quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Minha licença poética...


Eu poderia escrever belas palavras pra arrepiar seu coração. 
Poderia escrever tudo rimado, como numa canção.
Poderia fundar reinos, iludir, conquistar...
Poderia trair, desconfiar, vacilar. 
Poderia te ter preso no meu suspense... 
Poderia como posso! Não ouse nada, sequer pense! 

Poderia descrever meu dia como você nunca viu. 
E te fazer acreditar que o puro um dia, de fato, existiu. 

Poderia te passar uma idéia meiga de mim. 
Poderia também começar pelo fim... 

Poderia te narrar o horror com beleza. 
Poderia também inventar que "Pronto! Não existe mais tristeza."

Poderia te entregar o segredo que abre meu coração. 
E poderia fazer você me contar o seu. (Não duvide, não).

Poderia te fazer amar, imensamente, o azul. 
Poderia te levar, num segundo, ao pólo sul. 

Mas hoje eu não quero nada disso. 
Quero, antes de tudo, honrar nosso compromisso. 

Não quero que repare na minha estética ou estilo. 
Quero, na verdade, que te venha na mente a imagem de um esquilo. 

Pra quê? Já ouviu falar e licença poética? 
Quero rimar o que eu quero, é isso que me interessa.

Meu estilo é contradição, e é nele que minha escrita faz sentido. 
Preste atenção, fujo do ponto! Não ouça o que digo. 

E uso o que eu quiser usar, mesmo verbos errados. 
Não quero que pense que assim me ponho mais distante. Estou ao seu lado! 

Te aconselho, te mostro o caminho, você escolhe se quer seguir. 
E eu vou-me embora por onde vim... 

Agora tenho que sair.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Jogo de xadrez...


Já te disseram? Não, pois então eu digo: a vida é um jogo de xadrez! Em tudo o que fazemos devemos esperar nossa vez e essa nossa "reação", digamos, depende de uma ação anterior. Essa ação anterior não é nossa. Assim como num jogo de xadrez, não podemos fazer duas jogadas seguidas sem quebrar as regras e comprometer o jogo.

Jogamos. Mas a pessoa pode ser bem mais que uma: você pode jogar durante uma apresentação (seu público será a pessoa com quem joga). Devemos esperar que a pessoa com quem jogamos faça sua parte, e isso vale tanto pra interação (realizando algum trabalho, etc) como para a própria comunicação. Também vale no amor.

Então, o meu pedido é que você se concentre no jogo que tem em mãos e não deixe escapar a sua vez de jogar. Saiba que a pessoa que joga com você estará esperando sua vez passar para que ela volte a jogar novamente.
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Então, pergunto, essa não será a sua vez? Pense bem...

domingo, 31 de outubro de 2010

De pensamento e de vida...


Eu pensei ter andado tanto
que pensei estar cansada
Pensei que era demasiada
minha breve jornada.

Pensei num infinito
que se acabasse por inteiro
Pensei na despedida
que me arrasasse o corpo inteiro.

Pensei no rosa e existi
Pensei ter pensado
Por um longo tempo dormi
Mal percebi, já havia chegado.

Pensei, ingênua e inocente,
em coisas banais
Pensei "por que tanta gente?"
Pensei em botos, lendas, carnavais.

Pensei nos números amigos
Pensei nas letras envolventes
Pensei nos algarismos antigos,
nas palavras doces e quentes.

Pensei no amor pra vida inteira
Nas alegrias dos momentos
Pensei nas frases faceiras
pensei na anulação do sofrimento.

Pensei no depois
pra não pensar no agora.
Pensei, vivi e pensei
Mal percebi, fui embora.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O tempo certo de cada livro...



"Abramos o livro!", gritaram juntas em coro Ansiedade e Curiosidade quando, através dos olhos de X, viram-no. Inventaram mil aspirações, aspirações essas que não tardaram em passar à menina enquanto ela mirava com intensidade capa e contra-capa daquele tesouro que tinha em mãos; fizeram-na devorar, letra por letra, o título instigante. Venceram! X levou o livro.

Ansiedade e Curiosidade, imediatamente, levaram-na a lê-lo avidamente. E fez-se o desapontamento da pobre X... Não! Definitivamente não gostara do que lia, 'Deixemos de lado essas tais folhas banais...', disse, impetuosamente, Ansiedade. 'Mas, o que há em outras páginas não se compara ao que se encontra em suas cinco, seis páginas iniciais. Um simples rabisco põe o pé a porta com medo e insegurança, mas logo esse rabisco se desfará de toda timidez e surpreenderá a todos com o que nos dirá. Continue a ler, X!'

X, convencida, não pela argumentação de Curiosidade, mas por suas belas palavras empregadas tão habilmente, pôs-se a ler aquele livro contra sua própria vontade ou interesse. 'Em dois dias, no máximo, X terminará esse livro e estará livre para outro que lhe acrescente algo.' Ansiedade impôs a X um prazo que a menina não queria, mas prometera seguir.

Os dois dias se passaram, mas X não terminara o livro.

"Como não?", gritaram, perplexas, Curiosidade e Ansiedade, fazendo, assim, com que X, finalmente, ganhasse voz:

— Cada livro retira de nós algo antes de nos acrescentar conhecimento de mundo, coragem, perspectivas... E isso demanda tempo de nossas vidas. Pena não podê-las fazer entender o tempo certo de cada livro.
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Uma frase surgiu pra mim hoje e eu, tentei o melhor que pude, não deixá-la isolada. Organizei todas as outras apenas para servirem de suporte para que, no fim de tudo nos ajudassem a entender que é preciso que aproveitarmos ao máximo o tempo certo de cada livro.

domingo, 10 de outubro de 2010

Não sou melhor que minha mãe...



Não, não sou melhor que ela e também não sou melhor que muita gente que eu adoro criticar. Mesmo assim, critico. Pode-se até dizer que sou pior que ela e toda essa gente. Sou.

E venho aqui esclarecer isso antes que me ponham alva metida em vestes de santa. As palavras não são boas, nem adequadas, mas são essas.

E antes que algum de vocês intervenha nessa minha confissão com um "Não é isso que viemos aqui ler, querida!", usando de um tom aparentemente calmo que me deixe beirando a insanidade, eu declaro que é exatamente sobre isso que eu venho escrever.

