sexta-feira, 13 de abril de 2018

Como é conversar comigo no Tinder

Me tornei aquela pessoa tão interessada em horóscopo que uma das coisas que pergunto logo de cara quando conheço uma pessoa é qual é o signo dela. Similar a um vício impossível de largar, esse meu novo hábito não enxerga limites e, mesmo quando a pessoa diz "não, eu não gosto/acredito/me importo com signos", eu ainda assim puxo assunto e me sinto uma evangélica tentando converter os não adeptos. Se é cansativo para mim, imagina pra quem tem que me aguentar.

Mas essa história ainda piora porque minha audácia atingiu níveis incalculados, como da vez em que puxei assunto com um estudante de astronomia perguntando se ele não se incomodava com o fato de muitas pessoas confundirem astronomia com astrologia. O carinha todo manjado de física respondeu que não se importava, mas resolvi cutucar a onça com a vara curta porque é desse naipe de conversa que eu gosto hahahahahahahah. A partir de então a conversa foi all about signos e porque EU acreditava em astrologia. Óbvio que o moço passou a ser monossilábico, mas quem se importa quando o assunto tá tão empolgante e você pode fazer um monólogo beeeeem longo?????

Incansável, ainda tive a pachorra (sorry, queria usar essa palavra, rs) de perguntar o signo dele, que era sagitário. Podia ter sido outro signo o dele, um sobre o qual eu não soubesse tanta coisa. Mas o universo conspirou a meu favor hahaha. Logo sagitário, O SIGNO DO MEU PAI E A MINHA LUA!!! Óbvio que sabia tudo e não perderia a oportunidade de descarregar meus saberes naquele ser humano que não estava nem um pouco interessado hahahahaha.


Introduzi minha fala e logo, como em um bom texto dissertativo-argumentativo, juntei meus argumentos e fui à luta. Exemplifiquei sobre como a lua afeta nas gestações por influenciar a água que tem nas bolsas onde os bebês ficam, citei o inconsciente coletivo de Carl Jung e até fiz questão de reforçar que a física só existia graças à filosofia (chupa, pessoal de exatas). Tudo isso contribuiu para que o ranço do moço crescesse. Porém, como bom português, ele manteve o tom dentro daqueles padrões que não ofendem a família tradicional, seja ela portuguesa ou brasileira rsrsrsrsrs. 

Desistindo totalmente de contra-argumentar, ele foi polido e disse "discordo, mas hoje estou sem paciência para discutir". Essa, que era claramente uma deixa para eu me empenhar em mudar de assunto, só me fez persistir mais ainda em levar aquela conversa para os caminhos que eu queria percorrer.

Após minhas longas declarações e argumentos, comecei a descrever como era o signo de sagitário. Falei das características básicas, do que o signo gostava e do que odiava. E não contente, ainda tive a audácia de encerrar com um "claro, o signo é apenas um aspecto bem geral. Para você sentir mais afinidade com horóscopo, é preciso fazer o mapa astral, que é como os astros estavam posicionados no exato minuto do seu nascimento".

Não sei se por exaustão, por ter vacilado por um minuto ou por internamente ter admitido a derrota, o moço resolveu enfim perguntar: "qual seu signo?". E eu:

— Capricórnio com ascendente em Gêmeos. Muito prazer.

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