quarta-feira, 25 de abril de 2018

Revolução dos Cravos


Ninguém contou, mas foram muitas as vezes em que ouvi essa música e pensei que não quero que ela tenha que se fazer necessária de novo.

Feliz 25 de abril, Portugal.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Playlist do fim do mundo

Do nada, veio essa vontade de fazer uma playlist das músicas que fazem jus ao evento catastrófico que promete ser o fim do mundo. Do nada, juro. Porém, me dei conta de que só tenho duas músicas que eu associo à ocasião e essa questão numérica quase foi um argumento para esse post não existir.

Mas daí eu pensei: "e o que tem?" Afinal, se o fim do mundo chegar, a gente vai ter sorte se conseguir ouvir uma música só. Por isso, decidi fazer assim mesmo e ir atualizando enquanto for descobrindo novas músicas.

Eis as elegidas até agora:

Bitter Sweet Symphony - The Verve



Love on the brain - Rihanna


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Vou ficar mais um pouquinho...


...para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho

Às vezes a vida me assusta. E me assusta porque eu começo a divagar sobre como será o meu futuro e tudo isso me dá um medo imenso. Será que vou ser uma boa profissional? Será que eu vou conhecer alguém e me casar? Será que vou saber sobre o que vai ser o meu livro? Será que vou finalmente decidir se quero ou não ter filhos? São tantas dúvidas, tantas questões, tantas perguntas sem respostas que eu fico zonza de tanto pensar, pensar e não chegar em conclusão nenhuma.

Ontem assistindo o episódio de Friends em que a Rachel faz 30 anos me identifiquei tanto com as dúvidas existenciais dela que teve uma hora em que precisei pausar e dar uma respirada. Se me senti tentada a fazer um plano de como quero que sejam os próximos 5 anos da minha vida? Fiquei, mas dei um segurada na emoção. Até porque se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que não dá para fazer planos envolvendo duas ou mais pessoas quando essas mesmas pessoas não estão de acordo em fazer parte dos seus planos. Então, qual a lógica de dizer que vou me casar aos 30 se eu sequer sei com quem???

Partindo disso eu comecei a pensar nas expectativas da sociedade para a vida das mulheres. Espera-se que encontremos alguém com quem passar o resto da vida, tenhamos filhos e que conciliemos tudo com uma carreira de sucesso. Eu me surpreendi porque tirando a expectativa para a vida profissional, o padrão ainda é tão século XIX. Só que as mulheres estão subvertendo esse padrão há séculos. E um bom exemplo é uma das minhas avós: enquanto uma casou, teve 12 filhos e se manteve no mesmo casamento até a morte, a outra teve uma história bem diferente.

Minha avó Mirtes era filha de imigrantes italianos que esperavam que as três filhas mantivessem os costumes se casando dentro da colônia. Como ela conheceu um brasileiro e quis arriscar a vida com ele, foi literalmente expulsa de casa e da família. O brasileiro, meu avô, não quis casar de papel passado e, alguns filhos depois, cada um resolveu seguir seu rumo. Meu pai sempre achou horrível não ter crescido com a mãe, já que minha avó ficou apenas com as filhas por não ter apoio de ninguém para criá-las. Ela tentou a sorte no amor romântico em alguns outros relacionamentos, mas nenhum deu certo. Hoje minha avó envelhece sozinha, apenas com os filhos e os netos, mas sem aquele que deveria ser o homem que estaria ao seu lado na velhice.

Eu sempre senti uma pontada de orgulho por ter a tal ascendência italiana, mas quando conheci a história da minha avó esse orgulho foi embora. Hoje eu me sinto orgulhosa pela forma que ela encontrou para resistir, que foi se recusando a repassar o sobrenome italiano para os filhos. Acho essa atitude tão simbólica e forte. Não sei se no lugar da minha avó eu teria forças para fazer o mesmo.

Por isso percebo cada vez mais que esses padrões impostos já não nos servem faz tempo. Não serviram para a minha avó e não servem pra mim. Por que, então, eles continuam a ser tão presentes? Eu realmente não sei e essa é mais uma pergunta que ficará sem resposta.

Mas uma coisa se encaixou bem hoje. Esse texto, que começou a ser escrito lá pelas 11h da manhã e foi finalizado depois das 22h, esse texto atravessou praticamente um dia inteiro comigo. E não foi um dia qualquer, mas um dia em que muitas coisas aconteceram, aos pouquinhos, mas aconteceram. Uma dessas coisas foi o texto da Milly Lacombe sobre felicidade e sobre confiar na incerteza, que acabou brotando na minha timeline para acalentar meu coração e me fazer perceber que tudo bem não ter o futuro todo desenhado nas mãos.

A incerteza está aí, as perguntas sem respostas também e isso faz parte da vida. Por isso eu só quero me demorar mais onde estou agora, nesse espaço que é assustador e reconfortante, que é calma, mas que também sabe ser agitação. Quero ficar aqui mais um pouquinho e prolongar ao meu modo isso tudo que é tão efêmero.

domingo, 22 de abril de 2018

Opções

Reprodução/Pexels
Andou de corredor em corredor e não conseguiu se decidir.
"Fechamos em 5 minutos"
Pegou o primeiro pacote que viu e foi ao caixa pagar.

sábado, 21 de abril de 2018

Reparem em 'Na batida', da Anitta

Se tem uma música da Anitta que tenho ouvido repetidas vezes nos últimos tempos, essa música é "Na batida". Já cheguei a tuitar versos dela porque essa música tem um ritmo todo trabalhado no grudol. Fica na mente que é uma beleza e é praticamente impossível esquecer.

Como boa viciada que sou, sempre vou curiar os clipes das músicas que eu gosto e com "Na batida" não foi diferente. Por isso acabei notando uma coisa, que é totalmente inútil e irrelevante para o mundo, mas que fica rodando e rodando na minha cabeça. E justamente por ser tão inútil eu pensei: por que não compartilhar aqui, não é mesmo?