Ah, e antes que você ouse pensar que minha declaração inicial vale somente para essa pessoa farsante que vos escreve, eu te descerei de seu pedestal, leitor. E se você ousar perguntar "Ah, mas por que escreves assim, dessa maneira tão grotesca?", eu faço o favor de te responder. Porque eu não quero que você se perca em lapsos e esqueça de tentar encontrar algo que te assemelhe a mim...
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Ainda mais quando esse algo que nos une é tão malvisto, não?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Devaneios de uma adolescente... (VI)

CAPÍTULO 6 - Aos leitores, uma explicação...

O que se escreve quando outra coisa toma sua mente por completo? Mesmo que essa coisa não tenha a mesma importância pra você, leitor, gostaria de compartilhar minha angústia do momento. Sim, eu o perdi! Ah, isso me estraçalha a alma. Tudo bem, tudo bem, eu sei que foge à narrativa, porém, como podemos contar histórias passadas quando histórias presentes nos afetam?

Ele estava comigo, era meu e, agora, talvez esteja perdido para sempre! Para sempre!
Oh, você compreenderá que essa expressão pesa muito quando ainda se é adolescente. Pra sempre é uma eternidade. Mas eu tenho, tive e terei muitas e muitas eternidades, muitos "para sempre"... você também.

Bom, chega de chateá-lo com minhas bobagens. Perdeu-se e pronto! O que posso fazer? Angustiar-me? Já o fiz. E muito. Prometo que continuo a narrativa noutro momento. Agora, vou correr para Lizzie. Ela sim, como sempre, me fará rir dessa situação. Até o próximo capítulo menos conturbado.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Impaciência minha de cada poema...


Não, não sei o que escrever!
E, quando isso acontece, fico assim
Escrevendo devaneios só pra mim
(Mas sempre publico pra você ler...)

Você tem mais o que fazer,
Eu sei. "Onde já se viu ser assim!
Trazendo seus devaneios para mim.
Acha que sou obrigado a ler?"

Não, não é. Então, me ajude aqui!
Me diga aonde se esconderam os verbos
Mas me diga o lugar certo
Pois informação errada só faz confundir...

E se não quiser, fica assim mesmo:
Eu finjo escrever poemas pra você,
Você finge se importar com o que lê
E eu fico assim, escrevendo a ermo...

domingo, 12 de setembro de 2010

Devaneios de uma adolescente... (V)

CAPÍTULO 5: Tenho poucas uvas no meu cacho...

Os amigos nunca foram muitos: contam-se nos dedos de uma só mão os nomes daqueles que já ouviram um segredo meu. Sempre fui reservada. Quando fazia amizade eu examinava a pessoa para minha própria segurança. No entanto, o coração sempre abre exceções. E Lizzie é uma delas. Nos conhecemos num dia frio e chuvoso quando eu andava tentando não deixar que a chuva molhasse o pouco que restava de mim para me considerar encharcada. Porém, se você preferir, pode me imaginar "travando uma luta com o mal tempo", como a própria Lizzie me descrevera depois na versão dela sobre nosso primeiro contato.

- Carona? - perguntei a ela, que se escondia debaixo de uma lona para não se molhar.

- Não posso recusar, ... Alíshia??

- É. Bom, então entra aqui debaixo. Não prometo que você chega seca, mas...

Nós rimos pra caramba. Eu ria mais. Não sabia sobre o quê falar com ela e, pensava eu, quanto mais rirmos, menos tempo sobra pra falar e ela chega mais rápido no... na... Mas, aonde ela estava indo mesmo? 

- Bom... indo, indo eu não estava. Sai um pouco pra olhar o dia. De repente ameaçou chover e eu corri pro primeiro lugar que vi. Estava ali há uns quinze minutos. Já ia voltar pra casa, mas começou a relampear e, bom... Eu não tenho nada pra fazer mesmo. 

Rimos de novo. Falei que eu estava indo tomar sorvete. 

- Nessa chuva?

- É, oras. O que tem de mais nisso?

- Nada, não. Ah, me paga um então.

Preciso dizer que rimos de novo? Bom, então está registrado mais uma vez. Não me lembro de mais detalhes depois disso. O que me vem desse dia é tudo de alto, abreviado e resumido.

Sentamos na sorveteria. Ela me disse que tinha sido assaltada. Eu fiquei séria, ela riu. 


Disse que o cara era um nojento mauricinho que estava tentando aparecer pros amigos "bandbobos" ("bando de bobos", ela tinha essa mania de comer sílabas). Riu de novo e me fez rir. Mostrou o joelho ralado e concluiu a façanha repetindo o que disse ao moleque: "Eu te conheço." 

Ela não conhecia.

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Quem quiser conferir os quatro primeiros capítulos, fique a vontade...

domingo, 5 de setembro de 2010

Querer...



O que eu quero agora é simplesmente o impossível. E, mesmo assim, eu insisto em querer. Porque o que eu quero agora nem eu mesma sei definir. Só sei que eu quero. Eu quero ao som dessa música viver eternamente, o eterno durar da melodia. Não importa quantas vezes terei de repetí-la de novo e de novo até criar o meu "para sempre". Ela será eterna, enquanto durar a minha necessidade de tê-la, de depender dela.

Eu quero intensidade de tudo. Quero a intensidade do drama, da tristeza, do amor, da paz, do silêncio, da agitação. Não me importo em ser contraditória. Quero opostos, e daí? Quero ser antenada. Em mim mesma. Fica agora a oportunidade de esclarecer meu pseudônimo. Eu quero o que me atrai.

Eu quero que as entrelinhas gritem o que eu quero dizer. Quero as reticências guardiãs dos meus mistérios. Eu quero o jogo das esfinges.
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Nada, no entanto, diz por completo tudo o que eu quero. Tenho que me contentar com o favor que as palavras me fazem...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Inconsolável...



Nada me consola dos textos que não escrevi. Nada! Tenha sido por faltar a ordem certa das palavras ou por não ter tido tempo (folhas à minha disposição não faltaram). O quê, então, me impediu de deixar registrados tantos e tantos pensamentos confusos que me ocorreram? Oh! cruel intervenção temporal! Oh! cruel falta de suporte tecnológico ao qual me vejo submissa. Por que não me livrei de tuas limitações e recorri às humildes e pacientes folhas? Por quê?

Vês como me deixas agora,(e isso te satisfaz!, não?) sem ordem a pôr ao assunto. Nada me acalentará dos tais textos que não escrevi, nada...nada...nada...nada...

