sábado, 15 de fevereiro de 2014

TAG: Primeiro e Último

Olá, pessoal.

Hoje vou responder a uma tag muito bacana que a Lerissa do blog No Matter What me indicou há um tempo. Essa tag também não tem uma imagem, então eu fiz uma (olha, estou gostando disso, hehehe):




Meu Primeiro Livro: Por causa desse livro eu tenho hoje uma visão de quão importante é ter livros direcionados para todas as idades. Mas livros inteligentes e com conteúdo.
Quando ganhei esse livro da escola eu tinha 7 anos - nessa altura eu já tinha tido contato com outros livros, mas nenhum que marcou minha memória. Lembro que ele era composto de histórias curtas de autores diferentes e que simplesmente fiquei fissurada no conto Elefantes, de Marcelo Coelho. Perdi meu primeiro exemplar e, anos depois eu encontrei o livro numa relação para ser doada para os alunos na escola. Não sei o que aconteceu, mas o perdi de novo.



Meu Último Livro: Estou lendo agora As Brumas de Avalon - A Senhora da
Magia. Esse livro também tem uma história. Ele foi recomendação de uma professora que insistia sempre para que a classe lesse a saga porque ela queria que dividíssemos nossas impressões da leitura com ela. Bom, 4 anos depois eu o comecei, rsrs.. Há livros que estão na nossa vida e, cedo ou tarde, entrarão para nossa lista de lidos. Será isso destino ou conspiração do universo? Talvez os livros nos marquem em suas memórias e nos "persigam" até serem lidos. Será ou viajei? Rsrs...



As regras são:
# Falar sobre o primeiro e o último livro que você leu na vida;
# Responder as perguntas (que são padrão);
# Indicar somente aqueles blogs que você gostaria de ler a resposta (ou seja, não tem um número mínimo ou máximo).

Perguntas:
1. Já comprou algum livro pela capa?
R: Nunca comprei livros assim, sempre leio a sinopse antes ou então, quando possível, leio também a contracapa. Mas eu já troquei livros pela capa. Sabe feiras de troca de livros? Então, troquei uma vez por "Nada Dura Para Sempre - Sidney Sheldon", com essa capa aqui

2. Gosta de literatura brasileira?
R: Sim, gosto muito. O primeiro livro de literatura brasileira consagrada que li foi do José de Alencar (Cinco minutos). Daí, quando mais tarde assisti "O homem que copiava" eu fiquei vendo uma relação entre essas duas criações. Gosto de Machado de Assis que, para mim, é simplesmente genial. Gosto das obras da Clarice, embora não goste da Clarice, rsrs...

3. Tem o costume de ler e-books? Porquê?
R: Costume não. Estou lendo um atualmente e é bem difícil porque eu tenho que estar com um computador, note ou tablet para seguir a leitura. Como leio mais em ônibus, isso é bem difícil.

4. Prefere ler sagas ou livros únicos?
R: Eu leio por causa dos temas. Mas, pensando por outro lado, a saga prolonga mais a história e, às vezes, te acompanha por mais tempo que os livros únicos. 

5. Já deixou ou esqueceu de fazer algo de tão concentrado/a que estava em uma leitura?
R: Já, rsrsrs, e isso foi engraçado. Esqueci de olhar pra frente enquanto andava. Resultado: bati com a cabeça no poste do ponto de ônibus. Estava lendo Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban. Se isso me fez aprender algo ou mudar os hábitos? Não, não. Os livros valem a dor, mas eu tenho sorte e isso não nunca mais tive esse acidente.

Blogs para os quais repasso a tag:

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O primo Basílio



Sem mais delongas, dou início ao Desafio Literário Skoob 2014. Para o mês de janeiro reservei livros que simplesmente gostei demais. Cumpri a proposta lendo livros que foram adaptados para o cinema e hoje trago a resenha de um deles. 

Minha primeira leitura para o desafio foi "O Primo Basílio". Como já tinha essa obra na minha estante e fazia muito tempo que eu adiava a leitura, resolvi iniciar com ele. Esta obra é muito recomendada para os vestibulares da vida, sendo leitura obrigatória para estudantes do ensino médio. Após a leitura eu gostei bastante da escrita do autor português, me envolvi com o enredo, aprendi mais sobre uma época e quero compartilhar com vocês alguns dos pontos interessantes que achei.

Sendo uma obra bastante rica, merece ser analisada em diferentes aspectos, até para possibilitar um conhecimento mais profundo, do que simplesmente focar no enredo.