O que me intriga não é a história de rivalidade feminina que rola durante todo o clipe. Na verdade, isso é bem manjado e uma narrativa bem batida (sem intenção de fazer trocadilhos), afinal há algo mais recorrente do que a velho clichê de mulheres que se odeiam por causa de homem? Pois é, nada de novo sob o sol. Prossigamos.

O que me deixou intrigada foi uma coisa bem besta no começo do clipe: a mudança brusca da coreografia.

No começo do vídeo, quando Anitta coloca a fita defeituosa, ela faz uma pose toda trabalhada nas mãos acima da cabeça e se posiciona dessa forma para começar a dança:



No entanto, como a fita foi trocada/danificada (eu nunca sei), Anitta acaba entregando outra fita aos jurados (?). Ao que parece, ela apenas entregou a fita CERTA. Por isso, o esperado seria que ela voltasse e se posicionasse da mesma forma para começar a coreografia, certo? Mas não é o que acontece. Quando Anitta volta, ela está com outra pose totalmente diferente:




Isso me intriga. Tem horas que eu acho que é um erro de gravação, já que parece que Anitta trocou a fita quebrada por outra nova, mas, na hora de voltar para a pose, o pessoal que coordenou a gravação do videoclipe deu uma mancada das boas.

Mas tem vezes em que me pego tentando justificar isso. Daí crio a história de que, na verdade, Anitta ia fazer a coreografia da música X, mas como a garota danificou a fita, ela se vê obrigada a pegar outra fita com uma música nova (chamemos essa música de Y) e improvisar. Assim, ela choca a todos porque aquilo não estava previsto. Essa narrativa, no entanto, é questionável, já que Anitta dança com outras duas garotas que aparentemente nada saberiam se a música fosse trocada de última hora porque simplesmente Anitta não comunicou nada sobre essa possível troca.

Enfim, essas são algumas das inutilidades que penso. Achei justo compartilhar aqui, já que não aguentava mais guardar isso só pra mim mesma e carregar essa dúvida cruel sozinha.

Se você quiser entrar nessa piração, dê play:


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Dando o troco

Reprodução/Thinkstock
Tinha acabado de acordar o garoto que gostava de dar moedas trocadas, quando eu fui lhe pagar com moedas de 1, 2 e 5 cents os 95 cents que lhe devia.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Às quintas-feiras não paramos o dia todo

Reprodução/Pexels
Acordei e vi que tinha um monte de mensagens lá no Minha Calça Minhas Regras. Aparentemente, todo mundo resolveu desenterrar fotos e vídeos do início da faculdade, vulgo 2015. Eu, que sempre recorro aos stories pra me animar e levantar, encontrei ali forças pra acordar de bom humor. Meu Deus do céu, era cada foto! Tinha foto minha com 'cara de quem nunca tonha virado a noite na balada' (palavras do Fred hahaha) e um vídeo de quando a gente resolveu ser descontraidão depois da aula.

Mas esse momento várzea, que durou 20 minutos, precisou acabar porque eu tinha que editar um vídeo antes de ir pra minha aula, que começava às 9h.

Graças ao Premiere que baixei ontem por bondade do Fred, que compartilhou um link free&novírus comigo, pude fazer a edição em um tempo decente. O problema mesmo - e a demora - consistiu em achar um site decente pra fazer download do vídeo do youtube. Estava sendo uma morte lenta, mas achei um site e deu pra baixar o vídeo sem maiores estresses.

Editei um side by side com a cena original de Pretty Little Liars na esquerda e o remake na direita. Também aproveitei pra pegar o vídeo em alta que as garotas do meu grupo tinham passado e editar o áudio. Deu tudo certo, subi os vídeos no Google Drive e compartilhei com elas.

Minha sensação de vitória durou poucos segundos porque faltavam apenas 15 minutos pras 9h quando eu terminei. Me arrumei numa velocidade recorde e corri pra escovar os dentes antes de ir pra aula. Porém, quando estava fechando a porta do quarto, lembrei que tinha esquecido o óculos e voltei pra pegar.

Cheguei na aula de Temas do Jornalismo Contemporâneo uns minutinhos atrasada, mas o professor não tinha começado a falar. Acabei tendo que escolher o tema do meu trabalho no pulo do gato porque eu não tinha pensado muito sobre o assunto. Essa pressão, com a qual eu não contava, no entanto, acabou sendo um incentivo muito bom pra eu escolher enfim o assunto que irei abordar no meu trabalho. Quero falar sobre a sustentação econômica das publicações no mundo digital, fazendo um parelelo entre Portugal e Brasil.

Depois de falar meu tema, eu só queria o intervalo para poder tomar café da manhã. Era tanta fome que minha barriga até roncou alto umas duas, três vezes no meu da aula. No intervalo fui com dois colegas de classe comer algo e que felicidade tirar a barriga da miséria hahaha.

De volta à sala, a aula foi sobre gatekeeping e gatewatching e o professor orientou cada um dos alunos. Na minha vez de ser orientada, ele me passou o contato de uma jornalista que trabalha com.um site no estilo que eu quero trabalhar no meu projeto e me disse pra pensar a bibliografia do trabalho pra eu ter base na hora de começar a estruturá-lo.

Depois da aula, acabei batendo um papo com duas colegas de sala e uma delas começou a falar sobre saudade. O que ela falou ficou girando e girabdo na minha mente durante o dia todo. Fomos conversando até a entrada da universidade quando a Mari e a Karen apareceram e disseram que iriam nos correios e depois iam comer no Mr. Pizza. Fui com elas.
Chegando nos correios, eu notei que eles vendiam livros! Fiquei mais pasma ainda ao ver que eles tinham a HQ de O diário de Anne Frank, identica à que eu comprei na Lello quando estive em Porto.

