quinta-feira, 27 de maio de 2010

Jeitinho Brasileiro...


Bom, não pense você que é algo muito longe, distante da sua realidade. Você se sente tentado por ele nas filas longas, quando está prestes a ser denunciado por alguém ou até quando quer "agilizar" umas coisinhas necessárias. Há jeitinhos e jeitinhos. Há aqueles que consideramos inofensivos e outros que condenamos. E, quem quiser trazer à memória um exemplo deste último, vale citar os desvios de donativos doados à Santa Catarina quando esta sofreu violentas enchentes.

O famoso "jeitinho brasileiro" não ousou ausentar-se de um momento importante da história do Brasil. Quem já não ouviu falar em Marechal Deodoro da Fonseca? Primeiro presidente da recém proclamada República que também sofreu por esse hábito nacional. Na tentativa de industrializar o Brasil, permitiu a "fabricação de dinheiro" pelos bancos, com a finalidade de emprestar aos interessados em iniciar o processo em solo nacional. E quem disse que deu certo? O resultado foi uma inflação louca pois, na verdade, o povo usou do "jeitinho" pra tirar proveito da situação. Você pode pensar: nossa, desde lá? Pois é. Mas vamos, antes de mais nada, às origens.

Bom, dizem as más línguas que o famoso "jeitinho" nada mais é que um presente trazido pelos portugueses. Consta na carta de Pero Vaz de Caminha muita adulação, toma-lá-dá-cá, nepotismo e até falsidade ideológica. A carta não faz menção alguma a tal "tempestade" que desviou a rota dos navios portugueses, então, como o povo pioneiro nas navegações, naquele século, se deixou desviar da sua rota às Índias? O que trouxe uma nação tão experiente em alto mar justamente pr'aqui, Brasil, se a tal tempestade não é citada em documentos históricos da época e nem no primeiro documento oficial do Brasil? O que os trouxe aqui numa época onde não se navegava mais sem uma rota estabelecida antes do levantar das âncoras? O quê? Mas, continuando...

Chegando aqui, portugueses encontram o cenário ideal para o tipo de sujeito que Sérgio Buarque de Holanda descreve como o Aventureiro. Esse era o tipo que sacia-se com o novo, o desconhecido, os grandes feitos, aquele que quer colher o fruto sem plantar a árvore. A época das grandes navegações era o período histórico ideal para a atuação desse tipo; o Brasil, o cenário perfeito: caloroso, amistoso, "desconhecido"... Sendo assim, o Trabalhador não teve participação muito ativa ao chegar aqui, pois esse era do perfil que funcionava quando havia rigidez e ordens a serem cumpridas. Se bem que, escrito dessa forma, até eu queria ser Aventureira.

Pra acentuar tudo isso, vêm nossas leis que, ao invés de conciliar o hábito diário do povo com as ordens que devemos cumprir como participantes de sociedade, estão mais para reinventar essa sociedade colocando-a, aos olhos da lei, como ideal, perfeita. Nunca a alcançamos. E, do jeito que o bonde anda, nunca a alcançaremos. Prática e teoria são muito, muito diferentes e isso só facilita o modo como se forma a cada dia jeitinhos e jeitinhos para driblar a lei instituída.

Não somos perfeitos...
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Mas não podemos usar sempre a frase "mas quem é?" para nos safarmos de uma solução.

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