É dessa maneira que me encontro, inconsolável, buscando me reconfortar através de outra ordem de palavras. Quem saberá se não há ordens e ordens de palavras para cada momento? Quem saberá se tais ordens só se fazem existir em momentos pré-determinados e que tudo conspira para que essas fugitivas se encontrem algemadas em hora e data marcada para serem, por uma ínfima parcela de existência, submissas a nós, seres mortais. Vejam! As imortais submissas a nós, que devaneio o meu...

Mas, e as ordens de palavras passadas? E aquelas que se deixaram afugentar, esperaram por mim além do que deveriam e agora se foram, não voltam mais? E elas? O resultado dessa desordem é a minha auto-flagelação, uma forma de me reparar ante às deusas que me dominam: duas possibilidades para título da minha dor. "Inconsolável" ou "Das Palavras"?
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Nada adiantará! Quero minha ordem perdida de palavras! Não as rejeitarei mais, mesmo cansada, a minutos de um novo dia, me ponho aqui, cativa a elas para pagar meu pecado de tê-las desprezado conscientemente.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Por você, palavra...



O que eu faria se o fim chegasse já?
O que eu faria se não pudesse te encontrar?
Se não tivesse tocado tua última nota?
Se te encontrasse fria, cálida, morta?...

Eu correria os caminhos calculados,
Navegaria os mares variados.
Sopraria o vento instintivo,
Buscaria, descalça, o primitivo...

Pra te encontar fugindo horas
Pra te implorar 'não vá embora!'
Pra te ter senhora de mim
Pra ter teu começo teu meio e nunca teu fim...
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Se quiser, o título deste poema também pode ser "Palavra Personificada"... Fica a seu critério...

domingo, 8 de agosto de 2010

Um dia ou Subjetivo...



Tudo o que é bom parece evaporar-se tão agilmente que, quando caímos em nós, percebemos que são 23h31 e muita coisa, em um dia especial, acabou por não ser dita. Talvez, não precisassem ser ditas, mas demonstradas, acredito que significa mais se colocado dessa forma...

Tantos e tantos feriados existem, alguns têm reconhecimento tal que mobilizam o mundo; outros um país, uma cidade...

Mas, a verdade é que tenho um dia, uma noite ou bem menos que isso, e não quero escrever de política, de assassinatos e muito menos desse dia. Não sei, parece que chegou e se foi tão padronizado, como qualquer dia comum. Percebam, estou esperando muito de um feriado...

Cada vez me sinto mais dentro do esquema, fazendo parte da grande massa, que tenho que escrever sobre o que tenho que escrever. É algo subjetivamente estrando, pois me obriga a ser delicada e tentar tocar o assunto sem, de fato, tocá-lo.

É como se, nesse fim de noite, eu viesse aqui cumprir uma obrigação que eu me imponho e tentasse, com todo custo, disfarçá-la ou desmerecê-la para não sei qual fim. Em outras palavras, não serei mais direta que isso.
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Pois, querendo ou não você entende, mesmo que levemente, acerca do que eu escrevo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Meu Infinito...



Se o infinito começasse agora
Preferiria um dia claro, embora
Minha convidada certa fosse a aurora,
Aquela, sem pressa, sem hora...

Comeria dúzias de amora
Mamãe diria 'não chora!,
Filhinha, a dor vai embora;
Vai sim, sem pressa, sem hora'...

Pisaria no pé da caipora
Com pintinhas vermelhas que nem catapora
Diria: 'lobisomem, onde você mora?
Vai sair? Então, me espera lá fora'...

Se o infinito começasse agora
Mamãe diria; 'não chora',
Pisaria no pé da caipora
Aquela, sem pressa, sem hora...

Agora a menina não chora, senhora!
Vai, vai logo embora!
Vê se não se desespera e chora
por não dominar mais minha aurora

Como fizera outrora...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Nada Dura Para Sempre...


Foi exatamente por essa imprevisibilidade (essa palavra existe?) de quando eu postaria sobre os livros que no lugar de "Livro da SEMANA" coloquei "Livro da VEZ".

Eu, realmente não me dou bem com rotinas, tempo cronometrado e afins. Mas, enfim, antes de partir ao comentário do livro, fico a fazer uma conexão de sentido entre minhas ações e esse título. "Nada dura para sempre", tudo, na vida, é uma fase que você precisa vivenciar para crescer como pessoa. Agora, vamos ao livro.

Faz algum tempo que o li e seu enredo é bem interessante. Escrito por Sidney Sheldon, famoso por seus bests-sellers, o enredo é pretensioso pois não usa o jogo de 'há um segredo no ar que o leitor precisa descobrir'; pelo contrário, nós vemos tudo do ponto-de-vista de vários personagens, somos leitores oniscientes. Mesmo a personagem principal, Paige, não é a única no qual o livro mantêm o foco (mesmo sendo ela, digamos, 'aquela que faz a história ir para frente').

Vou apenas sublinhar alguns pontos do romance ao invés de entregar o jogo. O ambiente criado no livro é o de um hospital (visualize Gray's Anatomy. Pronto? Então, vamos continuar). As únicas três residentes do sexo feminino no hospital moram juntas (racham o aluguel) e é basicamente assim que a história das três se entrelaça.

Vários temas são abordados, dentre eles a ética médica, eutanásia, a condição da mulher na sociedade, conquistando espaço antes destinado aos homens e, claro, como não falta em romance algum, temas como sexo e triângulo amoroso são explorados também. Mas, vale a pena ler, pois o autor teve um cuidado especial em relatar o ambiente médico de forma surpreendente (ele demonstra na escrita um conhecimento profundo a respeito desse ambiente, mesmo não sendo algo do seu cotidiano). E o título casa perfeitamente com tudo o que é relatado, pois quando você não vê saída possível no enredo (além é claro de uma pausa mais ou menos: 'então, esse foi um sonho..." ou "esse é um romance onde vacas voam e a personagem desaparece no ar", etc) acontece o inesperado que realmente mostra que nada é eternamente feliz ou triste, angustiante ou parado, apaixonante ou desvairado. Tudo continua, o mundo gira e a vida se refaz em várias faces de novo e de novo.

Enfim, está recomendado e comentado. É uma boa sugestão para quem resolver ler.
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Eu sei, eu sei. Ir de um livro me-ajude-a-estudar para um romance/best-seller é um salto e tanto. Vamos dar outro salto então...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Script...


Quantas vezes, durante nossos dias, nos conformamos seguindo um script? Parece que nada de novo há, que o que se vive é ensaiado e que não há permissão do diretor da peça da vida para que improvisemos. Então, nos vemos conformados, seguindo um papel que não nos agrada porque é difícil sermos nós mesmos. Não há ânimo capaz de nos fazer ousar. Então, seguimos o script.