Saímos pra ir comer e eu acabei pedindo uma margherita. Comi e bati papo com as meninas. Quando terminamos, a Mari foi pra casa dela e a Karen e eu voltamos pra faculdade, pra nossa aula de Laboratório Multimídia II. Fomos o primeiro grupo a apresentar o trabalho e nosso remake ficou entre os melhores da sala. Senti uma pontadinha de orgulho.

Depois das apresentações, a professora explicou como deveria ser nosso spot publicitário e mostrou várias referências.

Já em casa, falei com meu irmão e mandei mensagem pra minha irmã, porque ela tinha enviado um vídeo super fofinho da minha sobrinha com uma foto minha (ai, como eu amo essa bebê!). Depois falei com o Fred e ele me mandou uma crítica que tinha escrito, mas eu precisava fazer meu trabalho de programação, então falei que leria depois. Só que a fome bateu e eu disse pra fazer janta.

O Tarciso tinha me mandado mensagem contando que lâmpada do quarto dele tinha queimado e eu só lembrei da mensagem quase 19h, quando ele já tinha conseguido trocar.

Descemos pra jantar, mas nosso molho estava com fungo! Daí tivemos que jogar fora e ele foi comprar outro.

Fiz a janta e me esbaldei comendo.
Voltei pro quarto pra terminar um dos exercícios de programação e fiquei neles até 23h, quando resolvi parar e postar esse texto antes que meus olhos se fechem de vez e eu durma. Acabada me define.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Altos e baixos

Reprodução/Pexels
Tem dias em que dá uma vontade súbita de abraçar o mundo, de fazer tudo o que está na lista da pendências e depois sair pra aproveitar o solzinho que resolveu visitar a cidade. Essa vontadezinha que surge sem explicação aparente parece um combustível que faz meu corpo despertar e perceber que há muita vontade de viver e de aproveitar todas as oportunidades possíveis.

Mas tem dias em que tudo o que eu quero fazer é ficar com o celular na mão revendo as fotos que tirei com a família e amigos antes da viagem. A saudade bate forte, bate cruel, bate impiedosa e eu me sinto encurralada e perdida.

Antes eu pensava que os dias mais frios seriam necessariamente os mais tristes e até fiquei preocupada pelo fato do inverno perdurar para além da primavera. Mas daí a vida foi acontecendo e eu percebi que não é bem assim que as coisas funcionam.
Os dias, sejam eles os bons ou os maus, simplesmente surgem, sem aviso e sem cerimônia. É um baque ter que enfrentar essa surpresa constantemente, mas a gente vai levando.

Os amigos feitos aqui nessa nova cidade ajudam muito, mas há vezes em que eles próprios estão tão perdidos e confusos quanto eu.

Antes eu pensava que o simples fato de viajar seria uma aventura que por si só ocuparia minha mente e meu tempo. Mas a verdade é que a vida não é suspendida durante o intercâmbio e suas crises, pensamentos e questionamentos continuam ali, só que somados à uma saudade constante com a qual você aprende a conviver. Claro, há também os lugares e as pessoas novas que você conhece pelo caminho, mas a vida continua ali. Você se vê tentando crescer como pessoa enquanto entende que aquilo que temia por ser desconhecido tem muitos terrenos conhecidos.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Prece

Reprodução/Pexels

Com as mãos unidas no peito
A moça da língua afiada
Pede a Deus pelas almas dos perdidos

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Infância

Reprodução/Pexels

A gente vivia numa vida ferrada
e, quando chegava na igreja,
era obrigado a ouvir histórias 
de pobres crianças ricas 
que cresceram sem amor

domingo, 15 de abril de 2018

Novas formas de amor

Reprodução/Pexels

Ou aquele que eu queria enviar para todos os amigos do Brasil


Hoje eu acordei e pensei sobre como poderia definir o quão impactante foi ter esses meus novos amigos – Karen, Mari e Tarciso – na minha vida desde que cheguei aqui nessa cidade que sabe ser amor e também sabe ser vilã.

“Melhor squad da vida”, eu pensei, como se tivesse que criar uma legenda para uma foto nossa. Mas a verdade é que eles se tornaram bem mais que isso.

Uma vez, fazendo um trabalho de rádio lá no Brasil com meus melhores amigos (Fred, Carol Abrantes, Carol Lameirão, Laleska e Paulo – Laura não tinha chegado ainda, mas entra com certeza no rol de melhores amigos da vida <3), a gente resolveu fazer um programa sobre términos. A gente se reuniu, discutiu, brigou, fez roteiros, editou, trilhou e tudo que o protocolo pede nessas ocasiões. Foi um daqueles trabalhos que deu um super orgulho de ter feito, só que demorou muito tempo para cair minha ficha de que eu não tinha entendido completamente. Até que um dia, arrumando as caixas da mudança antes de vir pra Portugal, achei um dos roteiros: era do episódio sobre términos amorosos. Eu li e me deparei com a frase “hoje eu vivo outras formas de amor”, de uma das entrevistadas. Naquela hora, minha vida estava uma bagunça e eu me lembro de ter pensado “mano, impossível isso que ela está falando”.

Mas aí a vida foi acontecendo. Quando eu estava bem mal, minha mãe me deu um abraço bem forte e disse pra mim: “filha, isso vai passar”. Eu chorei muito mais e fiquei pensando: “será que essa é uma dessas outras formas de amar?” e tentei seguir vivendo.

Depois foi a vez de fazer as malas e desabafar com meu irmão Robson, que me deu vários conselhos que eu nunca vou conseguir expressar em palavras o quão curadores eles foram pro meu coração machucado. E eu só sabia que, a cada dia, eu entendia mais aquela frase que tinha lido no roteiro e que antes parecia ser tão surreal.

Daí a gente foi pro aeroporto e eu estava com a alma anestesiada. Eu estava tão ansiosa pra chegar lá e despachar a mala que não tinha percebido que não veria toda minha família (meus pais, meus irmãos, a tia Ana, a Bianca) e amigos por seis meses. Eu embarquei com aquele que viria a ser um dos grandes parceiros dessa nova fase da vida, o Tarciso, e que parecia entender o que era aquela sensação de não acreditar que a gente estava mesmo indo pra outro país.