A CAPA - Fazendo referência ao que eu interpretei como um salão de baile ou algum lugar de interação social, a capa revela a figura de uma mulher que parece muito vaga. Interpreto essa mulher não como Luísa (uma das personagens principais), mas como uma representação da classe feminina burguesa de Lisboa daquela época. Essa contraposição da imagem com o título do livro (O primo Basílio) só faz reforçar a importância que essa classe (feminina burguesa representada por Luísa) terá ao ser representada no livro, colaborando para seu desfecho. Tenho que dizer que gostei bastante dessa proposta da capa?

O AUTOR - Morto em 1900 aos 59 anos, Eça de Queirós foi um escritor português que sofreu das
influências do Romantismo quando começou a escrever. Nesse período ele ainda aperfeiçoava seu estilo para entrar com o pé direito na corrente realista-naturalista. Das obras que mais se destacam nesse período temos "O primo Basílio" e "O crime do padre Amaro", além de "Os maias".

A RESENHA - O foco principal do livro é o adultério. Para passar aos leitores uma visão da hipocrisia social da época, Eça se aprofunda em uma narrativa em terceira pessoa referente a uma parcela da social, como em uma "amostra". Essa célula seria composta por Luísa, seu marido Jorge, os amigos da família com maior destaque em Sebastião, além de Basílio e Juliana, esta última é a empregada. Ele faz um recorte de um núcleo social sobre o qual, digamos, coloca uma lente de aumento, para mostrar aos leitores que nem tudo é o que parece ser. Através dos esteriótipos aceitos pela sociedade lisboeta da época, Eça representa fielmente tanto a burguesia quando o proletariado.

Tudo acontece com a ausência de Jorge. O primo de Luísa, ex noivo, chega de Paris e procura por ela para uma aventurazinha. Ao encontrá-lo diversas vezes em sua casa na ausência do marido, o primo vai seduzindo Luísa que, pouco a pouco, rompe com o pudor reservado às mulheres de bem.
Contando com uma vizinhança fofoqueira e intrometida, Luísa começa a ter sua reputação comprometida ao mesmo passo em que vai se envolvendo com Basílio.

Os amigos da família, principalmente Sebastião, tenta alertá-la sobre a vizinhança, pois para esses amigos ela é uma vítima das más línguas que buscam algum pretexto para terem do que falar. Mas Luísa, em toda a futilidade de sua vida, não conseguia ver o contexto como um todo.

Esse envolvimento de Luísa vai sendo observado e até esperado por Juliana, a empregada, que nos é apresentada como uma pessoa rancorosa e que deseja apenas uma situação a qual possa explorar para se dar bem. Mas, durante essa primeira impressão, é bom relembrar o estilo de Eça e não se perder nessas aparências iniciais sobre Juliana. Eça costuma retratar as observações da sociedade em toda sua hipocrisia e a luta entre as classes sociais. Juliana, após ser esmagada em uma realidade reservada à sua classe, vê no deslize de Luísa sua única maneira de ter como sobreviver durante a velhice, quando for dispensada por não mais poder servir. E como a saúde não lhe ajuda, a empregada apenas aguarda o momento de dar o bote.

Os acontecimentos são a princípio o que se espera. O autor dá bastante corda para Luísa ao passo que a não cautela dela oferece provas à Juliana da falha da patroa. Provas que Juliana não exitara em barganhar. A partir do episódio que revela que a empregada está com as cartas trocadas pelos dois amantes, vamos conhecendo o outro lado de cada personagem: o quanto Luísa está disposta a ir para que seu marido não saiba, a atitude de Basílio referente aos acontecimentos, o quão longe pode chegar as inversões de papeis, a lealdade dos amigos.

MINHAS IMPRESSÕES - Um livro realmente ótimo. Primeiro para entender o papel da mulher na sociedade e o quanto a reputação feminina e as aparências eram as coisas mais sagradas. Essa é realmente uma obra riquíssima. Eça é minucioso ao descrever os ambientes tanto literal quanto figuradamente o que é um banquete para a imaginação. Sem falar em como as características do Realismo estão presentes no livro. Super recomendo essa obra.
E, claro que, após a leitura, não resisti e vi o filme pelo YouTube. O que eu achei? Livro dá de 10 a 0 no filme. Gostei da interpretação e tudo, mas as adaptações que foram feitas realmente não me agradaram muito. O foco continuou sobre o adultério, mas perdeu todo o brilho que me encantou durante a leitura.

Autor: Eça de Queirós 
Editora: Klick/Estadão
IBSN: 9788577990948
Páginas: 463
Edição: 
Ano: 1997