Páginas

domingo, 2 de abril de 2017

Expectativa vs. Realidade


Hoje eu tenho realmente muita coisa pra fazer. Mas com hoje eu não quero dizer apenas hoje, quero dizer nessas últimas semanas e nas próximas.

Geralmente as minhas coisas se separam eu duas colunas:
A - aquelas que eu quero fazer (lista enorme)
B - aquelas que eu realmente faço (nessa lista ficam as coisas mais essenciais e básicas)

Entretanto, nesse mês de março notei que fiz algumas daquelas coisas que nunca eram executadas e que há meses estavam na lista A. Eis a razão de ser deste post.

Se eu estou feliz? Digamos que sim. A felicidade não é completa porque ainda tenho coisas essenciais que precisam ser finalizadas - então estou naquela fase em que eu acordo ansiosa por conta das horas que perdi dormindo. Acontece. Coisa normal da vida. Mas vamos dar uma pausa nesse turbilhão e comemorar os feitos - e os não feitos também, até porque se eles fossem feitos as implicações futuras poderiam afetar esse balé coreografado que foi minha rotina de março. Bora pro balanço

YES, WE CAN: A fase da empolgação

Bullet Journal
Eu quis fazer muitas coisas em março. E uma delas foi manter o bullet journal como um bullet journal deve ser. Esse nível não foi alcançado, so sorry. Temos justificativa? Temos, e é: eu tenho o hábito de separar 'dias' pra mexer no bujo. Não consigo ser essa pessoa organizada que planeja a semana, o dia etc. Comigo há épocas em que eu planejo o semestre ou então sumo e faço listas no celular, papel de pão, anotações na mão e depois junto tudo pra repassar pro bujo. Tô errada? Ok, tô. Mas meu jeito de ser já é errado e não dá pra fazer milagre.

Eventos
Em março eu também quis ser uma pessoa mais social, digamos. Marquei os eventinhos que eu queria ir, tudo cult, intelectual, acadêmico, porque, né, se é pra sonhar que o sonho seja alto. Fui em algum deles? Não fui, mas tenho justificativas. Nos dias em que aconteceram os eventos que eu queria ir, eu estava multiplicando as horas pra poder entregar as coisas da faculdade, ler os textos e tudo o mais. Daí, é aquela velha história da balança: se vale mais ser uma pessoa com vida social ou aquela acadêmica que entrega as coisas, lê os textos e vai às aulas. 

Coral
Esse é um daqueles itens que desde o começo a gente sabe que não vai rolar. Não que não haja voz, há voz. Poderíamos estar aí com carreira internacional que nem a Anitta - ou não, porque a Anitta marca presença nas redes sociais, dá show, faz festa temática. Ok, poderíamos estar aí encantando os amigos com a nossa voz. Mas é aquela velha questão do foco. Estar no coral foge totalmente do que eu quero agora, embora estar lá talvez fosse legal.

Idiomas
Esse mês estava marcado como aquele em que eu daria um up no italiano, mas não rolou. Não rolou por motivos que envolvem o comprometimento integral do sábado. E como eu planejo comprometer o dia do descanso com outras atividades, não deu pra radicalizar nesse ponto. Mas espero que esse up aconteça ainda nesse semestre.

MALFEITO FEITO: Bem ou mal, finalizamos

Fragmentado
O que dizer desse filme que eu vi na data de estreia sentada entre dois casais? Vamos começar dizendo que eu toparia pagar pra ver de novo, mas que isso não vai acontecer por motivos de agenda comprometida. Ele foi o primeiro filme que me levou ao bloco de notas para anotar as impressões. Estou recomendando pra todo mundo.

Textos
Havia duas anotações que se repetiam na minha lista 'to do' desde dezembro do ano passado. E me orgulho de anunciar que ambas foram cumpridas com sucesso em março, esse mês que eu aprendi a amar. A primeira anotação era referente à Revista Pólen e eu consegui enviar o texto 5 dias antes do prazo terminar (leia aqui essa belezinha). A segunda era sobre o Foca na Imprensa, do Portal Imprensa. Consegui enviar o texto 1 hora antes do prazo terminar, mas o que vale é  o envio em si, certo? Sem link ainda, mas vamos torcer.

Livros - lidos e comprados
Em março eu desacelerei um pouco o ritmo da leitura e consegui finalizar apenas três livros: Os crimes do ABC, da Agatha Christie; Crônica de uma morte anunciada, do Gabo; e As mil e uma noites (em outro post falo mais desse projeto e dos oito livros que compõem a coleção). Já na relação de comprados eu me perdi totalmente. Comprei muito livro no sebo. Vou elencar aqui os que eu lembrar agora porque eles estão espalhados pela casa: Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf; 1Q84 vol 2, do Haruki Murakami; Biografia do Saramago; Seis personagens à procura de autor, do Pirandello; As filhas da Princesa, da Jean Sasson; e Cuca Fundida, do Woody Allen. Acho que é isso.

NÓIS TRUPICA, MAS NÃO CAI: Bota fé que vai

Iniciação Científica
Estamos naquela fase de pré-projeto, o prazo batendo na porta, os professores que a gente não encontra na faculdade, mas tudo está indo. Temos prazo, apesar de pouco, e fé.

Repórter do Futuro
Passei meses entrando religiosamente no site da Câmara, no da Abraji e do Oboré pra não perder o prazo. Se eu soubesse que uma alma boa e caridosa mandaria um aviso por e-mail, talvez esses meses passados tivessem sido vividos com mais paz de espírito. Agora é esperar pra ver se rola de passar pelo crivo.