Daí, naturalmente, a Karen e a Mari chegaram nas nossas vidas. A gente se viu com dilemas parecidos e se tornou uma rede de apoio, uma verdadeira família aqui nessa cidade com um inverno longo demais.

Mas apesar de todos eles serem maravilhosos e conseguirem arrancar meus melhores sorrisos, mesmo que muitas vezes sob o forte efeito da sidra, eu ainda ia dormir com aquela falta que eu sentia no coração de todo mundo que deixei no Brasil: da família, dos melhores amigos que fiz na faculdade, dos melhores amigos que me aguentaram no ensino médio (Bruna, Leandro, Fernanda e Carol), das pessoas maravilhosas que conheci e convivi quando fiz estágio no Metro Jornal e da garota que não desistiu de mim mesmo depois de eu ter saído lá da editora (né, Vanuza?). Essa falta avassaladora que é a saudade, essa palavra tão brasileira e que eu nunca pensei que pudesse ser vivida dessa forma tão intensa.

Eu só queria viver de lives pra ver essas pessoas queridas, ouvi-las, conversar com elas. E cada vez eu sentia mais verdade naquelas palavras que antes me pareceram tão insanas: “hoje eu vivo outras formas de amor”.

Parece que meu coração duplicou, triplicou de tamanho e que cada vez tenho mais espaço para colocar pessoas que eu amo. Porque amar é um sentimento tão multifacetado que a gente se surpreende ao vê-lo em ação.

Hoje eu entendo melhor aquela frase que tanto me confundiu e sigo aprendendo a retribuir esse sentimento que eu recebo. Não é fácil. Parece que o coração não segue as leis da física. Eu sei que ele bate aqui com esse trio maravilhoso, mas sei que ele também bate com as minhas pessoas que estão lá no Brasil.

Parece que é tanto amor que esse sentimento precisa sair de mim um pouco pra que o coração tenha espaço pra continuar batendo. E, quando dou por mim, estou chorando pra aliviar a alma e, assim, ter mais espaço para seguir amando. Porque o amor se renova e não se esgota. Parece que ele cresce de novo e de novo, insistentemente, como quando a gente deixa um grão de feijão cair na terra e, poucos dias depois, começa a ver esse mesmo grão se abrindo e folhas verdes saindo dele.

Parece que eu vou morrer de saudade e de tanto chorar, me derretendo de tanto amor. Mas aí eu lembro que a vida passa e que, daqui a poucos meses, vou estar chorando por não poder mais chegar na casa da Mari e da Karen pra bater papo, fazer nossos trabalhos e rir de vídeos de pessoas sob efeito da hipnose. E isso só me faz querer viver ainda mais o momento e, pra isso, eu me acalmo dizendo: “tá tudo bem, você logo vai voltar e ver sua família e seus amigos do Brasil. Aproveita cada segundo com esses novos amigos que a vida colocou no seu caminho”.

Agora eu sei: é uma verdade universalmente conhecida que uma pessoa, em posse de um coração, é destinada a viver sempre novas formas de amor.

sábado, 14 de abril de 2018

Covilhã


É sempre no peito aquela saudade
Sempre na caminhada calma e paz
E sempre noite adentro o mesmo frio

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Como é conversar comigo no Tinder

Me tornei aquela pessoa tão interessada em horóscopo que uma das coisas que pergunto logo de cara quando conheço uma pessoa é qual é o signo dela. Similar a um vício impossível de largar, esse meu novo hábito não enxerga limites e, mesmo quando a pessoa diz "não, eu não gosto/acredito/me importo com signos", eu ainda assim puxo assunto e me sinto uma evangélica tentando converter os não adeptos. Se é cansativo para mim, imagina pra quem tem que me aguentar.

Mas essa história ainda piora porque minha audácia atingiu níveis incalculados, como da vez em que puxei assunto com um estudante de astronomia perguntando se ele não se incomodava com o fato de muitas pessoas confundirem astronomia com astrologia. O carinha todo manjado de física respondeu que não se importava, mas resolvi cutucar a onça com a vara curta porque é desse naipe de conversa que eu gosto hahahahahahahah. A partir de então a conversa foi all about signos e porque EU acreditava em astrologia. Óbvio que o moço passou a ser monossilábico, mas quem se importa quando o assunto tá tão empolgante e você pode fazer um monólogo beeeeem longo?????

Incansável, ainda tive a pachorra (sorry, queria usar essa palavra, rs) de perguntar o signo dele, que era sagitário. Podia ter sido outro signo o dele, um sobre o qual eu não soubesse tanta coisa. Mas o universo conspirou a meu favor hahaha. Logo sagitário, O SIGNO DO MEU PAI E A MINHA LUA!!! Óbvio que sabia tudo e não perderia a oportunidade de descarregar meus saberes naquele ser humano que não estava nem um pouco interessado hahahahaha.


Introduzi minha fala e logo, como em um bom texto dissertativo-argumentativo, juntei meus argumentos e fui à luta. Exemplifiquei sobre como a lua afeta nas gestações por influenciar a água que tem nas bolsas onde os bebês ficam, citei o inconsciente coletivo de Carl Jung e até fiz questão de reforçar que a física só existia graças à filosofia (chupa, pessoal de exatas). Tudo isso contribuiu para que o ranço do moço crescesse. Porém, como bom português, ele manteve o tom dentro daqueles padrões que não ofendem a família tradicional, seja ela portuguesa ou brasileira rsrsrsrsrs. 

Desistindo totalmente de contra-argumentar, ele foi polido e disse "discordo, mas hoje estou sem paciência para discutir". Essa, que era claramente uma deixa para eu me empenhar em mudar de assunto, só me fez persistir mais ainda em levar aquela conversa para os caminhos que eu queria percorrer.