Noutras vezes há oportunidade para que sejamos o que, de fato, somos e improvisemos um pouco, mas a preguiça nos domina e acabamos, novamente, seguindo um papel pré-escrito para nós.

O palco é nosso! O que nos falta? Muitas vezes é a coragem que vacila. "O que vão pensar de mim se eu agir dessa maneira e não daquela?

Nos vemos inconformados, seguindo um papel que não nos agrada apenas para que outros nos aprovem. O ser humano e suas capacidades!

No entanto, haverá um momento único, um momento não previsto em script algum. Algo fora do padrão ao qual nos acostumamos. O que faremos?
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O que você fará? Bom, pergunte a si mesmo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Me mantenha olhando para baixo...



Se saio para comprar algo, dinheiro apertado, suado, poupado: me mantenha olhando pra baixo.
É sua tática mais cruel. Entro numa loja e percebo todos ao meu redor: cabeças erguidas ou abaixadas, todas em suas condições.
Me mantenha olhando pra baixo.
Você, não sei como, me conhece, me sonda e me mantém olhando pra baixo.
Seus preços, não posso pagar.
Seu luxo, só posso sonhar.
E, você, não sei como, ágil, esperto e atento me mantém olhando pra baixo.
Por um longo tempo, não percebo sua mensagem.
Por outro tempo não percebo o constrangimento em apontar o que quero.
Não percebo seus olhares, seu modo de me tratar, de me atender.
E você? Você me mantém olhando pra baixo.
Depois de um tempo breve saio da sua vista.
Penso, meu dinheiro!, continuo andando, tão suado!, ando mais, se foi todo!.
E você? Você somente pensa, ela quis o mais barato.
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E eu? Bom, eu entendo sua jogada,e entro, anos depois, noutra loja, disfarço olhando pra cima quando o que quero e o que posso está embaixo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Devaneios de uma adolescente... (IV)

CAPÍTULO 4: Subindo mais que o permitido...

Bem, por ter esse nome ouvia sempre algum trocadilho. Porém um, em especial, me fez querer desmentir essa babaquice que já me chateava há muito tempo. "Tu chegarás até este ponto e daqui não passarás", era a frase que mais me irritava. Com esse trecho bíblico faziam alusão ao fato de uma lichieira não ultrapassar, geralmente, os 12 metros de altura. 

Diziam sem dizer que eu não deveria sonhar mais alto do que eu poderia subir. Também diziam sem dizer que o melhor era eu traçar meus planos futuros abaixo desses 12 metros para que não quebrasse a cara. Eu não ouvi, ou melhor, fingi que não ouvi. Subi sem me importar que, quanto mais alto eu alçasse voo, mais dolorida seria a queda.

Devaneios de uma adolescente... (III)

CAPÍTULO 3 - Um nome quase de fruta...

Bom, deixe-me apresentar aos leitores o nome dado à minha pessoa: Alíshia. Bem, não posso negar que minha mãe é repleta de estrangeirismo e não poderia deixar escapar isso ao nome da prórpria filha. Um nome americano, inglês ou sei lá mais onde existe, sei porém que nunca escutei de um brasileiro nativo. Se você também nasceu no país do Carnaval e se chama assim, por favor, apresente-se! Sim, faça com que eu não me sinta tão única assim.

Mas, a verdade é que esse é um nome quase de fruta. Quem já ouviu falar da lichia? A Litchi chinesis, fruta originária da China, tem uma polpa semelhante àquela gelatinosa da uva, e sabor semelhante ao do coco. A própria fruta é uma mistura. Pois então, pega-se o nome de uma fruta estrangeira que tem caído no gosto dos brasileiros, põe-se S no lugar de C, acentua-se o primeiro I e você tem meu nome. Minha mãe e suas brincadeiras experimentais!
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(Esse é o terceiro capítulo de uma história fictícia, de minha autoria. Continuarei a postar minhas observações, meus poemas, contos dentre outros, tudo no seu devido tempo. Essa é apenas uma história que precisa sair de mim e ter vida própria. É por esse motivo que a trago até aqui, pois sei que nesse solo ela terá o necessário para amadurecer. Fica, então, meu devaneio tentando tomar forma de história com início, meio e fim. O título é o mesmo do blog. 

Para os interessados, deixarei todos os capítulos com o mesmo marcador (Devaneios...).

Boa leitura a todos!

Devaneios de uma adolescente... (I e II)

CAPÍTULO 1 - Apresentação...

É, a vida é mesmo essa. A gente espera, anseia pelo futuro e, quando ele chega, frustra nossas expectativas e nos faz desejar novamente o antigo. E é exatamente isso que tem acontecido comigo. Bem, puxe uma cadeira, sente e leia: a história é longa! Mas pode acabar não sendo. Tudo isso depende do acaso, de como me sentirei ao confessar meus segredos. Mas vamos começar com algo alegre, só para quebrar esse clima de monotonia que pairou no ar. Vamos começar com algo que todo mundo quer muito saber. Então o próximo capítulo será dedicado a isso.


CAPÍTULO 2 - O que vem é do céu...

Confesso! Confesso a culpa de confiar demais em mim mesma. Confesso que não sei ouvir os outros quando não estou afim. Confesso que estou tentando andar com minhas próprias pernas, mas tenho caído constantemente. Confesso que a palavra DESISTIR quer se tornar a única do meu recém dicionário da vida. 

Eu estava na sala, recostada no sofá, ouvindo "Eu só quero saber em qual rua a minha vida vai encostar na sua...", mas meu pensamento estava muito longe do AMOR. Meus pensamentos beiravam o ORGULHO. Orgulho do que estava por vir: a independência! E como eu a esperava. Eu queria tanto, mas tanto ser, como dizem, "dona do meu próprio nariz" e isso pra mim significava fazer o que eu quisesse. Para isso eu precisava de dinheiro. Disso você já deve imaginar o que eu fiz: eu busquei por um emprego. Como disse, meus pensamentos beiravam o orgulho, sendo assim eu não me rebaixaria implorando aos meus pais um dinheiro que eu mesma era capaz de conseguir sozinha. 


Sim, eu era capaz!

E como prometi que esse capítulo seria sobre algo que muitos querem saber, então está aí: a exposição dos pensamentos íntimos e secretos, de algo que levou-me a ser ferida no lugar que mais doe: no meu orgulho. Mas eu estava cega: "o que vem é do céu", pensava erradamente. Pobre garotinha! Que tola eu fui!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Soneto de um momento...


