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quarta-feira, 1 de maio de 2019

o que fazer com impressões? - parte 2

Impressão, nascer do sol - Monet

por isso, antes de sair do apartamento, eu pensava em como seria nosso reencontro. e não foi tão regado à constrangimento como eu pensei que seria.

ela me abraçou e até se desculpou pelo que aconteceu no nosso adeus no aeroporto. eu nem lembrava mais.
a sensação que eu tive na hora foi de que ela achava que meu silêncio, de certa forma, foi uma resposta aquele episódio. só que não foi, de verdade não foi.

e então eu comecei a pensar no quanto eu relevo algumas coisas e voltei a lembrar daquele dia: será que é em um momento assim que a gente percebe as coisas como elas são de fato? mas, sei lá, inconscientemente eu prefiro não pensar muito nisso.

e também prefiro não pensar muito no que aconteceu e no que eu fingi não notar. mas é inevitável. os toques disfarçados, os olhares, a aproximação, a animação repentina...

no começo eu apenas neguei, mas estão me permiti a dúvida, me permiti observar com isenção. agi como eu quis agir e ocasionalmente captei o que rolava.

e então eu tentei ver as motivações. por que ela estava fazendo aquilo? e eu não tenho respostas. talvez o álcool, talvez uma espécie de troco ou a emoção de flertar com o proibido.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

o que fazer com impressões? - parte 1

The Sant Lazare Station - Monet

a gente não se falou por um tempo e eu realmente fiquei chateada quando ela ignorou quase por completo a mensagem de feliz aniversário que eu mandei.

quase por completo porque ao menos ela curtiu... mas, sei lá, ficou faltando algo... nem que fosse um comentário com coraçõezinhos vermelhos, qualquer coisa que demonstrasse que a nossa amizade intensa não foi unilateral ou coisa da minha cabeça.

eu realmente esperei mais que uma curtida, esperei uma reação mais humana que demonstrasse que aquelas palavras que eu escrevi do fundo do coração tinham alcançado o coração dela.

mas eu admito: eu errei também. errei quando deixei as coisas me consumirem. errei quando não correspondi à tentativa dela de dar continuidade aquilo que surgiu genuinamente entre nós.

e eu sou assim. eu faço coisas intensas e loucas, eu aproveito o momento, eu abraço, eu digo que amo, eu aperto, eu digo "a gente vai se falar, a gente vai se veeeeeer", eu faço essas coisas. mas depois eu vivo outros momentos intensos e eu realmente não sei lidar com a distância, é algo que eu aprendi sobre mim.

as pessoas vão e eu tento manter um pouco das coisas como já foram, mas elas passam e se moldam a outros tempos, outros espaços.