Após minhas longas declarações e argumentos, comecei a descrever como era o signo de sagitário. Falei das características básicas, do que o signo gostava e do que odiava. E não contente, ainda tive a audácia de encerrar com um "claro, o signo é apenas um aspecto bem geral. Para você sentir mais afinidade com horóscopo, é preciso fazer o mapa astral, que é como os astros estavam posicionados no exato minuto do seu nascimento".

Não sei se por exaustão, por ter vacilado por um minuto ou por internamente ter admitido a derrota, o moço resolveu enfim perguntar: "qual seu signo?". E eu:

— Capricórnio com ascendente em Gêmeos. Muito prazer.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Diários

Reprodução/Pixabay
Sempre vi meus diários como uma forma de me retratar nas minhas diferentes fases. Toda vez que me obrigava a reservar um tempo para sentar e escrever, era comum me motivar com o argumento de que aqueles escritos me ajudariam a lembrar do que eu havia sido. Pensamentos, medos, acontecimentos, planos... isso tudo e mais um pouco sempre teve seu espaço reservado naquelas páginas. Por isso, foi bem traumático quando todos eles foram jogados fora.

Durante um tempo meus pais fizeram um pequeno teatro. Segundo eles, aquela velha caixa de papelão cheia de cadernos do ensino médio eram desnecessárias, ocupavam muito espaço e acabaram indo pro lixo por causa disso. Eu fiquei fora de mim quando soube e nós brigamos por dias, até que a minha mãe acabou confessando o real motivo de tudo ter sido jogado fora: eles haviam encontrado meus diários.

Antes mesmo de ter um diário propriamente dito, eu escrevia em folhas avulsas algumas cartas para os menininhos que eu gostava na escola. Ou então escrevia uma ou duas frases sobre como gostava deles na minha agenda. Mas, na minha família, a privacidade sempre foi um problema e meus pais sempre encontravam o que eu escrevia e até hoje me fazem lembrar de uma das cartas que escrevi para um tal de Caio declarando todo meu amor no auge dos meus 7 anos.

Por isso, quando minha mãe finalmente confessou que haviam encontrado meus diários, eu não tive dúvidas: eles tinham lido. Eu me lembro de me sentir petrificada porque nos meus textos eu era totalmente aberta com o que eu pensava e escrevia sem reservas. Depois do choque inicial, eu já estava enumerando mentalmente os textos que não poderiam nunca ter sido lidos, quando minha mãe explicou como tudo tinha acontecido.

A intenção não era jogar nada fora, já que ela queria apenas organizar as minhas coisas. Mas quando ela achou os cadernos, começou a ler e ficou horrorizada com o que eu havia escrito sobre o meu pai. Na adolescência, meu pai e eu sempre brigávamos e eu extravasava toda a raiva das discussões que eu nunca vencia lá nos diários. Minha mãe mostrou pro meu pai e ele acabou achando um texto onde eu falava sobre ela.

Nessa hora, minha mãe disse apenas que escolheu não ler porque não teria aguentado saber o que eu pensava dela, depois de eu ter escrito coisas tão horríveis sobre o meu pai. E, num acordo velado, todos decidiram jogar a caixa inteira fora.

Na época, minha reação foi bem egoísta e lembro de ter me sentido punida por me expressar, de forma sigilosa, sobre as coisas que eu pensava. E óbvio, eu achava a atitude deles muito errada. Por medo, demorei a voltar a escrever. E, quando escrevia, me autocensurava por receio de ser pega. E foi aí que meus diários ganharam um tom mais reflexivo e menos "julgador". Agora posso entender a reação dos meus pais, mas a falta que aqueles diários me fazem é sentida constantemente.

Apesar de ter escrito pouco desde 2012, que foi quando retomei a escrita em diário, vejo como os registros que fiz me ajudaram a tomar decisões importantes na minha vida. Hoje meu diário voltou a ser meu melhor amigo. Escrevo sem reservas e naquelas páginas sinto liberdade para falar sobre o que mais me aflige e também para refletir sobre os rumos que quero dar para a minha vida.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O que se conta

Reprodução/Pixabay

era uma vez uma menina-mulher que tinha por hábito deixar seu coração em cada esquina por onde passava.

e por ser esquecida, só depois de dar boas voltas é que se lembrava de pegá-lo de volta.

por recorrentemente esquecê-lo pelos cantos, sempre que voltava para buscá-lo encontrava-o cada vez mais cheio de vida, de experiências e de amor.

e assim viveu feliz para sempre.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Ruas escuras demais

Reprodução/Pexels
Descendo apressada pela rua, ela assusta outras mulheres no trajeto que faz de segunda à sexta – geralmente após às dez e meia da noite. A bolsa, as mãos e tudo o que traz consigo seguem agarradas, grudadas ao corpo, numa tentativa de criar para si um escudo de proteção contra os perigos da noite. 

“Leva um guarda-chuva”, aconselhou certa vez uma conhecida. Segundo essa lógica, ninguém chegaria perto de uma mulher aparentemente pronta para se defender. Mas ela, ao descer religiosamente a rua escura, nem sempre encontrava o tempo fechado. E a sombrinha que trazia na bolsa certamente não lhe bastaria.

Por isso, prendia os cachos em um coque alto, atenta a todo o momento para que ele não se desfizesse.

Esse gesto que bem poderia ser daqueles que Machado de Assis atribuiria às peculiaridades de cada indivíduo era, na verdade, um gesto aprendido. Um gesto que a ligava a outras mulheres que diariamente descem e sobem ruas desertas. Ruas que, por mais postes que tenham, sempre são escuras demais. Nessas ruas, ela evitava as calçadas quando um carro estranho surgia como uma peça fora de contexto.

E foi na execução automática desse gesto aprendido que ela subestimou um outro gesto, um que era unicamente seu. Passou pelo casal que seguia no sentido contrário sem olhar nos olhos da garota.

