segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sobre amor, dor e leveza


Afinal, amar dói? Essa pergunta foi lançada em um grupo do Facebook que eu participo e eu me vi totalmente perdida e incapaz de opinar depois que percebi que os argumentos de ambos os lados faziam muito sentido pra mim. Foram abordadas tantas questões e eu fiquei pensando nisso por tanto tempo que decidi mais uma vez subverter a minha programação do BEDA e mudar o tema de última hora.

Agora voltando à pergunta - e depois de muito pensar - percebi que a chave da questão está na própria definição de amor. Ou melhor, na falta dela. Mas não uma falta qualquer e sim daquelas faltas que existem justamente porque a ideia é tão ampla que definir de forma exata sempre acaba limitando.

Talvez uma das mais famosas tentativas de descrever o amor seja o soneto "Amor é fogo que arde sem se ver". Nele, Camões nos diz que amar é ser eterna contradição, é constantemente lidar com opostos irreconciliáveis. Se usássemos o poema como base, teríamos o veredito de que sim, amar dói. Mas se a gente for analisar o que está por trás desse amar, vamos acabar justificando essa dor.

Partindo do pressuposto de que amar é algo como "pinçar" uma ou mais pessoas de um mundaréu de gente para tratar de modo, digamos, diferente, no sentido de conferir a essa pessoa certos privilégios que você não concede a mais ninguém, podemos entrar mais a fundo nesse debate. Amar, ao meu ver, é indissossiável da empatia. Amar, como disseram lá no grupo, é viver três, quatro vidas além da sua e sentir na pele cada uma delas. E isso, de fato, dói. E dói muito. Mas também não dói. Tem vezes que é bom demais, que chega a ser maravilhoso. E isso porque viver dói e não dói, assim, ao mesmo tempo. E quando dói é bem mais que uma dor de sofrimento, é aquela dor de aflição, de se importar com o que importa pra essa(s) outra(s) pessoa(s).

Mas e sobre a leveza do amor? Sobre ele ser naturalmente bom? Pensando sobre isso eu fiquei tipo "mas onde estabelecemos que o amor é leve ou que não é? Onde ele é bom? Bom pra quem?" A bondade é boa, já o amor é apenas o amor, repleto de suas contradições.

Confesso que pensar num amor bom e que tudo supera, tudo perdoa e dentro da tal da definição bíblica (também outra referência na hora de definir esse sentimento, vide Corinthios xx) me deixa meio desconfiada da veracidade disso tudo. Dentro da minha experiência pessoal, toda vez que usei essa definição de amor foi na tentativa de lidar com cagadas colossais que sumiriam sem maiores explicações ao serem revestidas pelo manto mágico do amor, esse sentimento nobre, altruísta e superior que tudo perdoa. E daí percebi que essa associação do amor ao bom é algo que em nada se assemelha ao que é humano. Essa definição está mais ligada à ideia de amor do que às manifestações e sensações amorosas na prática.

Mas nesse ponto o debate só está começando porque, afinal, é o amor que dói ou é o que fazemos com ele e a forma como lidamos com esse sentimento que acaba doendo? Dá pra amar sem levar um combo de outroa sentimentos na bagagem? Fica o questionamento porque sobre essa parte eu ainda não faço ideia.
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Nota: Esse post é o segundo do BEDA e ainda estamos sem o bannerzinho por motivos de cheguei agora de viagem e a última coisa que quero fazer é produzir banner. Andressa, compreenda esse momento e apenas aceite.

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