Sou o vento, sou a brisa, sou farsante
corro ao tempo e sopro inverdades,
salpicadas com temperos de maldades
Pra, no fim, resignar-me ofegante.

Completissimamente iludida
permaneço mirando o abismo.
'Sou o vento', grita o falso otimismo;
Sou a brisa verdadeira e vendida.

Sou o vento que anuncia a sua morte.
A sua partida acabada e sem sorte
foi encerrada. Dê-me a mão, venha comigo.

Sou a brisa adorada pela terra,
sou aquela que na paz declara guerra
e vende a alma aliada ao inimigo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Palavras que ficarão em mim...


Somente as ouvi e elas, ágeis, perpassaram meus ouvidos, voaram até minha mente e foram descansar em meu coração. Há palavras tão danadas, tão doces e maliciosa ao mesmo tempo que surtem tal efeito. Ainda agora não as esqueço. Posso jurar que as escuto, ainda, ressoar ao meu ouvido: "Tem compromisso, moça?". Voz firme e deslizante de conquista e, mesmo a mente ágil, percebendo tal pretensão masculina, fez-se cega, surda e muda para deixar as palavras me alcançarem as emoções certas.

Mesmo efêmera, ao ouvi-las, posso sentir o que queria sentir naquele momento. Posso recriar em minha mente o ambiente, a iluminação, posso até me ver. Assim, sinto que meu espirito sai de mim, se afasta para contemplar a cena por completo; mas, ao mesmo tempo, está ali, participando, sentindo o toque e ouvindo uma voz de doce sinceridade e um olhar instigante.

Devaneios de uma adolescente! Doces devaneios! O real tem se fundido com o imaginário e o coração tenta deixar tudo mais colorido. E tem conseguido. "Tem compromisso, moça?", uma mão devagar aconchega-se na cintura, segue próxima a um olhar de 'posso?', funde-se com a voz e cria-se essa imensidão de sentimento. Imensidão disposta a admirar essas palavras. Imensidão de sensibilidade, de tremores.

Como mera mortal que sou, tentarei até o meu limite deixar registrada essa sensação. Essa mistura de tudo um pouco.

Homens! Criaturas opostas no sentido próprio da palavra. Homens, fazendo a travessia até o oposto, o atraente, o prazeroso. Dele, a coragem de realizar tal ato com desempenho que não me sai da mente. De mim, a capacidade de receber tal ato, sentir prazer dele e...
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E tentar descrevê-lo em palavras.

Não é preciso entender para vivenciar...



-Breve?

-Quem sabe longo, longuíssimo?

-Não. Breve! Ponto.

-Definitivamente, longo!

"Mas o quê, afinal?!", grita algo em mim.

(Sintético? Resumido? Simplificado? Breve!
Ou o recheio das idéias, das emoções, das palavras? Da ternura de um significado, do envolvimento de um som pronunciado? O quê, o quê? O longo que diga tudo e mais um pouco?)

-Não! O Breve. As entrelinhas.

(Ou a palavra explicando a palavra? Alguns 'ou seja', 'em outras palavras'?
Silêncio das Reticências?
Ou o esperneio das exclamações exageradas?)

-O simples. Direto. Certo. Calculado. Significativo.

(Ou o infinito das ponderações, das observações demasiadas, das colocações desmedidas, da imagem descrita com as mil palavras que se deva usar?)

Bem, o que quero agora é apenas o que me satisfaça...
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Breve? Ou o longo, longuíssimo?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Livro da Vez: Aprendendo Inteligência (parte II)

Bom, nesse post vamos continuar com o livro do prof° Pier e explanar sobre os dois tópicos restantes. Como já vimos a resposta para "Por que estudar?" e "Quando estudar?", partiremos para o próximo capítulo do livro.

  • Quanto estudar?
  • Como estudar?

Cada um tem um ritmo de estudo e, segundo o prof° Pier, esse ritmo só é descoberto com o tempo, no decorrer dos estudos. E, já que a prender é reter a informação para sempre, não adianta ler um livro de 500 páginas todos os dias pra no fim descobrir que fez apenas perder seu tempo. Ele, então, nos dá a dica de estudar 30 minutos e descansar 10 minutos, sendo que, nesses 10 minutos de descanso, não é recomendável ver TV, jogar videogame ou usar computador. Porém, como cada pessoa tem seu ritmo, esse tempo de estudo pode ser esticado para até 50 minutos consecutivos seguidos de 20 minutos de intervalo, no máximo.

Fica a dica também de tomar cuidado com uma coisa importante:

1. As armadilhas: Temos tendência a nos dedicar mais ao que gostamos do que ao que, de fato, precisamos saber. Ex: você é ótimo em Literatura, mas quando o assunto é Biologia a coisa fica estranha. Você, ao invés de se dedicar a estudar Biologia, pois está defasado na matéria, se prende cada vez mais à Literatura. Isso é um perigo.

Bom, você já sabe "Por que estudar", "Quando estudar" e "Quanto estudar". Você precisa então de um plano de ação. A dica é uma trajetória contínua, não pare seus estudos, se dedique. Você precisa entender que cada matéria terá seu próprio método de estudo. Matemática, por exemplo, exigirá de você uma base firme onde o conteúdo subsequente se arquitetará; já História não exige que você conheça o Egito Antigo para entender a Revolução Russa, por exemplo.
Seu cérebro aprende quando é estimulado. E o que o estimula? O difícil! Pois é, entre o fácil e o difícil escolha o que vai te trazer algum resultado, escolha o difícil.
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Bom, essa foi uma breve análise do livro. Se você se interessar, leia-o por completo, há muitíssimas informações interessantes. Esse é um livro divertido, descontraido e que traz muitas informações que fazem cair de uma vez por todas sua ficha. Fica aí a dica para os interessados.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Livro da Vez : Aprendendo Inteligência


Esse livro foi escrito por Pierluigi Piazzi, italiano que veio ao Brasil, pequeno ainda, com seus pais, movidos pela promessa de que este seria o país do futuro. Bom, está esperando até hoje. Nesse livro o prof° Pier discorre sobre o bem escasso do século XXI: a inteligência. Também responde a quatro perguntas básicas: Por que, Quando, Quanto e Como estudar. Vamos lá, então...
  • Por que estudar?
É necessário o estudo pois hoje, por dia, milhares e milhares de informações novas são criadas. O mundo muda e, para acompanhá-lo, é necessário que compreendamos essa mudança. Sem contar que hoje o mercado de trabalho não quer mais papéis e diplomas, mas sim inteligência, cultura e criatividade. O conselho do prof° Pier é "Estude Melhor", ao contrário do "Estude Mais" que crescemos ouvindo na escola, dos pais, parentes e de nós mesmos!
  • Quando estudar?
O objetivo de todo estudo deve ser sempre aprender. Mas, o que vemos no dia-a-dia, são alunos que, quando estudam, querem apenas "ir bem nas provas, tirar boas notas e passar de ano". Isso é muito errado, pois dá ao aluno a sensação de que sabe algo; porém, quando se estuda desse modo, o que fazem é manter provisoriamente informações no hipocampo (no livro, este é comparado a memória RAM de um computador). O hipocampo seria um espaço pequeno, provisório, no qual as informações, dificilmente sobrevivem a uma noite de sono. Ou seja, trabalho perdido!