Ela não percebeu que, ao contrário das mulheres que se assustavam com seus passos rápidos, aquela garota acompanhada tentava desesperadamente apenas ser percebida.
.
A notícia que ela leria no dia seguinte citaria o local, o horário e o fato - como uma boa notícia sabe informar. Mas através dessa notícia, o leitor comum não seria capaz de supor todos os aspectos que aproximavam diariamente as diferentes mulheres que sobem e descem ruas desertas.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Compartilhar momentos

Reprodução / Pexels

A vida é uma eterna escolha entre compartilhar ou não momentos e experiências com as pessoas que cruzam nosso caminho. E todas as escolhas têm consequências, que podem ser banais ou ser daquelas que te acordam no meio da madrugada e te fazem escrever um texto - claro, depois de ter passado o dia refletindo sobre o que fez e não conseguir categorizar a decisão tomada como coisas das quais vai se arrepender de ter feito ou  não.

Escolher é difícil porque deixar uma experiência simplesmente "passar" por vontade própria nem sempre significa dormir bem a noite. O medo de não arriscar ou a sensação de que você não viveu algo que gostaria por medo de se machucar também podem ser companheiros bastante frequentes madrugada adentro.

Não tem jeito. Escolher viver algo ou não tem seus efeitos em nós. No entanto, uma das consequências de qualquer experiência, seja ela boa ou não, é sempre o aprendizado.

sábado, 7 de abril de 2018

Uma playlist viciante se você fosse eu

Depois de ter enrolado até o último minuto para postar ontem, quase tive que usar minha cartada mágica nesse rolê chamado BEDA. Hoje, porém, o cenário é o mesmo, o que me faz usar meu ás da manga bem mais rápido do que eu esperava.

Vamos de lista das músicas que tenho ouvido repetidamente nos últimos ~tempos~:

Sweet Child O' Mine - Guns N' Roses



Tudo começou com meu vício passado (Sweet Dreams). Daí resolvi, em um dia de preguiça, digitar apenas "sweet" no Spotify e ver o que rolava. Desde então, tenho abalado os ouvidos dos moradores dessa residência estudantil, afinal que graça tem ouvir Guns N' Roses no fone de ouvido quando você  pode deixar tocar em um volume consideravelmente alto, não é mesmo?

Semilla en la tierra - Carlos Chaouen



Essa é a mais recente desse conjunto de músicas que tenho ouvido repetidas vezes. Um  @ me indicou depois que eu apresentei Ignácio Copani para ele. Achei a troca bem justa e, inclusive, estou lutando contra a vontade de tuitar todos os versos da canção.

Blank Space - Taylor Swift




Eu, que me julgava do time Katy Perry, senti o cuspe dado para cima cair bem no meio da testa desde que ouvi essa música da Taylor. Agora apenas nutro o sonho de fazer uma música para enviar para os boys com um aviso sobre como é se relacionar comigo hahahahahahahaha não é brincadeira.

Vou desafiar você - Sapão



Em tempos de intercâmbio é impossível não ter um funk na lista tudo culpa dos poloneses. Então, como estou meio enjoada de Anitta porque TODO O TEMPO TEM ANITTA NAS PLAYLISTS ironicamente isso não se aplica nas festas, eu acabei viciando nesse funk gostosinho que desafia você hahaha. Claro, essa música também tem sido uma boa desculpa para eu aperfeiçoar meu quadradinho.

Love on the brain - Rihanna



Tudo começou em São Paulo antes de viajar, quando me despedia de um dos meus amigos, bem no Mc Donalds. Do nada começou a tocar essa música e juntos decidimos que ela era perfeita para esperar pela chegada do fim do mundo, caso ele fosse catastrófico e envolvesse explosões e maremotos (???????). Que brisa, mas aconselho manter por perto amigos assim hahaha. Daí, com ajuda do Google, descobrimos que era a diva Rihanna que cantava e eu apenas me apaixonei mais ainda pela música. 
.
No fim, até que gostei de fazer esse texto hoje. Não tinha muitas esperanças, mas achei divertido o resultado final. Ah, ouçam as músicas!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sobre agendas, Marília Gabriela e o BEDA

Hoje eu cogitei seriamente desistir do BEDA e ainda são 18h30. Você deve estar se perguntando "como assim? por que desistir tão rápido????" mentira, você não deve estar se perguntando nada, porém eu vou fingir que sim só na minha cabeça, ok? e o motivo é bem claro: PREGUIÇA.

Ademais de ver novelas mexicanas e cantar músicas das primeiras décadas do século XXI, fiz nada de útil hoje. Se bem que tenho uma amiga que diz que isso de fazer coisas úteis é só uma forma da gente se cobrar sem motivo aparente. Eu acredito, concordo com ela, mas listas são minha vida, me cobrar para fazer ~coisas úteis~ é minha forma de viver. 

E isso por culpa da Marília Gabriela. Sim, culpa dela! Ou seria minha culpa já que fui eu que fui ver o programa/entrevista onde ela disse verdades que nem eram verdades, mas que não importa se eram verdades já que foi o suficiente para me marcarem???? Uma vez assisti um vídeo onde ela dizia que criou o hábito de ter uma agenda para saber se o dia dela era produtivo ou não. Gente, por que fui ver esse vídeo??????? O motivo de eu ter agenda é totalmente, inteiramente e completamente baseado nesse argumento de Marília Gabriela!

Daí penso, como esse ser humano que me influenciou a ter agenda pode dar declarações como essa abaixo??!!:


Eu nem queria escrever sobre isso, na verdade. A intenção era fazer uma introduçãozinha e tacar link de vídeos de YouTube com as músicas que tenho ouvido insistentemente nas últimas semanas, mas fluiu esse outro assunto e, me desculpem, mas vou manter essa carta dos vídeos na manga para usar quando me apetecer (ahhh, esse verbo faz estragos em mim hahahaha).

