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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Me desculpem, eu estou julgando

Foto para provar que: 1. Não faço a unha e 2. Encasqueto com foto alheia quando as minha próprias têm problemas
Eu prometi para mim mesma - e essas são as primeiras promessas que eu costumo quebrar. Será que alguém de psico me explica? - que manteria uma rotina "de blogueira": postaria com frequência e responderia aos comentários. Mas eu fiz isso? Não, eu não fiz.

Como lidar? São quantos comentários? Uns 5, no máximo e chutando alto. Mas parece que eu tenho um problema sério com o tempo. Ele passa e eu penso: sério que postei isso há mais de x dias??? Não creio. Enfim, tenho respondido aos comentários mentalmente porque é assim que eu sou. Eu respondo pra mim mesma e esqueço que alguém espera resposta. Nessas horas vocês devem se perguntar: por que Jornalismo, criatura??? (Não vou responder isso hoje porque esse post só vai existir se for estilo fluxo do pensamento, já saquei isso).

Eu vim postar esse texto estranho porque quero espantar as moscas, então quando comecei a escrever o post me dei conta de que estou julgando e-x-t-r-e-m-a-m-e-n-t-e as fotos alheias que encontro pelas redes sociais. Depois das aulas de fotografia que tive, me pego pensando: nossa, como essa foto tá borrada, mal enquadrada, escura etc. Parece uma neura, parece que desenvolvi uma espécie de TOC. E olha quem julga: a garota que não sabe focar. pausa para rir alto.

Gente, sou a pior pessoa pra julgar qualidade de foto alheia. Meu foco é estrábico, eu sou muito míope, sério. E por que isso? Pra que isso?

Não sei. Eu não me entendo, confesso. Eu olho fotos borradas e começo a divagar: nossa, será que ele não quis congelar o movimento?, será que tava escuro?, ou foi do celular e borrou? Aff, tô neurótica.

Alguém por favor, me lembre que existe coisa mais relevante que julgar foto alheia. Por que eu não olho as fotos e penso: "Nossa, essa pessoa curtiu o momento e nem se preocupou com pose. Isso é viver"??

Mas quando eu enveredo por esse caminho, parece que eu puxo a cordinha dos pensamentos todos. Será que eu vou terminar o livro do clube até domingo? É melhor eu chegar atrasada no encontro e ir lá na tal feira antes? O que eu levo de lanche, Meu Deus? Por que pensou tantas perguntas e não deixo espaço pra algumas respostas? Por que penso tantos "por quês"???

Talvez essas sejam as dúvidas existenciais que couberam a mim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Das dificuldades que tenho em entender sensações


Um defeito na personalidade: sou demasiadamente realista. Mas - porque aqui me cabe uma explicação que me salve - não fui sempre assim.

Me deixem! Só quero escrever sobre nada. Apenas senti as coisas de um jeito que sempre permeia minhas escritas aqui: um jeito analítico que me arrepia o corpo como numa espécie de deslumbramento. O óbvio passou diante dos meus olhos e eu o percebi. Os sentidos ficaram tão aguçados e eu simplesmente perdi a prática de esvaziar sensações em um post.

O óbvio passou por mim e me deslumbrou. Apesar de realista, cultivo o hábito de andar pelas ruas com devaneios na cabeça e chão sob os pés. 

O que há de errado? Novidade alguma há em constatar que as versões de mim mesma não se complementam, que são folhas avulsas voando de acordo com a direção do vento.

O horóscopo chinês diz que a água permeia minha personalidade e eu acreditei - não antes, claro, de juntar n fatores que o comprovassem. 

Em qual esquina eu me perdi de mim? Procurei andar as linhas retas das avenidas e ruas que se ligam perpendicular e paralelamente, mas a arquitetura da minha vida tomou outras direções que não mais consigo racionalizar.

Mas há a água, não posso esquecer. 

Heráclito! Nos meus estudos, sempre preferi Parmênides, mas a vida, essa debochada, me provou a verdade do rio. 

Dialeticamente, gostaria de ver a antítese do que eu fui antes e confiar numa síntese que, de certa forma, reunisse resquícios de quem sou e de quem fui. Pena minha vida ser lógica apenas naquilo que consigo controlar enquanto não me perco imaginando ruas pelas quais gostaria de ter vagado.