sexta-feira, 2 de junho de 2017

Da vez em que enfureci palmeirenses no Twitter


Tem coisas que acontecem na vida da gente e que não dá pra prever. Você é pego totalmente desprevenido, não acredita no que fez e esboça aquela leve enrugada na testa pensando "isso aconteceu mesmo?". É louco quando algo acontece e não estamos preparados.

Mas tem outra categoria de coisas que acontecem e que, embora você não saiba como, você meio que "sabia". É aquele breve momento de distração em que você se vê fazendo algo que, pra você, está super certo. Mas - e é claro que há um mas - quando cai a ficha de que você estava fazendo bosta, você consegue lembrar perfeitamente dos sinais sutis que a vida te enviou, todos eles ignorados, e que culminaram em um daqueles erros que poderiam ser evitados. É nessa segunda categoria que se encaixa o que eu vou contar agora.

O cenário era do novo ambiente de trabalho. O tempo era de menos de 1 mês lá - eu diria duas semanas, talvez. Estava eu responsável pelo Twitter. Só de pensar que eu postaria coisas ali, numa conta cheia de seguidores e daquelas onde as pessoas respondem na hora, já senti certos calafrios. Mas ok, os dias foram passando e eu ganhei a famigerada confiança - porque, convenhamos, esse tipo de erro que se encaixa na categoria 2 precisa de uma certa dose desse sentimento.

E lá fui. Confiante. Toda manjada nos 140 caracteres, eita que ninguém me segura. Até que surge uma notícia de futebol. A tragédia já estava montada desde aí, mas é aquela coisa de captar os sinais. Deixei passar.

Twitter, vocês sabem, tem aquela coisa de fazer caber. A gente muda aqui, abrevia ali. O site de sinônimo vira seu amigo na hora de substituir a palavra por outra mais curta e assim vamos levando a vida. Mas tem horas que site de sinônimo algum te salva. E essa hora chegou pra mim naquela fatídica tarde.

A notícia era sobre o Palmeiras. Arrumei o título com o básico muda aqui, mexe ali, e quando coloquei o link da matéria o texto ultrapassou os 140 caracteres. Sagazmente, tive a brilhante ideia de substituir "Palmeiras" por um sinônimo. Dias antes eu tinha visto uma jornalista mudar Corinthians por Timão pra fazer caber e vi que tava liberado alterar. Se a tragédia já tava montada, foi aí que eu marquei de vez presença no show. Troquei e coube. Fiquei feliz pacas e tuitei.

Eu senti uma certa sensação de "há algo de podre no reino da Dinamarca", mas olhei o post, não identifiquei a coisa estranha que havia ali e segui a vida. Afinal, eu tinha outras matérias pra postar.

Menos de 5 minutos depois o telefone toca e a jornalista que me supervisionava atendeu. Nessa hora eu senti algo estranho digamos e logo pensei na troca que fiz na chamada do Palmeiras. Esse pensamento foi meio que instintivo. Ela virou pra mim e olhou com aquela leve ruga na testa, de quem não pode prever o que tava acontecendo. Como eu constatei depois, naqueles 5 minutos, brotaram palmeirenses pra xingar de tudo quanto é nome a pessoa que tinha escrito aquele tuíte - no caso euzinha. E foram tantas reações que alguém de postos altos da firma notou o balacobaco no Twitter e ligou pra perguntar "oquequeéissonoTwitter????"

Depois disso, me lembro de ter que apagar o post e ser questionada por rostos descrentes do motivo que me levou a chamar o Palmeiras de Peixe. Nem eu soube explicar. Um lapso daqueles doidos, talvez? Mas eu ainda acho que tenha sido o "P" porque meu cérebro tem dessas. 

Todo mundo foi muito solícito e nunca na minha vida recebi tanta dica de futebol. Me disseram pra pedir ajuda nesses posts e que eu não precisava me preocupar porque erros aconteciam. Isso não me impediu de ficar super envergonhada. Quem chama Palmeiras de Peixe?????? 

Só depois quando eu disse que estava nervosa e que quando fico nervosa me dá uma vontade insana de rir é que uma das jornalistas disse pra eu relaxar e só tentar não errar com futebol porque o povo não perdoa.

Hoje sou um gato escaldado quando o assunto é futebol. Checo tantas vezes que acho que já virou uma nova espécie de TOC que os cientistas precisam estudar. E quanto aos palmeirense, esse episódio me fez conhecer uma nova faceta deles. O pior é que, embora eu torça pro São Paulo - porque herdei o time do meu pai - a verdade é que sou a maior fã do hino do Palmeiras hahaha. Adoro o "Quando surge Alviverde imponente...". Na verdade, é o único hino que sei cantar direito.