sexta-feira, 13 de março de 2015

Depois de Auschwitz


OBS: Livro lido e resenhado para o Reading Challenge 2015, referente a categoria Um livro de Memórias.

Etapa: 3 de 52


Terminei essa leitura em fevereiro e posso dizer que esse foi um dos livros  mais intensos que já li. Como o Nazismo é um dos temas que me instigam, não pude deixar de sentir a força do relato de uma sobrevivente do Holocausto. Compartilho agora a resenha aqui no blog.

Eva sobreviveu ao campo de concentração nazista. De uma família de quatro pessoas, apenas ela e sua mãe puderam escapar com vida do lugar para o qual judeus eram enviados para morrer. Depois desse acontecimento que deixou marcas profundas em sua personalidade, Eva nunca foi capaz de conversar com a mãe sobre essas experiências. E com ninguém mais.O seu passado era algo do qual ela não queria lembrar, justamente porque os acontecimentos daquela época roubaram-lhe pessoas muito queridas sem as quais Eva teve que continuar a viver.

Este livro vai na contramão do que é comum - ir do contexto geral para o individual -, justamente por se tratar de um relato pessoal. Fiquei surpreendida com a força do relato, pois nunca havia lido nenhum livro sobre sobreviventes do Holocausto. Tinha lido, claro, ficções, como O menino do Pijama Listrado, A menina que roubava livros e O filho de Ester; também li O Diário de Anne Frank e análises do período Nazista, como em Mulheres do Nazismo.  Mas nunca tinha parado para ler um relato de uma pessoa que sobreviveu ao inferno do Holocausto, tendo que reaprender a viver em pleno mundo conturbado do pós-guerra e cheio de preconceito. E, apesar de entrevistas e filmes contextualizarem esse período, alguns até sobre a perspectiva de sobreviventes - como O Pianista, por exemplo -, o impacto de ter acesso ao relato sob a perspectiva de quem vivenciou esse genocídio e sobreviveu é avassalador. 

Mais tarde, Eva Schloss se tornaria a irmã póstuma de Anne Frank, após sua mãe casar-se com Otto Frank. E, em meio ao trabalho de Otto para não deixar a mensagem de Anne ser esquecida, é que Eva, muitos anos depois, consegue encontrar uma maneira de contar sua própria história como sobrevivente.  

A autora já tinha um livro publicado anteriormente, chamado A história de Eva, que fala sobre suas experiências no campo de concentração. Em Depois de Auschwitz, no entanto, ela fala de sua família - seu pai e irmão, ambos mortos - fazendo com que suas memórias não sejam esquecidas. Nessa segunda obra, Eva também traz a perspectiva de sua vida após a libertação dos campos de concentração pelo Exército Vermelho e como foi reaprender a viver.

Se você leu a resenha até aqui, espero de verdade que leia esse livro. A humanidade tem um lado perverso que chega a ser inacreditável, e é por esse motivo que relatos como o de Eva servem para termos uma memória e consciência histórica, evitando que o mesmo erro seja cometido ou aprendendo a criar forças para intervir, se for necessário. Recomendado.

Autora: Eva Schloss
Editora: Universo dos Livros
IBSN: 9788579305399
Páginas: 304
Edição: 
Ano: 2013