Curso inspirado em Black Mirror
Perdi o prazo das inscrições, mas vi que vai rolar transmissão ao vivo pelo Facebook. Tomara que role de eu ver nessa leva do online. (Interessados em saber do que se trata, favor clicar no link. Adianto que é legal tanto pra quem é de comunicação quanto pra quem curtiu ver o seriado).

Projeto 5 on 5
Quando vi o convite em um dos grupos que eu participo no Face, eu logo me empolguei. Não sabia bem como era, mas a Vitória Bruscato do Cheiro de Pipoca explicou e a animação só fez aumentar. Ela, eu e mais três blogueiras vamos postar novidades nesse dia 05. Aguardem (hahaha aquelas, fazendo a misteriosa).

Séries
Retomei Gilmore Girls e é com orgulho que informo que estou na sexta temporada. Cada vez mais perto pra ver o revival, yep. Espero que no futuro eu me atualize em Grey's Anatomy (parei na décima temporada) e Glee (nem lembro mais, Netflix é que sabe). [Gente, o que eu tenho com série com a letra "G"? A única que terminei até hoje foi Gossip Girl. Pasma!]. Enfim, se a vida colaborar, espero começar Mad Men e, quem sabe, tomar vergonha na cara pra comprar um DVD e o box de Big Love - já que não existe na internet rastro dessa série. E cá entre nós, às vezes me pego pensando em ver The Twilight Zone...

ISSO É TUDO, PESSOAL

E hoje ficamos por aqui. Mais de 1 hora digitando como se eu não tivesse nada pra fazer - o que é um engano. Agora que caiu minha ficha que hoje é 2 de abril. Ainda bem que não postei ontem porque pirigava do post perder a credibilidade.

Pra terminar, não esqueçam que dia 31 de março completamos 53 anos do golpe militar. Fiquem ligados na programação do Memorial da Resistência pra refletir sobre esse acontecimento na nossa história.

terça-feira, 14 de março de 2017

Diários, blogs e fendas no tempo

Ontem estava conversando com meus amigos sobre diários. Acabei contando, meio por cima, que "perdi" os que escrevi na adolescência na época em que fui morar na Baixada. Meus pais acabaram jogando fora e esse trauma me rendeu alguns poemas com palavras como "sem passado" incluídas entre os versos. Era assim que eu me sentia. E enquanto eu falava dessa minha relação com os diários físicos, acabei lembrando que esse blog funcionou, de certa forma, como uma espécie de diário para mim por todos esses anos. De certa forma, este blog e eu atravessamos fases juntos - sob diferentes nomes, é claro. Este blog foi o confidente dos meus textos mais mal escritos e poemas rimados sem nexo. Mas independentemente dessa cumplicidade que vivemos durante anos sem eu me dar conta, se eu pudesse reaver aquelas folhas que eu pacientemente redigi por anos com as histórias vividas por mim mesma, eu com certeza faria isso.

Estava tranquila imersa nesses pensamentos de saudades do meu passado, quando cheguei hoje na faculdade. Fui atualizar o Linkedin e acabei vendo uma lista de pessoas na sugestão pra adicionar. Aparentemente, todos os e-mails mais esquisitos que representavam pessoas participantes do meu passado estavam ali. E essa rede social - a mais imprópria para listá-los - estava me oferecendo conexões com "pessoas que talvez você conheça". Que ironia, é claro que eu as conheço. Saberia o Linkedin que eu as conheço muito melhor do que ele poderia imaginar, caso fosse um ser humano com capacidade imaginativa? Não, não saberia. Sobre algumas delas eu escrevi incessantemente nos meus falecidos diários.

Essa nostalgia provocada por essa possibilidade que jamais se concretizará me fez lembrar do famigerado Orkut. Comecei a divagar sobre como seria ter essa rede social de volta e o quanto eu a queria bem mais que qualquer outra, até que percebi que não é o Orkut que eu queria. O que eu queria era o passado de volta. E o passado, diz a lógica, não está no rol de possibilidades futurísticas. O Orkut acabou simbolizando algo, representando uma fase da minha vida. E, como cantava Belchior, "o passado é uma roupa que não nos serve mais". Eu que discordei desse trecho - e dessa música - durante anos, hoje me rendo a essa fatalidade: o passado é algo que fica lá atrás e que nunca mais estará ao nosso alcance.

Por causa dessa certeza da inevitabilidade do tempo em passar, comecei a sentir saudades das coisas que ainda tenho comigo, como os amigos da faculdade com quem estava conversando ontem. E por mais que ainda tenhamos dois longos anos pela frente, fico pensando que eles vão passar na minha vida assim como muitas outras amizades queridas passaram. Eu as queria a todas, mas a vida me mostrou que não se pode vencer o tempo. Isso me deixou tão triste que eu comecei a pensar mais e mais nos meus diários perdidos e em como aqui, nesse espaçozinho virtual, eu consegui criar uma espécie de fenda no tempo.

Não sei quando eu vou me desfazer disso aqui, se é que um dia irei. Sim, há vezes em que eu simplesmente não quero dar as caras aqui. Mas há outras vezes em que eu simplesmente agradeço a seja lá quem for o ser humano desse universo que teve essa ideia de criar essa rede social. Ela preserva minha sanidade e me faz um bem que não sei nem descrever.