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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Dia do Leitor



Dias especiais existem por uma razão: para homenagear. É essa a intenção ao se separar um dia em prol de um gênero, faixa etária ou acontecimento. Homenagear é recordar a importância social, histórica, política e, assim, garantir que as próximas gerações aprendam e perpetuem essa homenagem por muitos e muitos anos.

O que é a leitura?

A leitura é um diálogo estabelecido por três partes: quem lê (nós, leitores), quem cria a narrativa (escritores/autores) e a narração em si (o livro).

A origem desse dia 

O Dia do Leitor (e também das Leitoras) é comemorado em 07 de janeiro em homenagem à data de aniversário do jornal cearense "O Povo", fundado por Demócrito Rocha, poeta e jornalista brasileiro.

A homenagem

Encontrei um poema lindo da Clarice Pacheco que eu não conhecia. Ele fala do ato de ler e é tão apaixonante que quero compartilhar com vocês:


Feliz Dia do(a) Leitor(a) e que 2015 reserve boas leituras para todos nós!


sábado, 3 de janeiro de 2015

As mulheres do Nazismo


A história contada e ensinada não narra os fatos em si, sendo apenas uma das versões do ocorrido: a versão do vencedor. Durante anos saímos de um oposto e caímos em outro. Ao estudar o Nazismo e o Holocausto, odiamos os alemães. Quando porém lemos sobre as violações ocorridas em Berlim após a ocupação dos aliados e temos  acesso a relatos como "Anonyma: uma mulher em Berlim" ou "Warun war ich bloss ein Mädchen?" (Por que eu tinha que ser uma garota), a história é outra.

Julgamos as mulheres alemãs da Segunda Gerra como um mártir de seu tempo: a elas restou o fardo de reconstruir as cidades bombardeadas (mulheres-escombro) e, ainda por cima, sofreram com as violações em massa do exército russo. A falta de aprofundamento no assunto nos deixa com uma figura caricata da mulher alemã no pós guerra.

No entanto, esse esteriótipo de uma mulher vitimizada é desfeito por Wendy Lower em seu livro "As mulheres do Nazismo". A autora, que é Consultora de História do Museu do Holocausto dos Estados Unidos, estuda há anos o assunto e já publicou livros e inúmeros artigos sobre o genocídio judaico.

Resgatando a história das alemãs que, sob o governo de Hitler, atuaram como perpetradoras do Holocausto, Lower revela a real atuação das mulheres, seja na geração de filhos arianos ou até mesmo na adesão da propaganda hitlerista que as chamava para cumprir a missão "civilizadora" no Leste. Professoras, secretárias, enfermeiras e até mesmo esposas de oficiais são usadas como exemplo para que o leitor tenha noção da real atuação das mulheres e de sua contribuição, direta ou indireta, para a morte de milhões de judeus.

Vislumbrando no regime nazista a oportunidade de fazer carreira, ascender profissionalmente, tornar-se independente ou arranjar um bom casamento, muitas mulheres aceitaram participar e a adotar as atitudes mais radicais e, assim, colaboraram para um dos maiores genocídios da história.

Mas questões ficam no ar: Por que elas matavam? Como atuavam? O que aconteceu a elas?

Terminada a Segunda Guerra, a grande maioria dessas mulheres que tiveram sua parcela de culpa e foram responsáveis por morte de judeus adultos e crianças, escaparam dos tribunais de julgamento. Analisando documentos históricos que sobreviveram à destruição dos nazistas, Wendy Lower vê que os critérios para julgar essas mulheres eram baseados em demonstração de humanidade, sentimentalismo e lado maternal. Assassinas escaparam do julgamento porque choravam no tribunal e eram consideradas humanas demais para serem culpadas de um genocídio. E, valendo-se desses critérios machistas para o próprio bem, muitas mulheres não falharam em fazer o necessário para escapar de uma punição justa. 

Esse é um livro de teor informativo ao mesmo tempo em que esclarece uma faceta obscurecida da história mundial. Um livro para refletir o quão ruim pode ser subjugar um sexo quando este é igualmente capaz de destruir e matar pessoas em um ritmo desenfreado, como o ocorrido no Terceiro Reich.

Autora: Wendy Lower
Editora: Rocco
IBSN: 9788532528995
Páginas: 288
Edição: 1ª
Ano: 2014