(Agora preciso arranjar um jeito de começar uma conclusão decente, já que preciso me arrumar para uma festa que vai ter e ganhei ingresso. Citando a festa por motivos de será a única coisa útil que vou fazer no meu dia hoje).

A conclusão é: não assistam Marília Gabriela, ela tem umas ideias que você apenas vai na dela e, quando vê, tem um planner do Karl Marx onde você anota as coisas que fez e fica avaliando demais quão útil seu dia foi.

É isso que temos para hoje. Andressa, não se cobre julgando esse post, mesmo que você saiba que só está postando ele por causa do BEDA. Desculpa, BEDA. Desculpa, internet. Fiz o menos pior que pude talvez a ideia dos vídeos fosse mais decente.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Fica calma, respira e faz uma lista

Reprodução/Pexels
Sempre gostei de planejar as coisas e, de fato, posso dizer que me divirto fazendo listas e planilhas. Isso me deixa mais leve porque ver tudo aquilo que eu preciso fazer organizado em um único lugar me acalma. Claro que essa leveza toda some quando eu estou tentando zerar a lista ou na correria entre um item e outro. Normal na minha vida.

Apesar de eu não gostar desse que julgo ser um traço da minha personalidade, essa foi a forma que encontrei para lidar com as cobranças e responsabilidades do dia-a-dia. E, embora eu me sinta pressionada por esses afazeres enumerados, listas e planilhas me ajudam a vislumbrar uma espécie de futuro próximo.

Mas, claro, elas não são milagrosas. Nem mesmo as listas mais completas são capazes de fazer desaparecer toda a indecisão sobre o futuro: onde vou morar? o que vou fazer quando terminar a faculdade? em que área do jornalismo devo apostar? Essas e outras perguntas simplesmente rodam e rodam na minha cabeça quando deito na cama e tento dormir. Meu coração acelera, eu tento respirar pausadamente e, muitas vezes, me pego abrindo e fechando os olhos no meio da noite na tentativa de afugentar esses pensamentos. Não é fácil.

O futuro me assusta e, pela conversa que tenho com amigos e familiares, vejo que com eles não é diferente. Apesar do presente ser maravilhoso, me assusta a ideia de viver os próximos 10 anos de forma que eles se assemelhem a borrões ou grandes vácuos na minha memória. Me assusta a ideia de pensar "mas o que eu fiz da minha vida?". Me assusta isso de não saber.

Tem horas em que eu acho bem bobos esses medos e até consigo rir, mas tem outras em que eles quase me engolem e eu sou forçada a organizar meus pensamentos. Esses mesmos medos fazem emergir questões que já tenho bem resolvidas em mim e eu só fico: "mas qual motivo de eu estar pensando nisso de novo???". Pegadinhas do subconsciente.

Hoje eu me vejo em uma espécie de jornada de autoconhecimento e isso tem feito com que eu me interesse cada vez mais por coisas que permitam uma compreensão maior do meu corpo e mente - como horóscopo, mapa astral, tarot, ioga etc. Tem sido tão enriquecedor e bom ao mesmo tempo que eu me sinto no caminho certo apenas por estar me conhecendo mais.
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Esse é mais um post do BEDA e, apesar de estar na lista de temas que me programei para escrever, essa programação já está quase ruindo. Vamos levando e ver no que dá.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O que fazer com o amor interrompido?

Reprodução/Google Images
O amor veio, sentou comigo e disse "não podemos nos demorar aqui". Mas nós conversamos, nos distraímos em meio a vida que teimou em acontecer e quando o amor disse que era tarde, que precisávamos realmente ir, eu ofereci café a ele. "Vamos ficar mais 5 minutos", pedi. Mas ele tinha compromisso e me disse que eu também.

O amor se levantou, andou e eu o vi virar a esquina até perdê-lo de vista, enquanto eu permaneci sentada, esperando ele voltar.

Vez ou outra, um rosto desconhecido passava e eu chegava a jurar que era o amor voltando. Vez ou outra sentimentos desconhecidos se sentaram ao meu lado e eu fingia que era o amor ali.

Até que um dia eu decidi chamar o amor. Para minha surpresa, ele voltou, mas disse que não poderia se sentar de novo comigo: eu já tinha passado da hora de levantar.

Foi difícil, no começo. Tive a sensação louca de que minhas pernas não queriam me obedecer, mas resolvemos seguir mesmo assim, o amor e eu.

Ainda me lembro daquele banco onde fiquei sentada tempo demais... eu pensava que teria saudade de ficar sentada, que sentiria falta do lugar e da vista, assim como senti quando o amor se foi. Mas não. Seguir andando em boa companhia tem me feito apreciar a vista com mais intensidade, afinal de contas ela muda a cada passo.

Às vezes encontro outros bancos e penso em como seria se eu voltasse a me sentar, a ter a tranquilidade de ver a mesma paisagem e poder descansar os pés. Mas os pensamentos voam e logo o amor me aponta os muitos outros bancos a nossa volta.

Por ora, decidi seguir caminhando e, quando me sentar, quero me certificar de que o amor quer se sentar também.
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Esse post faz parte do BEDA, porém não foi escrito hoje. Ele é recente e estava no meu bloco de notas. Então, para não recorrer a maracutaias como ontem, escolhi essa saída mais digna. No mais, desisti do banner.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Justificando um mau poema


Abril começou
E do BEDA eu quis participar
Não demorou
E logo eu estava a me empolgar

Mas como já era esperado
Calculei mal meu tempo
E apesar do feriado
Eu fiz o post de hoje correndo

Agora estou esperançosa
De que o fuso horário esteja errado
Pra eu continuar dentro do prazo

Porém preciso ser honesta
Vacilei no compromisso
E é bem minha cara isso
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Mundo, perdão pelo meu poema. Ele só existe porque estou tentando manter uma participação (que nada tem de decente) nesse BEDA. Por ora também não temos banner. Sorry.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sobre amor, dor e leveza


Afinal, amar dói? Essa pergunta foi lançada em um grupo do Facebook que eu participo e eu me vi totalmente perdida e incapaz de opinar depois que percebi que os argumentos de ambos os lados faziam muito sentido pra mim. Foram abordadas tantas questões e eu fiquei pensando nisso por tanto tempo que decidi mais uma vez subverter a minha programação do BEDA e mudar o tema de última hora.