O certo seria armazenar informações no córtex (no livro, comparado ao HD). Só pra se ter uma idéia do da dimensão, se uma pessoa estudasse 10 horas todos os dias, essa memória se esgotaria em, aproximadamente, 400 anos. O que achou?? Porém, é difícil escrever no córtex, por isso muitos alunos cedem à tentação da facilidade de se escrever no hipocampo.

As informações, no entanto, necessitam de certos requisitos para serem "salvas" no córtex:

1. Precisam estar ligadas a alguma emoção forte, significativa. Exemplos: alegria, felicidade, êxtase ou até mesmo tristeza, raiva. Porém, o que acontece é que as informações são recebidas com a maior indiferença. Isso é um grande problema. Esse requisito pede apenas que você se "ligue", de alguma forma (sentimental e não racional) ao que você estuda.

2. Informações são salvas durante o sono. Isso mesmo, nada de ficar virando noites e noites de estudo, pois não adiantará se seu cérebro não tiver um momento para processar a informação e salvar o conteúdo.

3. "Entender é na aula, aprender é em casa". Com isso você entende que precisa de um tempo pra estudar em casa e absorver o conteúdo. O professor tem por objetivo te fazer entender, aprender fica por sua conta. Deve-se estudar todos os dias, exemplo: quem vai ao cursinho, escola ou faculdade de manhã deve estudar à tarde.
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Continua no próximo post. Até lá, então...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O que o tédio me obriga a escrever...


Não quero uma sala lotada
De pessoas e conversas vazias
De risadas cruas, mortas, frias
E sentir no tudo a abundância do nada.

Não quero o canto das aves
Desenhando uma paisagem cinza
Não quero o 'vá logo!', o 'demora!', o 'ainda?'
Não quero ir ao céu por meio de naves.

Não quero uma rotina estabelecida
Onde o avesso seja dito certo
E me obrigue a deixar concreto
Um poema que nasceu sem vida.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tempo cronometrado pra minha idéia...


"A intenção da reforma ortográfica é tornar mais fácil a comunicação entre os países de língua portuguesa, para facilitar [nos] negócios, na comunicação etc etc", afirmou alguém no YAHOO. Não serei hipócrita ao ponto de alegar que sei de cor todas as regras gramaticais que vigoravam antes desse acordo. Porém, devo confessar que não me sinto nada à vontade em escrever idéia sem acento. Não sei bem o que é, mas sem acento e no plural ela se assemelha à palavra ideais. E eu não gosto disso. Toda vez que a vejo sem acento, parece que ela está despida, que algo está faltando. E não está?

Não posso me conformar com isso. Ninguém deveria se conformar com essa reforma ortográfica totalmente desnecessária. E é rumo a essa realidade que seguimos, a realidade de juntar tudo e fazer uma coisa só (meu conceito indignado de globalização). Ridículo! Qualquer um que tenha ouvidos saberá que nós, brasileiros, NÃO falamos como os portugueses, angolanos, moçambicanos, etc falam. E o pior de tudo é que essa unificação que a tal reforma propõe (e impõe) não nos alcança em nível algum a não ser o político (e, como nada nesse mundo é inocente, econômico).

O que dá a eles o direito de pensar que com essa reforma estão melhorando as coisas? Oras! Não sabem eles que por mais que todos os países lusófonos tenham o idioma em comum, cada um PENSA o mesmo idioma à sua maneira.

Em Portugal, por exemplo, vão tirar o C da palavra TECTO (que seria o nosso "teto", telhado). Porém, TETO sem o C, pra eles, já tem um significado, no caso, seria a nossa palavra TETA (seio). Agora, imaginem um português lendo: "O medo é a qualidade de quem não tira as teias de aranha do teto, temendo que o teto caia." (John Garland Pollard). Imagine o que ele pensará à princípio, vivendo uma vida inteira na qual essa palavra tem um significado bem diferente, convenhamos.

E então, como fica tudo isso? Nosso idioma está mais para a fusão de dialetos africanos, indígenas e europeus do que para o PORTUGUÊS propriamente dito. E, para comprovar o que eu escrevo, basta ouvir um angolano e um brasileiro falando. Quais deles mais se assemelham com o de Portugal? (momento "pergunta retórica" finalizado.)

Com isso, podemos perceber que a citação do início da postagem está equivocada por dois motivos:


1° Não torna mais fácil nem na língua falada...
2° E muito menos na língua escrita, pois cada país pensa o idioma de forma diferente.

E, então? O que fazemos? Ficamos parados e começamos agora a treinar nos posts a nova regra ortográfica? Ou nos negamos a fazer parte desse joguinho político? Estamos falando do modo gráfico do nosso idioma, a maneira como nos expressamos. Não quero sentir minha idéia incompleta e despida ao escrever uma IDEIA errada, que não me represente. Quero ter esse idioma nosso ao meu dispor, pronto a seguir qualquer regra dos meus devaneios. Eu quero meu idioma singular, único, mesclado com pés-de-moleque, sutiãs, xampus e laranjas.

Eu quero um idioma brasileiro...
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Eu quero o que já temos e estamos com o tempo contado pra perder.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Métodos de Estudo

É certo que na cabeça de muitos jovens há o impasse em relação ao futuro. Decisões precisam ser tomadas e, esse ano, pra muitos, é ano de vestibular e ENEM. A estrutura desse último mudou, como deve ser de conhecimento de grande parte dos interessados, e passou a ser mais exigente pois, além da leitura atenciosa cobrará também a bagagem de conhecimentos adquiridos durante o Ensino Médio. Sabemos, no entanto, que o ensino público é muito defasado e não supre o conteúdo exigido em avaliações e exames decisivos, como o ENEM.

