ler o que escrevi para inventar, antes que outros leiam, um sentido que não há. Mas essa não é uma opção. Negativas, negações...

Quando eu transpor mais uma década, quero ser Drummond e organizar palavras rumo a um sentido que dói enquanto encanta. Quero poetizar a beleza da rosa nascendo no asfalto, quero descobrir minhas sete faces e ainda ir de mãos dadas para ler Adélia Prado e sentir a inquietude.

É um favor que deixo de fazer ao dar voz a essas linhas.

domingo, 12 de agosto de 2012

Um brinde


Brindemos, senhores!
Ah, não deixemos de brindar!
Brindemos nossa ignorância,
mas antes brindemos nossa inércia...
Brindemos também nossa indiferença.
Ah, brindemos sim!
Brindemos nossa apatia e nosso individualismo,
esse amigo fiel. Um brinde a ele não pode faltar!
Brindemos nossos constantes 'a culpa é sua'.
Aproveitemos e brindemos nosso ' se vira sozinho'...
Brindemos porque, talvez assim, bêbados,
nossos brindes façam sentido.
E vamos todos nos aplaudir.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Drummondeando as faces...


Quando eu nasci, um anjo louco,
desses que voam à esmo,
disse: Vai, garota! ser contradição na vida...

O teto desmorona sobre as cabeças
que dirigem corpos vagos.
A tarde se torna certeza cinza
esmagando quaisquer desejos...

O ônibus passa cheio de corpos.
Corpos cansados, sadios ou velhos.
'Pra quê tanto corpo, meu Deus' pergunta a consciência,
mas meu coração,
este teima e não sente mais o discurso...

A mulher atrás da maquiagem
é triste, introspectiva e fraca,
mas conversa alegre.
Diz ter muitos, muitos amigos.
A mulher atrás da maquiagem e em cima do salto.

Meus Deus, por que não me abandona
se sabe que não sou forte,
se sabe que sou falsa...

Rima rima eterna rima
se eu me chamasse Valentina
seria só poesia e não conclusão.
Rima rima eterna rima
mais eterna é minha canção...

Eu não devia escrever isso,
mas encostar a cabeça no ônibus
ouvindo 'Return to innocence'
me deixa como um homem no auge de sua emoção...

domingo, 22 de abril de 2012

Doses de mim...



Não é que eu suma
Ou que eu finja que não existe
Só passo dias em coma
Enquanto o drama insiste.

Enquanto roda a vida
E para todo o resto
Começo a minha ida
Buscando o lado inverso

Pra não fazer sentido
Pra ser desfigurado
E  ter um objetivo
Eternamente revoltado

Que mude à vontade
Que se faça só em si
E que acabe em metades
De mil doses de mim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sem Motivo...



Eu canto porque o instante existe
e minha vida não é completa, é pouca.
Não sou alegre nem sou triste
- sou louca.

Irmã de coisas fugidias
sinto gozo, tormento e mansidão.
E atravesso meus dias e noites
imersa em solidão.

Se desmorono, me edifico;
se permaneço, me desfaço.
Não sei, talvez...
Talvez eu me seja aos pedaços.

Sei que canto e cantar é tudo
e a eternidade justifica o que me mata.
E sei que tudo acaba num minuto
de forma ingrata.
.
Parafraseando 'Motivo', de Cecília Meireles...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Essência...



Tem-se algo dentro de si sempre de bom,
alguma coisa pela qual se vale viver
e fazer o sacrifício de respirar, de conviver
de existir para todos em alto e bom som...

E se essa coisa não vieres tu a saber
conforma-te com teu futuro esquecimento,
mas aprenda algo de bom desse momento
para que ele venha de algo te valer...

E se não quiseres compreender
os caminhos que a tua vida toma
e os mares pelos quais ela navega

Resigna-te em fazer-se entender
que a tua vida é um estado em coma.
E que te vá para o diabo que o carrega...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Recomeçar...


É saber novamente se fazer atraente;
é se mostrar de novo...
Se fazer entender porque não te engoliram bem
e vir, bondosamente, oferecer uma nova dose de si mesmo...
.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não entender...


Não entender é não perceber
o que há por trás do que se deixa escapar,
daquilo que não se deixa afugentar,
que não se encontra em si ao se perder.

Não entender é ver borrado.
É ver o realismo impressionista;
ver e achar que se pode confiar na vista...
desconsiderar, deixar pra lá, deixar de lado

E não entender é eterna confusão
onde achismo e essência são um misto
que resultam em algo esquisito,
algo nada igual, uma primeira impressão

Não entender é escrever pra dentro
É desejar a forma e não vê-la feita
Não saber porque resulta imperfeita
quando tudo o que se quer é explicar um momento