Agora voltando à pergunta - e depois de muito pensar - percebi que a chave da questão está na própria definição de amor. Ou melhor, na falta dela. Mas não uma falta qualquer e sim daquelas faltas que existem justamente porque a ideia é tão ampla que definir de forma exata sempre acaba limitando.

Talvez uma das mais famosas tentativas de descrever o amor seja o soneto "Amor é fogo que arde sem se ver". Nele, Camões nos diz que amar é ser eterna contradição, é constantemente lidar com opostos irreconciliáveis. Se usássemos o poema como base, teríamos o veredito de que sim, amar dói. Mas se a gente for analisar o que está por trás desse amar, vamos acabar justificando essa dor.

Partindo do pressuposto de que amar é algo como "pinçar" uma ou mais pessoas de um mundaréu de gente para tratar de modo, digamos, diferente, no sentido de conferir a essa pessoa certos privilégios que você não concede a mais ninguém, podemos entrar mais a fundo nesse debate. Amar, ao meu ver, é indissossiável da empatia. Amar, como disseram lá no grupo, é viver três, quatro vidas além da sua e sentir na pele cada uma delas. E isso, de fato, dói. E dói muito. Mas também não dói. Tem vezes que é bom demais, que chega a ser maravilhoso. E isso porque viver dói e não dói, assim, ao mesmo tempo. E quando dói é bem mais que uma dor de sofrimento, é aquela dor de aflição, de se importar com o que importa pra essa(s) outra(s) pessoa(s).

Mas e sobre a leveza do amor? Sobre ele ser naturalmente bom? Pensando sobre isso eu fiquei tipo "mas onde estabelecemos que o amor é leve ou que não é? Onde ele é bom? Bom pra quem?" A bondade é boa, já o amor é apenas o amor, repleto de suas contradições.

Confesso que pensar num amor bom e que tudo supera, tudo perdoa e dentro da tal da definição bíblica (também outra referência na hora de definir esse sentimento, vide Corinthios xx) me deixa meio desconfiada da veracidade disso tudo. Dentro da minha experiência pessoal, toda vez que usei essa definição de amor foi na tentativa de lidar com cagadas colossais que sumiriam sem maiores explicações ao serem revestidas pelo manto mágico do amor, esse sentimento nobre, altruísta e superior que tudo perdoa. E daí percebi que essa associação do amor ao bom é algo que em nada se assemelha ao que é humano. Essa definição está mais ligada à ideia de amor do que às manifestações e sensações amorosas na prática.

Mas nesse ponto o debate só está começando porque, afinal, é o amor que dói ou é o que fazemos com ele e a forma como lidamos com esse sentimento que acaba doendo? Dá pra amar sem levar um combo de outroa sentimentos na bagagem? Fica o questionamento porque sobre essa parte eu ainda não faço ideia.
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Nota: Esse post é o segundo do BEDA e ainda estamos sem o bannerzinho por motivos de cheguei agora de viagem e a última coisa que quero fazer é produzir banner. Andressa, compreenda esse momento e apenas aceite.

domingo, 1 de abril de 2018

Deadline


No susto, na correria, na pressão, em cima da hora: foi assim que decidi fazer meu primeiro BEDA. Apenas sentei, enquanto viajava de Madrid para Porto, e listei a maioria dos temas que queria escrever em cada dia.

E, parando para pensar nessa fase da minha vida, vejo como a maioria das coisas que fiz nos últimos três meses foram assim, sem pensar muito. Esse primeiro post foi pensado para ser um resumo sobre como é fazer intercâmbio, mas de última hora me veio essa vontade de falar como a vida às vezes nos impele a tomar decisões importantes em um tempo curtíssimo.

Minha tendência natural é pensar, pensar, planejar e pensar mais um pouco para ter cerca de 75% de certeza. Depois disso, eu também costumo arredondar as ideias e é nessa fase que muitas delas são eliminadas do universo de coisas que vou fazer na vida ou se transformam radicalmente em outras ideias depois de tanta mudança e ajuste. Só que a vida foi acontecendo e eu tive que aprender a agir mais e não só pensar.

Pensar é bom, planejar é ótimo, mas roteiro nenhum nos prepara para as surpresas do percurso. E eu geralmente ficava desesperada, tipo "como eu vou tomar a melhor decisão possível se eu nem sei quais são todas as decisões as quais eu tenho direito?". Sim, eu tinha pequenos surtos diários por coisas banais e quem convivia comigo me aguentava porque era dotado de paciência divina.

Hoje eu continuo cedendo à minha ânsia de planejar e organizar a vida, mas consigo conter o grito na garganta quando alguém propõe seguir o fluxo e "ver em que as coisas vão dar". Viver assim é louco e ousado para os meus padrões, porém tenho gostado. Apesar de não raramente eu me pegar pensando em me tornar expert em tomar as melhores decisões logo de cara, preciso confessar que aceitar meus erros e encarar tudo com mais leveza têm seus benefícios.

É verdade que mudamos, mas eu sempre pensei que as minhas mudanças seguiriam algum tipo de padrão lógico e se manteriam fiéis ao que eu acreditava ser a minha essência. Agora eu só sei que mudamos e que isso é tudo. Mudamos sem regras, sem lógica e até sem coerência. Apenas mudamos.
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Esse é o primeiro post do meu primeiro BEDA (Blog Every Day in April). Vou tentar fazer isso com decência e produzir um bannerzinho legal quando eu tiver com meu notebook em mãos.