Para lidar com isso, muitos estudam por fora e correm atrás de cursinhos pré-vestibular ou professores particulares. Outros, sem tantos recursos, partem pra bibliotecas públicas, parques ou locais sossegados para estudar e correr atrás do prejuízo.

Fica então, nesse meu post, algumas dicas de estudo. Espero que vocês gostem:


Vídeos da internet


Para aqueles que não têm tanta facilidade em estudar por conta própria e precisam de uma explicação para entenderem o conteúdo essa é uma boa dica. Busque no youtube por vídeos explicativos, por exemplo, sistema respiratório, trigonometria, meiose etc. Leia o conteúdo em algum livro e depois parta para explicações diferentes. Veja vários vídeos sobre o mesmo assunto e peça para alguma pessoa (professor, pai, amigo) te indicar algum vídeo que te ajude no tema que você pretende estudar.


Sites

Sim, busque informações em sites sérios que têm o intuito de te ajudar. Leia o conteúdo, busque por exercícios para que você mesmo possa resolver. Busque também por exercícios comentados, assim você pode perceber em quais termos você precisa complementar sua resposta e, desse modo, adquirir o conhecimento por completo. Algumas dicas são:

Dentre outros. Pesquise no google sobre um site para a matéria que você pretende estudar. Não esqueça de verificar se é um site seguro!


Curso Preparatório do ENEM e Atualidades (Guia do Estudante)

Os livros do Curso Preparatório são em 20 volumes, eles cobrem toda a carga curricular exigida no ENEM. Esse curso foi criado por professores qualificados que lecionam nas melhores escolas brasileiras. Há muita intertextualidade e os temas são esclarecidos de forma interessante e criativa. Vale a pena!
Já o Atualidades traz à discussão temas atuais, dicas sobre redação e muitas coisas que fazem a diferença na hora de realizar a prova. Ambos estão à venda nas bancas.


Mapas Mentais, Resumos-Esquemáticos, Fichas-Resumo...

Essas são técnicas para deixar resumido aquilo que é de extrema importância. Assim, você não precisa revisar todo o conteúdo novamente, basta dar uma olhadela nos resumos antes de dormir para que tudo fique sempre na cabeça e faça parte daquilo que você precisa ter na mente.


Visual, Auditivo ou Cinestésico?

Faça um teste para descobrir de qual modo você aprende mais: pela visão, pelo que você ouve ou por aquilo que você se vê envolvido e participa. Explore seu lado forte e estude baseando-se nesse lado, esse método vai te ajudar a ter fixado na mente o conteúdo que você necessitará. No próximo post eu disponibilizo o teste no blog.


Paródias

Sim, estude o conteúdo por músicas. Invente suas próprias paródias ou pegue na internet: há muitas no youtube e são bem feitas. A música tende a ficar gravada na mente. Substitua a letra normal por aquela com o conteúdo do tema. Se você é auditivo essa é uma opção muito, muito boa. Para quem gosta de música também é.


Interaja com seu conteúdo 24 horas

Assista filmes sobre os temas estudados, cole lembretes pela casa. Se estiver aprendendo inglês, cole papéis nos objetos com o nome correspondente em inglês. Se for química, realize experiências que te façam recordar o tema facilmente. Vá à museus, faça parte de grupos de estudos, leia e... durma bem todas as noites, pois o cérebro processa as informações recebidas durante o dia pela noite. No sono é que ele decide o que vai pra memória permanente e o que é deletado. Então, se interesse pelo tema, pois profissionais indicam que você tende a aprender mais facilmente aquilo que te interessa. Repita, repita e repita. Revise os conteúdos (com fichas-resumo) pois nosso cérebro aprende por repetição.
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Ficam aí as dicas. Se você quiser algum resultado, ponha algumas delas em prática. Pois, como disse alguém, a sorte acontece quando a preparação encontra oportunidade. Então, se prepare e faça sua sorte nesse vestibular!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Jeitinho Brasileiro...


Bom, não pense você que é algo muito longe, distante da sua realidade. Você se sente tentado por ele nas filas longas, quando está prestes a ser denunciado por alguém ou até quando quer "agilizar" umas coisinhas necessárias. Há jeitinhos e jeitinhos. Há aqueles que consideramos inofensivos e outros que condenamos. E, quem quiser trazer à memória um exemplo deste último, vale citar os desvios de donativos doados à Santa Catarina quando esta sofreu violentas enchentes.

O famoso "jeitinho brasileiro" não ousou ausentar-se de um momento importante da história do Brasil. Quem já não ouviu falar em Marechal Deodoro da Fonseca? Primeiro presidente da recém proclamada República que também sofreu por esse hábito nacional. Na tentativa de industrializar o Brasil, permitiu a "fabricação de dinheiro" pelos bancos, com a finalidade de emprestar aos interessados em iniciar o processo em solo nacional. E quem disse que deu certo? O resultado foi uma inflação louca pois, na verdade, o povo usou do "jeitinho" pra tirar proveito da situação. Você pode pensar: nossa, desde lá? Pois é. Mas vamos, antes de mais nada, às origens.

Bom, dizem as más línguas que o famoso "jeitinho" nada mais é que um presente trazido pelos portugueses. Consta na carta de Pero Vaz de Caminha muita adulação, toma-lá-dá-cá, nepotismo e até falsidade ideológica. A carta não faz menção alguma a tal "tempestade" que desviou a rota dos navios portugueses, então, como o povo pioneiro nas navegações, naquele século, se deixou desviar da sua rota às Índias? O que trouxe uma nação tão experiente em alto mar justamente pr'aqui, Brasil, se a tal tempestade não é citada em documentos históricos da época e nem no primeiro documento oficial do Brasil? O que os trouxe aqui numa época onde não se navegava mais sem uma rota estabelecida antes do levantar das âncoras? O quê? Mas, continuando...

Chegando aqui, portugueses encontram o cenário ideal para o tipo de sujeito que Sérgio Buarque de Holanda descreve como o Aventureiro. Esse era o tipo que sacia-se com o novo, o desconhecido, os grandes feitos, aquele que quer colher o fruto sem plantar a árvore. A época das grandes navegações era o período histórico ideal para a atuação desse tipo; o Brasil, o cenário perfeito: caloroso, amistoso, "desconhecido"... Sendo assim, o Trabalhador não teve participação muito ativa ao chegar aqui, pois esse era do perfil que funcionava quando havia rigidez e ordens a serem cumpridas. Se bem que, escrito dessa forma, até eu queria ser Aventureira.

Pra acentuar tudo isso, vêm nossas leis que, ao invés de conciliar o hábito diário do povo com as ordens que devemos cumprir como participantes de sociedade, estão mais para reinventar essa sociedade colocando-a, aos olhos da lei, como ideal, perfeita. Nunca a alcançamos. E, do jeito que o bonde anda, nunca a alcançaremos. Prática e teoria são muito, muito diferentes e isso só facilita o modo como se forma a cada dia jeitinhos e jeitinhos para driblar a lei instituída.

Não somos perfeitos...
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Mas não podemos usar sempre a frase "mas quem é?" para nos safarmos de uma solução.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Proposta Machadiana...


(...) "Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta."
Machado de Assis (Dom Casmurro - cap. LV - 'O Soneto').

Eis, então, minha tentativa:

A TROCA

Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Em meu coração uma flecha te acerta,
Sobe-me à cabeça, perpassas a porta aberta:
Sinta-te à vontade para realizar tua loucura...

Minh'alma encontra-te imersa em candura
E guia-te à mente vazia e deserta
Deixando-me a tal realidade incerta
À espera, impassível, da cena futura...

O vento anuncia tua altiva chegada
A natureza participa, totalmente extasiada
O que pode, leva consigo e, em seguida espalha...

Ao fim do ato, percebo-te resignada
Para ti o "PERMANECE" não significa mais nada:
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!...

Desses 14 versos, dois deles - o primeiro e o último - são de autoria de Machado de Assis. Fica então minha contribuição com a Literatura Brasileira...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

INFELISMENTE não vai estar dando...


Os céus são testemunhas do gelo que perpassa minha espinha quando ouço ou leio algum erro de português considerado gravíssimo. Claro, sei que nem todo mundo é formado em Letras mas, vamos fazer valer aquele diploma de conclusão do Ensino Médio ou o boletim escolar que comprova que sim, nós tivemos de cinco a seis aulas de Língua Portuguesa por semana por nada menos que 11 anos.

Também não estou aqui para julgar aqueles que, por um pequeno momento escreveram "BERINGELA" porque ficaram na dúvida se era com "J" ou "G" e, muito menos, os erros de digitação que nos fazem escrever "oPlhar" por engano e que, por mais incrível que pareça, passam desapercebidos quando fazemos a nossa revisão.

Claro, quem nunca cometeu um erro de português que atire a primeira pedra.
Mas sim, leitor, estou me referindo àqueles que insistem no erro mesmo quando nós perguntamos, perplexos: 'Pra MIM fazer? Não tem nada errado NISSO, não??'

Porém, o que me levou a postar hoje, com o coração na mão, foi o INFELISMENTE e o gerundismo exacerbado que tive que ouvir (quase surtando) hoje. Eu traduzia mentalmente cada "pra poder estar estudando" ou "pra poder estar aprendendo" que ouvia para manter a minha sanidade.
Aconteceu então que, uma alma que eu julgara bondosa, se pronunciou com essa: "Está faltando um 'FOI' na frase 'você reprovado pelo nosso sistema'. Eu, dentro de mim, exultava. Ah, por favor, perceba o INFELISMENTE!!! Mas... nada, nada mais que isso. Todas as palavras ali ela julgara agradável aos olhos e ouvidos. Criatura maldosa!

É, estou quase tendo um ataque por causa dos papéis que tenho em mãos. E isso se deve ao fato de conter tantos erros ortográficos cometidos por aqueles que se acham os tais. Por aqueles que acham que 11 anos tendo aulas de Língua Portuguesa foram somente pra passar o tempo e acredita[va]m piamente que você não usaria pra mais nada. E daí se está errado? E daí se o passado do verbo dizer é DISSESSE (com 4 S's e não com sc)?

INFELISMENTE, não vai estar dando mais pra aguentar isso calada. Ou falo pra poderem estar parando com isso ou me rendo a essa loucura verbal.
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Gramática, perdoe os Operadores de Telemarketing. Eles não sabem o que falam!

domingo, 11 de abril de 2010

Carpe Diem...


Eu estava em um lugar totalmente desconhecido, mas, em nenhum momento, me senti perdida. Eu não sabia mais o caminho de volta, pois outros pensamentos, desconexos e sem sentido, haviam tomado minha mente. Eu pensava em milhares de coisas e sequer sabia em qual rua deveria seguir. Eu perguntava as pessoas, confiante, dependente, e seguia para um lugar que eu não tinha mais em mente. De repente, meus lábios entoam: Carpe Diem!

A chuva veio. Ela, que havia parado há poucos minutos, retornava forte, decidida a me molhar. E eu somente seguia pra não sei aonde. Cheguei ao meu destino, totalmente molhada: meus pés nadavam dentro do meu tênis. E, mesmo assim, me vinham duas palavras: Carpe Diem!
No ônibus eu segui lendo, totalmente concentrada quando, de repente: Carpe Diem! Fechei o livro por alguns instantes e meu pensamento foi longe. Me dei conta de que eu nunca mais estaria ali, de novo, naquela liberdade, com a chuva gélida, com o tempo todo a meu dispôr, podendo seguir em qualquer rua sem ser escrava do tempo. Eu estava ali e podia tudo. O tempo podeira passar, eu não ligava; se ele quisesse parar, eu não daria a mínima.

Me dando conta disso, olhei perplexa para os lados e vi apreensão nas faces que me rodeavam. Todos ali, praguejando o mal tempo, totalmente submissos ao relógio que traziam em seus pulsos. E eu? Carpe Diem! O dia foi totalmente meu: com meus pensamentos, minha leitura, meu tênis molhado. Eu estava no paraíso terreno e me senti muito bem.

O presente é efêmero, talvez ele sequer exista. O que existe, na verdade, é uma sequência de atos, que tentamos aproveitar. Um dia esse esquema no qual as pessoas vivem, em pleno século XXI, vai bater a minha porta, vai entrar e, talvez, fiquemos sentados no sofá da sala enquanto ele me prenderá em suas teias através de um marketing bem feito. Talvez eu caia nele, como muitos. Talvez não. Só sei que uma pessoa disse uma vez: "a felicidade está nas coisas simples da vida", ela está num dia chuvoso e gélido no qual uma pessoa anda sem rumo. Ela está, também, à nossa porta, basta que ouçamos seu chamado, que a deixemos entrar e...
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... que aproveitemos o dia...